26 de outubro de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Dora Leroy
A esposa boazinha… Erh

Esse mês eu convenci a Natasha a escrever sobre The Good Wife (2009-) com a premissa de que ia falar de um casal específico da série e que depois foi sugerido falar sobre outros casais de outras séries. Eu ignorei isso (desculpa, Dani!) e apenas aproveitei a oportunidade para falar sobre a melhor série da TV aberta americana em exibição. Sim, fiz uma declaração ousada, eu sei, mas muitas pessoas podem concordar comigo (pelo menos até a quinta temporada).

A história começa com uma premissa simples. Mãe de dois filhos, casada com o promotor da cidade de Chicago, que vê a vida dar um giro de 180 graus quando o marido é exposto num escândalo que envolve desvio de dinheiro e prostitutas. Marido vai preso e ela volta ao mercado de trabalho depois de 15 anos sendo dona de casa. Ela consegue um emprego graças ao velho amigo da faculdade, Will Gardner, um dos sócios da Stern, Lockhart and Gardner. Mas ela volta quase num nível de estagiário, tendo que competir com garotos recém-saídos da faculdade de direito, como Cary Agos.

Parece mais do mesmo, não? Afinal, é um caso por episódio, enquanto a personagem principal lida com seus dramas familiares e pessoais. E são nos dramas pessoais de Alicia que a história começa a ficar interessante. Ao depararmos com a Alicia frágil e abalada do primeiro episódio, nem imaginamos que esse escândalo do marido traria sentimentos e daria uma acordada na personagem do jeito que deu. Mas só vamos sentindo a passos lentos, porque falamos de uma série e as coisas têm que maturar.

Voltemos aos personagens da série.

Temos o marido, Peter. Não tem muito o que falar dele sem dar spoilers. Apenas que ele é pai, ex-promotor e sai da prisão querendo o quê? Isso mesmo, fazer carreira política.

Will é o advogado mulherengo e ambicioso, mas que tem carisma e as pessoas gostam.

Diane é a outra sócia da firma, uma mulher com visões políticas (democrata) muito fortes e definidas, que passa segurança de que sabe o que está fazendo e é um modelo para Alicia.
Cary entra na empresa junto com Alicia e é sempre visto como competição direta dela dentro da empresa.
Kalinda é a investigadora da empresa. Misteriosa e sempre muito eficiente, nem sempre por métodos ortodoxos, acaba virando amiga da Alicia.
Há também o Eli — meu personagem favorito da série —, os filhos da Alicia, a mãe de Peter, David Lee e uma série de personagens secundários que a gente aprende a se apegar, como os juízes, os advogados adversários deles, a equipe da promotoria.
O grande trunfo de The Good Wife é que parece ser só mais uma série de advocacia, onde há o caso da semana e, de vez em quando, a gente vê o que acontece com os personagens, quando é justamente o contrário. O desenrolar da vida dos personagens e da empresa está sempre em primeiro plano e isso tudo ajuda a gente a ver como eles se relacionam com os casos que defendem.
Uma coisa que me marca na série é como ela sempre faz referências a si mesma, usa os recursos tecnológicos como mensagens de texto no celular, e-mails e mensagens de voz no celular bem integrados ao desenrolar da história. Aliás, mensagens de voz em The Good Wife são sempre muito reveladoras e importantes para tramas.
Assim como viagens de elevador. Tal qual Grey’s Anatomy (2005), as cenas de elevador de TGW têm muita carga emocional, só que são feitas de forma bem mais sutil.
A série tem um mérito de ter personagens incrivelmente reais e não há mocinhos nem vilões. Todo mundo tem caráter duvidoso e sempre estão em cima do muro moralmente. Isso fica bem evidente quando eles decidem assumir os negócios legítimos de um traficante de drogas renomado usando a grande desculpa de “só representamos os negócios legais dele”.
A série está atualmente na sua sétima e última temporada. Vimos a ascensão da Alicia, não só no âmbito profissional, mas como personagem. Vimos sua vida desmoronar e dar uma guinada durante sete anos. Estamos acompanhando todo o seu cotidiano. Como seus anseios, vontades, ambições, frustrações, perdas, ganhos, paixões, desilusões e traições. São muitos sentimentos que permeiam a personagem principal e principalmente o telespectador que sente isso tudinho junto com ela. Sendo que nada é piegas em TGW. A série é muito sutil e elegante. Sempre com pequenos gestos — ou gestos grandiosos e espalhafatosos, quando são pedidos. É uma pena que muita gente ignore a série por achar que é “de mulherzinha”, que é só sobre a Alicia. Quem descobre nunca mais larga. Boas atuações, bom roteiro e muitas emoções fazem da série a melhor da TV aberta americana, in my opinion (entendedores entenderão).

Georgia Santana
  • Coordenadora de Revisão
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

25 anos, do Rio de Janeiro, mas passou a primeira infância em Natal - RN. Estuda Biblioteconomia na UFRJ. Assiste a qualquer tipo de competição esportiva e lê muitas biografias / autobiografias e já chorou de emoção ao comer caldinho de sururu. Odeia barulhos, luz artificial e frio. 90% lufa-lufa, 10% sonserina.

  • http://bianca-pinheiro.tumblr.com/ Bianca Pinheiro

    sétima e última? não sabia que ia terminar já… mas também…




    SPOILERS À FRENTE!
    SÓ LEIA SE TIVER VISTO ATÉ A SEXTA TEMPORADA
























    ……..

    depois da morte do Will eu senti que eles tinham se perdido um pouco. a saída da Kalinda foi a gota d’água! é claro que verei até o fim. TGW é uma das minhas séries favoritas e é simplesmente foda demais. mas quando a Kalinda saiu eu fiquei pensando no que mais eles poderiam fazer. ok, a Robyn é legal, mas meu, Kalinda, cara! fora que elas terem brigado sei lá quantas temporadas atrás e só voltado a ser amigas agora, no finzinho da sexta, foi super-triste. a amizade delas era uma das coisas que eu mais amava nessa série. e embora o Will não fosse particularmente um favorito (e eu estivesse à beira de odiá-lo profundamente desde que a Alicia saiu da Lockhart & Gardner), a morte dele não foi algo que eu tivesse previsto. fiquei em dúvida no final das contas se não havia sido um tiro no pé pros criadores da série. até porque ao contrário da atriz que faz a Kalinda, o cara que faz o Will não tinha pedido pra sair…

    mas bem, vamos lá. estou esperando juntar uns episódios pra ver tudo de uma vez.
    taí uma série que vai deixar uma marca linda para o futuro.

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