6 de março de 2016 | Colunas, Música, Se Liga | Texto: | Ilustração: Carolina Walliter
Primavera das mulheres
IMG_primaveramulheres

Por mais vinte e um que este século seja, todo dia vivemos algum episódio digno das masmorras medievais. Porém, graças à virtualização da vida, percebemos que não estamos indignadas sozinhas. E é nas angústias que florescem mudanças, ou pelo menos foi assim com o espetáculo Primavera das Mulheres, desabrochado há pouco mais de dois meses e já tão impactante e transformador.

Tudo começou com um pesadelo sonhado por Laura, compartilhado em um grupo do Facebook para mães trocarem figurinhas sobre maternidade como um ato político. Ela compartilhou o enredo sonhado com umas amigas, assim, na zoeira, como quem não quer nada, e todo esse descompromisso foi abraçado por mais de sessenta colegas das artes, também participantes desse grupo, todas dispostas a tornar o antídoto desse pesadelo uma realidade. O espetáculo foi concebido depois de um mês de bate-papos entre as interessadas, que enxergam na arte cantada, exibida e encenada a melhor solução para um diálogo sadio sobre questões urgentes que ferem a cidadania de milhões de mulheres brasileiras.

CREDITO_BEL_JUNQUEIRA
Créditos da foto Bel Junqueira.

Cada apresentação do espetáculo é única por causa de seu formato mutante e aberto: artistas vão e vêm dependendo da necessidade que têm de expor alguma questão que as acomete – ou melhor, que nos acomete: o ato de verbalizar nos faz perceber que, sim, o problema de uma diz respeito e fere a todas. O show é, portanto, um espaço de protesto e cultivo de sororidade, que apazigua temores e faz girar a roda que precisa ser movimentada para essa sociedade caminhar para uma realidade melhor.

Mora no Rio e ficou com vontade de conhecer essas mulheres maravilhosas, talentosas e, acima de tudo, reais? Fica de olho na fanpage delas porque ainda tem show para acontecer!

Carolina Walliter
  • Revisora
  • Colaboradora de Esportes
  • Colaboradora de Literatura

Beatlemaníaca que gosta de sambar diferente com o Molejão, gosta de carnaval e de futebol mais que o recomendado pela OMS. Carioca da gema e cidadã do mundo, tradutora, intérprete, historiadora, mochileira, nômade digital, rabiscadora compulsiva em moleskines (não necessariamente nessa ordem) mas, antes de tudo, uma contadora de histórias, sobre si e sobre os outros. Escreve sobre o cotidiano da tradução em: http://pronoiatradutoria.com/

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos