30 de julho de 2016 | Ano 3, Edição #28 | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Ei, você é a dona da sua história

Quantas vezes você já pensou na vontade de chegar aos 18 anos? Eu pensava muito nisso. A idade mágica. Quando tudo mudaria. Quando poderia fazer o que quisesse. Quando seria livre. Quando isso, quando aquilo. Parece que eu esperava atingir a maioridade para começar a viver. O negócio foi que percebi, anos depois, como pensar assim não estava certo. Não dá para esperar chegar lá na frente, dezoito anos depois de você ter gritado sua entrada nesse mundo, para fazer dele a sua casa.

Talvez me sentisse assim porque nunca, de fato, dei tempo a mim mesma para pensar no que crescer implicava. Eu estava tão mais focada no que viria lá na frente, naquele futuro distante e maravilhoso em que eu seria dona do meu nariz, que deixava de lado o que estava acontecendo comigo enquanto os anos iam se passando. Foi pensando nisso que eu comecei a refletir sobre o quão pouco consciente eu era lá atrás de que podia – e devia – tomar minhas próprias decisões. Afinal, não é preciso esperar quase duas décadas para achar que só a partir de então está autorizada a decidir.

Cada uma de nós é dona da própria vida, e temos autonomia para decidir sobre ela agora. Na adolescência, começamos a experimentar essa liberdade e nossa personalidade aparece mais. Pode ser difícil conciliar nossas vontades e ideias com as regras estabelecidas pela família ou com a expectativa das pessoas. Estabelecer um limite entre você e o que está posto como normal pode ser um pouco difícil, mas não abra mão de ser você. Busque se conhecer. Acredite que o que você tem a dizer importa sim, e busque maneiras de colocar no mundo as suas opiniões e impressões, aprenda a dialogar. Não aceite a explicação de que “é assim que tem que ser”. O que é bom para os outros pode não ser o que funciona para você.

Por vezes, eu deixei as decisões para depois. Acreditei na ideia de que outras pessoas sempre sabiam o que era melhor para mim. Eu não tinha pressa porque, quando chegasse naquele momento mágico do futuro, eu poderia, enfim, aparecer e tomar as rédeas da situação. Mas não é assim tão simples. Se você não está acostumada a se ouvir e a se perceber, vai ter um esforço dobrado lá na frente para recuperar o tempo perdido. Sem saber direito quem é e o que quer, pode parecer que qualquer coisa basta, mesmo que você saiba que não é bem assim.

Tomar consciência de que a gente tem direito de opinar e decidir sobre quem somos e seremos faz com que o mundo se abre para nós de uma outra maneira. É como se o enxergássemos através de janelas limpas pela primeira vez. Tira a gente da zona de conforto e mexe com a nossa segurança. Mas não tem problema: o erro faz parte do caminho. Permita-se passar pelas experiências. Não acredite em certezas absolutas. Dê-se a chance de mudar de opinião. Encare isso como parte do processo de amadurecimento. A beleza da vida está nisso também: aprendemos com tudo e, enquanto vamos aprendendo, aproveitamos para construir o nosso eu.

Reivindique a sua autonomia diariamente. Como o pedagogo Paulo Freire diz: “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém amadurece de repente, aos vinte e cinco anos. A gente amadurece todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser”. O que você quer ser quando crescer? Bem, entenda que desde sempre você tem o poder de tomar decisões que te ajudem a chegar lá.

A vida é nossa do começo ao fim. Cabe a nós, e a mais ninguém, vivê-la e lutar pelo que deseja. Ter autonomia para ser não te livra de obrigações, afinal, todos temos limites nessa vida. Procure, então, estar ciente das possibilidades e faça escolhas que você avalie adequadas para você. Pense sobre a pessoa que você está se tornando e não tenha medo, vergonha ou timidez de encontrar suas maneiras de aparecer no mundo.

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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