27 de dezembro de 2014 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Isadora Maldonado
Guia de término de namoro: aprendendo a lidar com um coração partido

Na minha opinião, absolutamente todo mundo, em algum ponto da vida, vai sofrer um término amoroso. Como diz a diva Warsan Shire: “eu não vou glorificar ou romantizar términos, pra mim foi como uma morte e eu fosse obrigada a continuar vivendo”. É horrível, dói muito e dói por muito tempo – pode não doer na mesma intensidade todo esse tempo, mas não some assim da noite pro dia. Você sobrevive.

É quase sempre a mesma coisa, na verdade: você começa em negação, achando que logo voltam, que não é para valer; passa pela raiva por ele(a), por tudo o que passaram juntos ter sido jogado fora, por você não ter sido uma pessoa valorizada; então vem o desespero porque você percebe que é para valer, que não tem volta e uma parte da sua vida acabou. Às vezes, isso tudo acontece num dia só, às vezes leva semanas, meses e até anos. E então tem dois caminhos, que são: 1) superar ou 2) se afundar, chorar, se desesperar, se humilhar, apanhar das amigas e superar. Geralmente, vamos pela segunda opção porque o luto nos abate de tal forma que parece impossível simplesmente superar. E deixa eu te dizer que é okay ter esse período de luto e sofrimento. Você amou aquela pessoa, seria estranho não sofrer com o término. É algo muito difícil de lidar, você sente uma parte de si sendo levada, a vida parece que não tem mais rumo, os seus planos para o futuro não fazem mais sentido porque ele(a) não está mais lá. Você morre um pouco. Você sofre muito.

Eu não sou uma expert no assunto, longe disso – só tive um término na vida, nesses 25 anos – porém conversando com amigas, me pareceu que quase sempre lidamos de uma forma bem parecida com as situações do término. Vamos aos mandamentos, onde podemos te dar uma ajudinha:

1.  Não deverás manter contato. O clichezão de quem levou um pé na bunda, né? Mas você vai passar por muitos clichês nessa fase, amigue, pre-pa-ra. Não mande sms, nem whatsapp, não cheque a última vez que a pessoa ficou on no whatsapp, POR NADA nesse mundo cheque o facebook dela. Deixa eu te resumir o que vem com essa manutenção desnecessária de contato: a pessoa vai acabar querendo ser sua amiga (abordaremos o assunto logo).

2. Não fuçarás. Ai que lindo ser amigo de ex no facebook, né? Tão maduros. Até que chega um momento que você vai ver fotos da pessoa indo em festas, aproveitando a vida sem você muito bem aproveitada, vai ver outras pessoas dando em cima do(a) seu ex e, pior, ele(a) dando em cima de alguém. Você vai levar uma bela esfregada na cara que a pessoa está feliz sem você. Pode ser que não esteja completamente feliz, pois quem dá o pé na bunda também sofre – desconfio que nem metade do sofrimento de quem leva o pé, mas ainda assim, mas não importa, a pessoa está seguindo em frente. É bom ficar vendo isso? Não, não é. Então poupe sofrimento, se ame um pouco e não fuce. E tem uma situação bem embaraçosa, que acontece quando ele posta algo sobre amor e você acha que é recaída por você e, quando vê, tá namorando outra. Pra que se sujeitar a isso, amiga? De qualquer forma, se sentir que não é necessário desfazer a amizade nas redes sociais, ao menos não siga. Eu acho que não funciona, porque você vai lá na caixinha de busca, abre o perfil da pessoa e fuça em tudo. Amiga, melhore, não tem como te defender, bicha, eu te adoro.

3.    Não ficarás amiga. A pior ideia, a pior de todas, pior até que ter recaída, é ficar amiga de ex. Apenas não. Ouve a tia Prih enquanto ela tá viva ensinando: NÃO. FIQUE. AMIGA. DE. EX. Não de imediato. Um dia, quem sabe. Mas de imediato não funciona porque 1) você se submete a isso porque tem esperança que a pessoa se re-apaixone pelo seu eu que vai ser s u p e r gente boa ou 2) você acha que, ficando amiga, consegue transformar seu amor em amizade. Clica aqui rapidinho e continua a ler. Amada, a pessoa não vai se re-apaixonar, porque do nada vai perceber que você é linda e maravilhosa. Ela já te achou tudo isso um dia, adivinha quando? Sim, quando estava contigo. E não está mais. Não passe um sofrimento maior ainda tentando reconquistar ex, você vale muito mais que isso. Se valorize. E, infelizmente, não tem como transformar amor em amizade na força, acreditem em mim, eu tentei demais por meses e no fundo eu continuava amando tanto quanto amava antes, a diferença é que eu sofria mais por absolutamente nada. Um dia, quando as coisas acalmarem e você naturalmente se desapaixonar, talvez haja uma chance de amizade, mas só o tempo vai dizer (play na música do Leonardo. Mentira, volta aqui). E vamos atentar ao detalhe que nem todo ex tem espírito de Deus no coração, então alguns vão usar essa amizade bacana, bonita e sincera para te machucar.

4. Não terás recaídas. Apenas não. É emocionalmente desgastante e você só está dando uma chance pro espírito de capiroto te pisar mais uma vez ou te usar mais uma vez. Se a pessoa quisesse você, estaria contigo, então não faça isso consigo. Depois vai levar na cara das amigas e ainda vai achar ruim.

5. Não beberás. Faz favor. Se você for menor de 18, não é para beber, ouve a tia. Se for maior, também não. Não adianta tomar um porre porque vai continuar solteira, colega. E não adianta se fazer de louca e ligar bêbada, que bêbada não acerta discar número de ex – (porque espero que a essa altura você já tenha deletado o número dele da agenda). Não se faz de desmaiada, Juliana.

6. Não usarás gente aleatória. Não use emocionalmente aquela pessoa bacana que te quer há tempos para superar a cria do tinhoso, ok? Tem gente que prefere superar para, somente então, ficar com outras pessoas e tem gente que sente que quanto mais pessoas ficar, mais rápido supera. Isso vai de cada um. Só não faça isso no nível emocional porque duas pessoas podem sair machucadas, e você já não está muito bem.

7. Não surtarás quando a pessoa namorar alguém. Por favor, não. A pessoa está livre para ficar com quem quiser, não guarde mágoa, só vai machucar você mesma. A(o) nova(o) namorada(o) não tem culpa do término de vocês, mantenha isso em mente. E jamais se compare com a pessoa nova na vida dele(a), você não é pior, nem melhor. Não deu certo entre vocês, mas pode dar certo entre eles. Não emita energia ruim porque ela volta.

8. Não manterás contato com a família e amigos dele. Não são seus amigos! Não é mais sua sogra, nem seu cunhado. Você pode sim nutrir um carinho enorme por família de ex, e também pelos amigos, afinal foram parte da sua trajetória. Contudo, se afastar ajuda muito. Você se coloca no seu novo papel de uma forma mais clara pra si mesma, e esse papel é fora da vida do(a) ex.

9. Contarás com uma rede de apoio. Por último, mas não menos importante: ela, a rede de apoio. Serve família, amigos e até psicóloga. Conte com eles, desabafe, porque quanto mais falar sobre, melhor você processa. Só não vale ficar obcecada. Há uma diferença absurda entre desabafar e gastar 16 horas ao dia falando do de cujus. Seus amigos terão importância fundamental nessa fase, os ouça porque eles certamente querem seu bem e veem a situação de uma forma muito mais clara do que você, com essa visão embaçada de chorar. Confia nos conselhos.

O caminho para superar é complexo e diferente para cada pessoa. Não se sinta fraca por precisar de ajuda para superar alguém, pelo menos você está aceitando e está buscando ajuda, querendo ficar bem. Fique firme. Acima de tudo: faça coisas que te tragam felicidade e esteja com pessoas que te amam. Com o tempo, as coisas se ajeitam e você encontra alguém muito melhor para você. Ou não encontra. Não faz diferença, realmente, quem está no comando da sua felicidade é você mesma, não delegue esse poder a ninguém.

Meu conselho: faça uma cápsula do tempo, igual ensinaram aqui na capitô, coloque as lembranças dentro de uma caixa, e guarde-as escondido ou peça pra alguém esconder e só volte a isso quando e se somente estiver bem.

 Da Gabriella Beira [Coordenadora e Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão; Colaboradora de Relacionamentos & Sexo]

 Meu conselho: chora tudo o que tem que chorar, sem se repreender por isso. Gasta tudo o quanto antes e, se tiver alguma coisa entalada na garganta que deixou de falar na hora do término, vai falar pra pessoa sim. Você tem que estar completamente limpa de qualquer coisinha que tenha ficado pelo caminho. Depois de falar e chorar tudo o que precisava, depois que você ver que já deu de sofrer, só respira fundo e segue em frente. Corações partidos doem, mas a vida é muito maior do que isso. Lembre-se sempre que você ainda tem muito mais vida pra viver e que felicidade é algo que dá trabalho pra gente construir, mas que dá pra conseguir sim.

Da Clara Browne [Editora Geral; Colaboradora de Estudo & Profissão; Colaboradora de Artes; Revisora; Ilustradora]

Meus conselhos: não ache que você vai superar de repente; você não vai. É natural demorar, é natural ter recaídas, é natural achar que talvez fosse melhor não ter terminado.
Aproveite sua rede de apoio: se aproxime da sua família, se reaproxime de amigos que ficaram meio de lado porque você estava namorando (isso também acontece), abuse da boa vontade dos amigos que estão aí para você, porque esses são os momentos em que você precisa disso. Peça para eles te ajudarem no que você quiser fazer – seja te ouvirem enquanto você chora e reclama, seja irem com você para a balada.

Chora muito muito muito muito mesmo, escreve tudo que você tá sentindo, bota pra fora, joga coisas na parede. Extravasa a dor física do coração partido.

Se você acha que precisa se abrir para a pessoa depois, falar certas coisas, fale. Mas não faça disso um hábito, não puxe conversa sempre para falar de tudo que você está sentindo. E não espere que a pessoa vá querer te ouvir ou vá reagir bem a tudo que você diz – a pessoa tem o direito de reagir ao coração partido da forma dela também, e você deve respeitar isso.

Quando o pior da dor estiver passando, foque em você mesma, em fazer coisas que você ama mas estava sem tempo para, em ver aqueles filmes que você adora, mas a pessoa com quem você se relacionava detestava, em comer pizza cheia de alho sem se preocupar com hálito. Aproveite também pra ser produtiva, começar projetos, aprender algo novo, para tentar se renovar.

Da Sofia Soter [Editora Geral; Colaboradora de Relacionamentos & Sexo; Revisora; Social Media]

Priscylla Piucco
  • Membro do Conselho Editorial
  • Coordenadora de Relacionamentos & Sexo

Priscylla. Apaixonada por seriados, kpop, reality show ruim, Warsan Shire e as Kardashians. Odeio o Grêmio e cebola. Prazer, pode chamar de Prih agora.

  • Ana Paula

    A rede de apoio que ameaça dar na cara. Que segura sua mão no busão e lembra que a make é cara pra borrar com exu. Que te leva pra gordices e da os melhores ou piores conselhos, mas que acabam ajudando e muito! Lembrando que sempre tem aquela pessoa que você jamais pensou que seria apoio e do nada vira a pessoa mais maléfica que te faz superar da melhor forma. 😉

    • Cristiane

      Nossa, quando eu estava mal uma menina com quem eu mal falava me deu muita força. Hoje somos grandes amigas e sempre nos ajudamos.

      • Priscylla Piucco

        Isso foi exatamente o que aconteceu comigo! Fiz ÓTIMAS amizades no término, pessoas que jamais imaginaria que seriam parte da minha base um dia. Sempre há algo de bom para vir depois da tempestade!

    • Priscylla Piucco

      Eu te amo tanto que nem sei o que eu teria feito sem você fazendo de tudo pra me manter nos trilhos. Obrigado por não deixar eu borrar make da mary kay. R$60 num primer + R$60 no rímel PRA CHORAR? Aqui não!

  • Cristiane

    Esses são sem dúvida os melhores conselhos do mundooo!! Foi exatamente o que eu fiz. Terminei porque sabia que ele não gostava de mim da mesma forma e ele queria continuar ~amiguinho~ (faça-me o favor, né!), mas eu fui me afastando aos poucos. Excluí o cara da minha vida e foi a melhor decisão possível! Hoje não falo com praticamente ninguém que conheci por intermédio dele (só uma ou outra amizade que já existia antes dele). Quase tudo o que me lembra ele já não faz mais parte da minha vida – e não digo tudo porque nos conhecemos na faculdade e não vou largar a faculdade por causa de um cara. Ele foi um enorme erro que apaguei da minha vida. E é muito bom ver neste texto essa reafirmação.

    • Priscylla Piucco

      Esse comentário me deixou MUITO feliz, Cris! É bom ver que tem pessoas que superaram, acho que dá esperança para as outras, sabe? Eu, particularmente, também acho melhor eliminar qualquer lembrança. Ele terá feito parte da sua vida ainda, porém não é necessário ficar relembrando algo que não foi bom, deixa lá na gaveta de arquivados. Parabéns pela superação, gata!

  • Pingback: É preciso pertencer: a importância das redes de apoio - Capitolina()

  • Gabriela Machado

    Meu ex que precisava ler essa matéria.

  • C**

    Tem mesmo que chorar, desabafar, escrever…
    Chorar sem vergonha… Meu primeiro namoro, quando acabou, eu me privei de tudo, não chorava, n falava mais o nome, bloqueei tudo… Apaguei rede social, tudo muito de repente…
    Resultado: Fiquei doente, n saia mais de casa, tive outras pa de doença psicologica… kkkkk demorei anos p me curar, p admitir o porquê de todo sofrimento.

    Aprendi… a não me privar dos sentimentos… Perdi alguem novamente, a pouco tempo, e tem horas que tenho vergonha de estar chorando, pensando, ah, a outra pessoa está lá de boa…
    Mas que se dane…. Eu n estou, eu vou chorar o quanto eu quiser, porque para mim isso é importante e vai passar…
    Vou superar…
    Rsrs… Nada de esconder…

  • Luis Augusto

    Muito bom texto, me ajudou muito! E eu não sou mocinho, nem ela mocinha, tenho 59 anos e minha querida que se foi, 57. Contudo, tudo que se aconselha está adequado. Depois de cerca de dois meses de namoro, ela se foi sem explicar, até que tentou, eu diria, mas, no dia que agendou encontro para isso, uma segunda feira a noite naquela padaria da Wizard com Fradique, nem conseguiu engrenar o assunto – game over, pois percebeu o quanto eu estava despreparado para ouvir. Apenas na despedida na rua junto ao seu carro, ela se negou a ser beijada na forma selinho na boca, desviando o rosto, e partindo em seguida. Daí comecei a entender o que vivia, um efetivo adeus. Essa foi a ultima vez que a vi. Desde esse dia, 02/03/2015, só se dispôs a falar pelo what’s up ou messenger, a medida em que recebia mensagens minhas. Neste tempo que estive com ela, me dei conta a fundo do quanto estava distante dos “requerimentos do mercado do afeto&sexo” para o contexto de uma mulher como ela, bonita, inteligentíssima, perceptiva, intuitiva, experiente e dinâmica, ao passo eu que estava muito gordo, meio sedentário, bebendo muito vinho, com o tempo de resposta lento, a mente enevoada e vivendo a antevéspera de ser despedido após 15 anos numa empresa, preocupações várias, inclusive de saúde, conforme descobri na sequencia. Mas, não houve tempo para eu me aprumar, emagrecer, gerar uma nova pessoa, mais atenta, focada, esperta, rápida, pro-ativa, propositiva de programas, viagens, convites, conforme comentou nas mensagens.. Enfim, alguém adequado para estar ao seu lado. Comentou também que faltava “química” na cama entre nós, é que é algo que acontece ou não, não havendo nada a se fazer a respeito; retruquei que não tinha nem condições para uma justa “avaliação” dado minhas condições e o que vivia na época. Com isso tudo quero contextualizar que estava realmente sem capacidade de proporcionar um bom test drive para ela, inclusive na cama, onde meu desempenho deixava a desejar e a cada vez que ia “mal”, só piorava a situação. O termo test drive foi utilizado em conversa com uma amiga comum nossa, que falou que eu não deveria esquentar, pois foi somente um test drive, não aprovou, passa-se para outro, outra, e que eu deveria fazer o mesmo. Mas, não consigo. Nesse tempo usei o what’s up e alguns e-mails para comunicar o que se passava comigo, o quanto eu gostava e gosto dela, etc. etc. Mas, tinha dúvida se esse comportamento que beirava um pouco o padrão “pedinte”, carente, desconsolado e talvez “grudento”, de alguém que não aceita o que já ocorreu, o que já era, faria algum sentido; pois, achava que perdia minha dignidade (ou orgulho de macho…machucado); bom, o texto afirma que deve-se partir sem deixar conteúdos entalados na garganta. Assim, expliquei minha realidade interna daqueles dias, o quanto não fomos capazes de conversar nossa vida interior, o quanto ela foi “rapidinha”, não deu chance para nada etc. As razões dela não saberei, é certo, contudo, ao me abrir sem receios para ela como fiz, sinto me agora em melhores condições de ir adiante, de superar esse amor que nem pode sair do chão, estou ainda em meio deste processo, e digitando palavras no Google, foi que cheguei a este texto. Obrigado, abç, Luis

    • Érica Rodrigues

      Parabéns Luis!! Gostei da sua atitude e pensamento! Tudo de bom! Abs

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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