1 de maio de 2017 | Ano 4, Edição #33 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
O futuro é agora: o ônus e o bônus de ser millennial
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O futuro é agora. Em 1989 estreava o segundo longa-metragem da trilogia de ficção científica “De Volta para o Futuro”. Desta vez, o jovem Marty McFly viaja por meio de uma máquina do tempo até o ano de 2015, com o intuito de resolver problemas familiares. Durante sua estadia no “futuro”, o protagonista se depara com uma série de inovações tecnológicas, tal como carros voadores e tênis que se amarram sozinhos.

Sem dúvida, as gerações passadas fizeram uma série de previsões e desejos para o início do século XXI. Algumas de suas expectativas eram tremendamente apocalípticas. Um exemplo é a repetição do ditado popular “de mil passará, de dois mil não passará” – frase atribuída a Jesus Cristo, referente à suposta chegada do fim do mundo junto com a virada para o ano 2000. Havia também a profecia maia de que o Planeta Terra teria seu fim em 2012 – essa chegou a virar mote para filme e tudo. Fato é que, apesar de todo o mal agouro, a raça humana sobreviveu à chegada do novo milênio e passou por grandes transformações, tanto no âmbito das tecnologias quanto no comportamento – curiosamente, a invenção da internet data do mesmo ano que o lançamento de “De volta para o futuro 2”.

Os principais herdeiros da revolução tecnológica são a geração nascida entre os anos 80 e 90, os chamados millennials. Conhecidos por seu engajamento em pautas das minorias e pelo uso em larga escala de aplicativos e sites de busca, os jovens ocidentais da atualidade não conhecem as mazelas da guerra – diferente dos baby boomers, nascidos entre os anos 40 e 60 – e estão acostumados ao descarte e atualização constante de seus bens de consumo. Eles também vivem uma era de maior abundância material e liberdade sexual, comparado às gerações anteriores. Simultaneamente, o número de pessoas com distúrbios mentais, tais como depressão e ansiedade, nunca foi tão grande. Seria a geração millennials um sonho? Ou um pesadelo, no estilo Black Mirror?

Chega ser irônico perceber que Bob Gale, ao roteirizar “De volta para o futuro 2”, não menciona a existência de smartphones ou qualquer coisa parecida. Consoante ao seu tempo, o escritor imaginou que nos anos 10 a comunicação seria feita através de televisões, por ligações “no estilo Skype”. Ledo engano! Segundo um estudo de 2014 feito pelo eMarketer, os Estados Unidos são o segundo país que mais consome smartphones, perdendo apenas para a China. O Brasil ocupa a sexta colocação no ranking. Vale ressaltar que, desde o ano passado, o brasileiro acessa a internet primordialmente através de telefones celulares, e não computadores do tipo notebook ou PC (computador pessoal).

O efeito desse cenário é a atenção cada dia mais difusa – o costume de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo –, por conta do fácil acesso à informação, através da internet. E “informação” é uma palavra-chave para se pensar o presente, pois, nesse momento, o mundo está afundado num excesso dela. No século passado, o ocidente conheceu a repressão de maneira escancarada. As ditaduras no Brasil, Chile e Argentina e a Guerra do Vietnã, são alguns exemplos de momentos historicamente marcantes nos quais não era permitido se exprimir e, caso acontecesse, haveria represálias. Porém, na atualidade, talvez a maior dificuldade esteja em filtrar o tanto de informação que se recebe e produz nas redes. Conseguir se concentrar e ter a tranquilidade de não ler sobre determinados assuntos em detrimento de outras ocupações que possam ser mais prazerosas são sabedorias preciosas. Na maioria das vezes, engana-se aquele que se comporta na contemporaneidade como se ainda estivéssemos sob um regime silenciador, semelhante ao que viveram as gerações das décadas de 30, 40, 50, 60 e 70.

Sendo assim, cada um sabe a dor e o prazer de ser o que é. Novas tecnologias, novas formas de viver, grandes benefícios e novas barreiras psicossociais para se ultrapassar: o ônus e o bônus de ser um jovem millennial.

Ayodele Gathoni
  • Colaboradora de Artes

Ayodele Gathoni tem uns 20 e poucos anos e mora no Rio de Janeiro. Gosta de ver desenho animado, rodar bambolê e confeccionar licores artesanais.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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