18 de agosto de 2017 | Ano 4, Saúde | Texto: and | Ilustração: Juliana Adlyn
Qual é a dessa tal de sífilis?

Você já deve ter ouvido falar de sífilis, né? Mas você sabe o que ela causa? Hoje vamos falar um pouquinho sobre essa doença que tem aumentado muito no Brasil nos últimos anos e explicar porquê você também deve se preocupar com ela.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível, ou seja, ela é transmitida principalmente através de relações sexuais desprotegidas, mas também pode ser passada da mãe para o bebê durante a gravidez ou no parto. A doença é causada por uma bactéria – chamada Treponema pallidum – e se não for tratada logo, pode causar sequelas graves em todo o corpo. Ela tem vários estágios na evolução, alternando períodos em que os sintomas aparecem e períodos em que a doença não se manifesta visivelmente. E justamente essas fases sem nenhum sintoma é que tornam a sífilis tão perigosa, já que as pessoas pensam que a infecção foi embora sozinha e não procuram tratamento.

Na primeira fase da doença, conhecida como sífilis primária, podem aparecer pequenas lesões geralmente na região genital, que não doem e que podem passar despercebidas. Essas lesões surgem de 10 a 90 dias após o contato sexual desprotegido e duram de duas a seis semanas, sumindo espontaneamente. Mas o desaparecimento das lesões não significa que a doença foi embora!

Depois dos primeiros sintomas vem um período de latência que pode durar até 2 meses. E aí novamente uma fase com sintomas: só que dessa vez aparecem manchas vermelhas pela pele (principalmente nas mãos e nos pés), gânglios aumentados e a pessoa se sente muito cansada, com dores pelo corpo. E se até então a doença continuou sem tratamento ela pode evoluir para sífilis terciária, que se manifesta geralmente muitos anos depois. Nesta fase já pode haver lesões em vários órgãos, incluindo o sistema nervoso central (neurosífilis) e deformações nos ossos e articulações. A esta altura a doença é bastante grave e algumas das alterações são irreversíveis.

Uma das grandes preocupações quando se fala de sífilis é a forma congênita, que é aquela em que a mulher grávida transmite para o seu feto. Os bebês infectados podem morrer ainda na gestação ou pouco depois do parto. Os que nascem com sífilis podem ter sequelas graves, incluindo surdez e retardo mental. O teste para diagnosticar a sífilis faz parte do pré-natal, mas infelizmente um grande número de mulheres não tem acesso ou não fazem esse acompanhamento durante a gravidez, e a doença pode passar despercebida.

Mas por que, apesar de tanto conhecimento sobre a doença, os casos vêm aumentando no Brasil? Esta pergunta tem mais de uma resposta. A primeira delas é que as pessoas parecem estar menos preocupadas com proteção no sexo e não estão mais usando camisinha nas relações, principalmente as mais jovens. Mas a queda no uso de preservativo não é a única causa para tantos novos casos.

Para piorar as coisas, o principal medicamento usado para tratar a sífilis, a penicilina benzatina (o famoso Benzetacil), foi suspenso recentemente em todo o Brasil e corre o risco de parar de ser fabricado definitivamente. O tratamento da doença em fases iniciais é muito barato e simples: com uma dose única de Benzetacil já se resolve. Só que justamente por ser um remédio muito barato, e que, portanto, não gera tanto lucro, a indústria farmacêutica não tem interesse em produzir. Sem a penicilina benzatina, o combate à epidemia de sífilis fica muito mais difícil! Como alternativa, são usados outros esquemas de antibióticos e a aderência a esses tratamentos pode ser muito baixa, principalmente pelos parceiros. E se o parceiro sexual não faz o tratamento corretamente, a pessoa se contamina de novo e o ciclo da doença se perpetua: a cura nunca é atingida e o problema nunca se resolve.

Sabendo de tudo isso, é muito absurdo que a gente esteja deixando crescer uma doença que pode fazer tanto estrago e que é tão fácil de evitar, né? Então se você ficou na dúvida ou se identificou com algum dos sintomas que a gente falou aqui, é muito importante buscar atendimento de um profissional de saúde. Não precisa ter medo, nem vergonha. E sempre vale lembrar que a melhor estratégia é a prevenção, por isso a gente nunca deve dispensar o preservativo em nenhuma relação (mesmo que você só transe com pessoas lindas e cheirosas, afinal quem vê cara não vê sorologia!).

Mariana Fonseca
  • Coordenadora de Saúde
  • Colaboradora de Literatura e do Leitura das Minas

Mariana tem 25 e se formou em medicina. Carioca, ama viver no Rio de Janeiro, mas sonha em voltar para a Escócia. É feminista deboísta e acredita que todo mundo merece chá.

Ana Carolina Souza
  • Colaboradora de Ciências e Tecnomania
  • Colaboradora de Saúde

Ana Carolina tem 25 anos e é médica formada pela UFRJ. Atualmente faz doutorado na mesma universidade na área de Cardiologia. Ama tudo (tudo mesmo!) relacionado à ciência e sonha em se dedicar e incentivar a pesquisa no país.

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