29 de dezembro de 2017 | Saúde | Texto: | Ilustração: Kethlenn Oliveira
O que faz uma Médica Pesquisadora?
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Algumas pessoas sabem desde muito pequenas o que querem fazer quando se tornarem adultas. No meu caso, não foi exatamente assim. Apesar de sempre ter gostado da matéria de ciências, eu nunca havia pensado em ser médica. Durante o ensino médio, a minha paixão pela física, química e biologia se tornou maior e eu vi na Medicina uma possibilidade de trabalhar com pesquisa e contribuir para a ciência. Não foi uma decisão simples, mas definitivamente foi a melhor que eu poderia ter feito.

Durante a faculdade, fiz iniciação científica em um laboratório de pesquisa básica com animais e aprendi muito sobre esse universo gigante. Apesar de gostar, a rotina da faculdade não me permitia muitos horários livres e eu não conseguia frequentar o laboratório como gostaria. Depois de um intercâmbio nos Estados Unidos durante a faculdade, eu conclui que realmente a pesquisa era o caminho que eu queria trilhar. Além de me mostrar a rotina de pesquisa na prática, pude conhecer uma realidade e uma perspectiva completamente diferente para os pesquisadores.

Logo após voltar, comecei a trabalhar com um grupo de pesquisa na minha universidade, na área de imagem cardiovascular. Basicamente, estudamos exames de imagem para avaliar o coração e como obstruções nas artérias coronarianas podem diminuir a chegada de sangue ao músculo cardíaco. Para isso, usamos um material que emite radiação, a qual é captada por um equipamento específico. Esse exame pode nos ajudar no diagnóstico de alterações do coração.

As áreas de pesquisa são inúmeras e existem muitas opções para entrar nesse campo. A forma mais comum é a pós-graduação, sob a forma de mestrado e doutorado oferecidos por universidades e institutos de pesquisa. Em muitos casos, a pós-graduação é uma porta de entrada para a vida acadêmica e seus alunos permanecem como pesquisadores ou professores em instituições de ensino superior.

Ser cientista no Brasil não tem sido uma tarefa simples. Temos que lidar com a redução de investimentos, corte de bolsas e sucateamento das instituições, além da falta de valorização da profissão. Apesar de todas essas dificuldades, é muito recompensador contribuir com a ciência nacional e com nossos cientistas, que são definitivamente o que temos de melhor. A minha rotina como médica que faz pesquisa envolve tanto as aulas do doutorado na universidade duas ou três vezes na semana e nos outros horários, quanto o trabalho realizando o projeto, que envolve conversar com os pacientes, realizar exames e analisar as imagens do coração.

A rotina como pesquisadora é ao mesmo tempo muito estimulante e cansativa. Quando somos guiados pela curiosidade em relação a um determinado assunto, nos sentimos motivados a encontrar os meios de responder nossa pergunta. Apesar das descobertas super legais que vemos na TV ou lemos nos jornais, o dia-a-dia de um cientista é bastante exaustivo e demanda muita organização, empenho e foco para que a resposta encontrada realmente responda a pergunta de forma correta.

Nosso país vive um momento bastante difícil para a ciência, mas com a valorização do trabalho feito em território nacional e com a mobilização dos cientistas e da população em geral, podemos reencontrar o caminho para o desenvolvimento de pesquisas fortes e capazes de mudar o mundo que conhecemos hoje!

Ana Carolina Souza
  • Colaboradora de Ciências e Tecnomania
  • Colaboradora de Saúde

Ana Carolina tem 25 anos e é médica formada pela UFRJ. Atualmente faz doutorado na mesma universidade na área de Cardiologia. Ama tudo (tudo mesmo!) relacionado à ciência e sonha em se dedicar e incentivar a pesquisa no país.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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