17 de agosto de 2016 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
Pokémon Go
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É verdade que Pokémon foi lançado nos anos 90, mais precisamente em 1996, antes de muitas de nossas leitoras terem nascido (queria ter a mesma sorte!). Só que Pokémon foi uma invenção linda maravilhosa e perfeita uma febre tão grande e tão única que até hoje são lançados jogos, episódios, mercadorias novas e ainda em 2016 tem uma legião de fãs absurdamente grande.
Se você nasceu em 2015 e não sabe do que eu tô falando, é disso: uma franquia japonesa chamada Pokémon, que reúne série, jogos, spin-offs e filmes. Basicamente é um mundo paralelo, cujas regiões são baseadas em localidades do nosso planeta, onde habitam bichinhos fofos ou nem-tão-fofos com poderes especiais. As pessoas podem criar esses Pokémon, tê-los como bichinhos de estimação e, principalmente, sair pelo mundo, caçando-os, batalhando, vencendo os chamados ginásios para colecionar suas medalhas (chamadas insígnias) para, por fim, se tornarem Mestres Pokémon. Esse é basicamente o objetivo do jogo.
Só que acontece que a maioria daquelas crianças que lá em 96 descobriram o Pokémon cresceram e pararam de se importar tanto assim com a franquia (eu, claramente, não fui uma delas). Quero dizer, essas pessoas ainda se importavam o suficiente para não terem perdido o carinho pelos Pokémon lançados na chamada “primeira geração”, mas pararam de acompanhar, de conhecer os Pokémon que foram lançados depois disso e etc.
Pensando nesse carinho tão especial… a Nintendo, empresa responsável pelos jogos, teve uma ideia brilhante que foi chamada de Pokémon Go. Todo mundo ouviu falar. Quem nasceu muito antes ou muito depois de 1996 e não teve a oportunidade de curtir tanto aquela febre viram uma oportunidade de se conectar com essa franquia tão carismática. Aquelas crianças de 1996 que cresceram viram uma oportunidade de amar os bichinhos fofos e os não-tão-fofos de novo. Aquelas crianças de 1996 que não cresceram viram uma oportunidade de colecionar Pokémon de uma forma mais vívida e realista, em que o mapa deixa de ser aquele fantasioso e inspirado no mundo real e passa a ser o próprio mundo real. Ou seja, conseguimos ver, pela câmera do celular, um Jiggly Puff na nossa cama, um Growlithe na rua de casa e um Pikachu na escola.


A grande sacada do Pokémon Go foi ser associado ao GPS do celular. Assim, saímos andando por aí procurando os bichinhos, vamos para o parque só para caçá-los e podemos até ter nossa aventura Pokémon junto com nossos amigos, o que era mais difícil quando a plataforma era somente o videogame.
E apesar de muita gente estar criticando essas pessoas que saem por aí olhando para o celular para procurar Pokémon, o jogo trouxe muitas coisas muito boas. Tem muita gente com depressão e ansiedade que está tendo força de vontade para sair de casa só para andar. Mesmo sendo no celular, as pessoas estão se comunicando – eu, por exemplo, um dia, saí da faculdade para caçar Pokémon com um amigo e acabamos fazendo uma nova amiga que não queria caçar Pokémon sozinha no centro de São Paulo à noite. O Pokémon Go está sendo usado para melhorar a vida de pessoas no hospital e de cachorros em abrigos. Então o que poderia ser apenas um joguinho bobo acabou se tornando uma nova onda de febre de Pokémon! E eu, que sou apaixonada pela franquia, não poderia estar mais feliz de ver todo mundo falando e voltando (ou começando) a se interessar pelo assunto.
O jogo ainda precisa de ajustes. A função “nearby” (que mostra os Pokémon que estariam próximos) ainda é um pouquinho fraca e não funciona tão bem. A interface também não é das mais bonitas e consome muita (eu disse MUITA) bateria. Mas, ainda assim, eu tenho achado um jogo muito legal, que se adapta às pessoas que querem só capturar Pokémon e àquelas que curtem a adrenalina das batalhas. Os gráficos dos Pokémon em si estão bem legais e é muito divertido. Além disso, temos os chamados PokéStops, que são em geral pontos turísticos, históricos ou artísticos da cidade, onde conseguimos pegar alguns itens. Assim, podemos também reparar em coisas que talvez não repararíamos sem o jogo, e ele acaba nos fazendo ter vontade de conhecer lugares diferentes.
Se você não conhecia ou parou de jogar Pokémon e por causa desse jogo novo está com vontade de conhecer mais, aqui vão alguns links legais:
Download de emuladores (são como se fossem “simuladores” das plataformas de games (essas plataformas são chamadas de consoles), como Nintendo 64, Game Boy, Nintendo 3DS, etc. É um bom começo se você quiser experimentar e ver se curte os jogos)
Download de ROMs. Se os emuladores funcionam como console, os ROMs funcionam como os cartuchos que contêm os jogos. Se você nunca jogou Pokémon antes eu recomendo jogar primeiro a primeira geração, por meio de um emulador de Game Boy Color, ou seja um entre estes três: Pokémon Blue, Red ou Yellow. Se o modelinho antigo te incomoda, você pode jogar a versão remake desses jogos, a Fire Red ou a Leaf Green, ambas para Nintendo DS.

Se você não gosta desse Squirtle charmosão, pode escolher a versão remake dele!

⦁ Se você já está um pouco mais avançadinha na arte de jogar Pokémon e curtir estratégias de batalha, você pode começar experimentando o Pokémon Showdown. É um simulador em que você consegue criar um time do jeito que quiser! Eu pretendo fazer um tutorial sobre isso em breve.

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

  • http://eugenero.blogspot.com Ronaldo Torres

    Adorei a defesa pela liberdade de uso do seu próprio celular… Há muito discurso careta sobre circulando em todos os ambientes que convivo sobre o Pokémon em tons de “superioridade” madura…
    Abraços.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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