29 de junho de 2016 | Ano 3, Edição #27 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Quando o amor acaba…

Comédias românticas, músicas pop, novelas, contos de fadas, estamos rodeados pelo tal do amor romântico. Esse de casal, do viveram felizes para sempre. Só que o mundo real é um tanto diferente. Começando pelo medo constante da rejeição que a gente carrega. E se o outro não gostar de mim? E se eu falar que gosto dele(a) e rirem de mim? O medo do amor não correspondido é tão real que às vezes nos paralisa nos deixa até sem saber o que o outro sente; muitas vezes não investimos em alguém por puro medo. Como se fosse o fim do mundo não ser correspondido. Claro que não vou falar que é fácil tomar um toco, é horrível, a gente se sente a maior trouxa do universo; estar vulnerável assim e quebrar a cara é um dos piores sentimos que existe. Porém o mundo não para de girar, a vida continua e foi só uma pessoa que não te quis. Eu sei que parece impossível, mas você vai desejar outras e achar outro amor.

Só que também acontece de gostar alguém que vai gostar de você também, e aí começa uma linda história de amor, que parece até uma comédia romântica de Hollywood. Porém o tempo passa e diversas coisas acontecem na vida de cada um. De repente aquela pessoa que parecia tão certa, aquele romance que que era tão maravilhoso, acaba, o amor chega ao fim e toda uma nova onda de emoções e sentimentos te atinge feito um tsunami. Já falamos aqui na Capitolina algumas vezes sobre términos, mas como diz a música “Breaking up is hard to do” (“terminar é difícil demais”), e portanto voltamos a essa assunto. Você pode ter decidido que o melhor a fazer é seguir caminhos opostos por diversos motivos: o namoro pode estar tão desgastado que não resta outra opção, vocês podem estar em sintonias diferentes, ou ainda você pode achar que está tudo bem, que só há uma briguinha ou outra, e de repente a pessoa percebe que não te ama mais. Não importa o contexto, as únicas certezas que posso te dar são: primeiro, você vai sofrer bastante, vai doer muito mesmo e eu não vou nem mentir, ainda mais se não foi você que tomou essa decisão, segundo, você sobrevive e de repente melhora e uma hora vai passar.

Agora devemos lembrar cada relacionamento é único, simplesmente porque cada pessoa é única. Claro que quando você for conversar com as migas vai achar semelhanças, vão se identificar e assim até vão ajudar uma a outra, porém comparar o seu relacionamento e o seu término com outros casos pode não ser nada saudável. Só porque a sua miga terminou e três meses depois já estava bem e com outros não significa que você é besta ou tem algum problema se depois de três meses ainda não consegue parar de chorar. No mesmo caminho se você depois de dois meses já se sente capaz se apaixonar por outra pessoa não quer dizer que o relacionamento antigo não significou nada para você. Não existe cálculo nem fórmula que diz o tempo exato que vamos superar um término, quem me dera existisse, seria bem mais fácil. Claro que quanto mais longo e mais intenso o relacionamento, muito provavelmente mais difícil vai ser se adaptar a uma nova vida sem ele, mas só nós mesmas sabemos de verdade o que estamos enfrentando, e não tem nada de errado se levar um pouco mais ou um pouco menos tempo nessa fase de reconstrução.

As memórias vão estar por todo lado. Qualquer coisa pode ativar a memória afetiva, uma palavra, um presente, uma comida, qualquer coisa mesmo e pode nem ter explicação lógica. Só é assim e temos que aceitar o choro quando ele vier. Alguns lugares vão sim ser banidos por você, porque neles as memórias são tão fortes que é insuportável e tudo bem. Nesse momento, você tem que se respeitar, você está vulnerável e mesmo que pareça insano andar dois quarteirões só para não pegar ônibus no ponto que vocês se beijaram pela primeira vez, ande. O mesmo vale para amigos em comum, você não tem como fazer as pessoas deixarem de ser amigas do seu (sua) ex, mas tem como pedir para fazerem programas só com você, para não contarem histórias sobre o dito-cujo se assim desejar. É chato, é desconfortável para todo mundo, mas de novo você está na posição vulnerável aqui e se eles são seus amigos, vão entender. O importante é identificar ações e atitudes que vão ajudar nessa superação.

Eu sei também que às vezes parece que estamos presas nesse luto eterno, nas memórias do relacionamento que não existe mais e nunca vamos conseguir superar, parece que nunca vai aparecer mais ninguém, e se aparecer não vai ser tão interessante quanto o outro era, e você nunca mais vai amar alguém como o amou e sei como isso é incrivelmente frustrante, porque a gente só quer seguir em frente com as nossas vidas. Li outro dia por aí nas internets uma frase ótima sobre isso, era algo como: “O veneno não sai do corpo todo de uma vez, ele sai aos poucos, seja paciente, vocês está sim se curando!” Não é porque você voltou a chorar outro dia depois de muito tempo que você não superou nada, eu sei que às vezes é isso que parece; a sensação é estar numa prisão de sofrimento mesmo, mas seja paciente, você está, sim, se curando. Peder um amor, acabar com um relacionamento é um processo e ele tem idas e vindas; é assim mesmo. A gente tem que respirar fundo e tentar o nosso melhor para seguir em frente.

Por mais que a gente cresça achando que vamos viver felizes para sempre, o para sempre às vezes acaba. É dolorido e parece inacreditável que aquele amor todo tenha acabado e você fica se perguntando para onde ele foi. Quando é a primeira vez que isso acontece então é pior ainda, não temos referência que um dia isso vai passar e parece que vamos sofrer pra sempre. Só que passa, por mais difícil que possa parecer você tem que repetir para si mesma que vai passar, vai passar até que passa. Tente colocar esses sentimentos todos para fora, seja chorando, seja escrevendo, desenhando, conversando horas e horas com as amigas, procure o que funciona para você. Respira fundo e respeite seu luto e seu processo, aproveite esse tempo para se conhecer melhor e ver o quanto você é forte. Todo mundo já passou ou vai passar por isso em algum momento e o mais importante: você sobrevive e cresce e vai ser feliz de novo e até quem sabe encontrar um novo amor.

Dani Feno
  • Coordenadora de Audiovisual
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Música

Dani Feno, 26 anos. Quando era criança foi ao cinema ver Rei Leão a primeira vez e se apaixonou por essa coisa de ver filmes. Mais velha viu um seriado chamado Clarissa e pronto, a paixão passou para seriados também. Foi tão forte que agora trabalha em uma finalizadora de filmes e programas de TV, mas o que gosta mesmo é de editar vídeos para Capitolina. Gorda e feminista desde criança também (apesar de só saber que é esse o nome há pouco tempo). Acha que a melhor banda do universo é Arcade Fire e pode ficar horas te convencendo disso. Em Hogwarts é 70% Corvinal e 30% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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