3 de abril de 2016 | Colunas, Música, Se Liga | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
IT’S TIME TO GET LOUD! Entrevista com Oshun

Conheci Oshun através do clipe de # e fiquei boquiaberta com o PODER que essas minas exalam. Niambi e Thandiwe se descobriram no colégio e não se separaram desde então – ainda bem! Essa sintonia se reflete muito nas músicas, clipes e entrevistas e torna tudo mais bonito e verdadeiro no som delas.
Vê só:


Além do caráter de denúncia da supremacia branca, as músicas falam de amor, espiritualidade, ancestralidade e têm muitas referências da cultura Iorubá. Falamos um pouquinho sobre isso:

CAPITOLINA: Qual a relação de vocês com a Oxum, rainha das águas doces e como foi a escolha do nome?
Oshun:
Oxum é nossa mãe. Enquanto meninas negras e jovens, a energia dela é muito presente na gente, e feito feiticeiras numa missão, tentamos encarnar sua doçura e amor em tudo que fazemos. A escolha foi muito espiritual e intuitiva, acreditamos que foi a própria Oxum que nos pediu pra chamar-nos pelo seu nome.


CAPITOLINA: E quanto as tuas referências femininas na música, quem são?
Oshun:
Somos inspiradas pelas obviamente maravilhosas Lauryn, Erykah, Jill Scott, Ibeyi, Beyonce, Willow Smith, Rihanna, Andaiye (a mãe da Niambi!), Ladybug Mecca, só pra nomear algumas.

CAPITOLINA: Maravilhosas! Como se sabe, aqui no Brasil as mulheres são pressionadas no hip hop porque é um espaço majoritariamente masculino, e imagino que aconteça o mesmo por aí (Nova York). Pra vocês, como é essa coisa de ser mulher e jovem no Hip Hop? A relação de vocês ajuda a lidar com a misoginia que sempre aparece?
Oshun:
Bem, a misoginia vai sempre estar lá. Mas a gente sabe do nosso poder enquanto mulheres e focamos nossa energia nisso. Estamos nos construindo na música de forma autossuficiente e tudo que fazemos é entre nós mesmas. Não damos espaço pra misoginia porque nós e nosso time não somos misóginos.

CAPITOLINA:Para além – e em conjunto com a misoginia, o racismo aqui e no mundo age de forma brutal. Sendo uma temática presente nas músicas e clipes de vocês, que forma vocês veem e buscam para empoderar a população negra e lutar contra o racismo?
OSHUN:
O empoderamento de mulheres negras e a luta contra o racismo começa quando as pessoas negras se desligam da estrutura de poder da supremacia branca. Autossuficiência é a chave. Apoiar negócios de pessoas negras, abraçar a espiritualidade, ensinar as crianças sua história além da escravidão – esses são aspectos da negritude que independem de um sistema racista. Uma vez que dependemos apenas de nós mesmos, vamos nos desligar dessas opressões que nos colocam pra baixo.


CAPITOLINA: E, por fim, vocês tem alguma mensagem a deixar para as nossas leitoras?
OSHUN:
Nosso recado é: amem a si mesmas! Reconheçam e apreciem o seu valor! E…….. A GENTE AMA O BRASIL! Queremos conhecê-las em breve!

Jade Cavalhieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM

Boneca trouxa inveterada que perde muito tempo reclamando e clamando direito à preguiça. É escorpiana com ascendente em áries e ama mostarda de uma forma não muito saudável. Se identifica com nuvens cirrocumulos e alguma parte dentro dela ainda quer ser astronauta.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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