2 de abril de 2016 | Relacionamentos & Sexo, Sem categoria | Texto: | Ilustração: Isabela Zakimi Innocentini
Não somos a namorada heroína

Na sessão de Relacionamento e Sexo, escrevemos com frequência sobre conceitos que vieram dos filmes, seriados e livros que consumimos. Uma narrativa comum é: garoto-problema se interessa por garota-santa e muda de atitude. É a namorada-heroína: a escolhida para colocar o garoto na linha. Mas na realidade, as atitudes do garoto-problema não são tão facilmente solucionáveis assim. O pior é que esse conceito não vem só da mídia. Você já ouviu sua vó falando algo como “esse menino precisa de uma namorada para ajustar a vida dele”?

Além de nós acreditarmos que podemos mudar a vida da pessoa com quem nos relacionamos, nossos pais, sogras, tias, avós, amigos e papagaios também acreditam. Até mesmos os homens acreditam nisso às vezes! Quantos já ouvi dizendo que “agora que estamos juntos, eu vou mudar” ou “se você terminar comigo, minha vida vai piorar”.  Então é colocada uma pressão sobre as mulheres para que se tornem responsáveis pela vida dos homens.

Essas mudanças de atitude se tornam ferramenta de manipulação em relacionamentos abusivos. A namorada-heroína se torna mártir. O namorado pode sair da linha e voltar com novas promessas. Em relacionamentos assim é muito comum que o homem faça a mulher de refém, como se os péssimos hábitos fossem piorar caso o relacionamento termine, ou como se o homem só fique na linha enquanto a namorada está ao seu lado. Então todo mundo implora: dá mais uma chance para ele. E a namorada-heroína prolonga a prisão no relacionamento com alguém que possivelmente jamais vai mudar.

Em qualquer relacionamento, saudável ou abusivo, casual ou sério, familiar ou afetivo, precisamos lembrar: nós não somos responsáveis pelo comportamento de ninguém. Não somos as heroínas que salvarão nenhum homem de escolhas irresponsáveis.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

  • Léa Figueira Brandão

    Rebecca, seu texto me representa muito e tu é linda! <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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