12 de janeiro de 2018 | Colunas, Saúde | Texto: | Ilustração: Kethlenn Oliveira
To com corrimento – e agora?
corrimentos-vaginais

No dia a dia, é bem comum a gente encontrar a calcinha meio sujinha com um corrimento transparente ou esbranquiçado, né? Na maioria das vezes esse corrimento é só a secreção fisiológica da nossa vagina, o que é totalmente normal – pode estar um pouco aumentada em algumas situações como a proximidade da menstruação, por exemplo. Mas às vezes o corrimento pode ficar meio esquisito ou vir acompanhado de alguns outros sintomas chatos. Nesses casos pode ser necessário fazer algum tratamento.

Se o corrimento for meio branco-acinzentado e tiver um cheirinho ruim pode ser uma vaginose bacteriana, que acontece quando rola proliferação da bactéria Gardnerella vaginalis. Se tiver um aspecto de leite coalhado e for acompanhado de muita coceira ou incômodo durante as relações sexuais, pode ser a famosa candidíase, causada pelo fungo Candida albicans.

Tanto a Candida quanto a Gardnerella são germes que podem viver normalmente na nossa flora vaginal e só causam problemas quando, por algum motivo, há um desequilíbrio dessa flora e a sua proliferação aumenta. Nem a candidíase e nem a vaginose bacteriana são consideradas infecções sexualmente transmissíveis. Então, se você encontrar algum dos dois no resultado do seu preventivo mas não estiver sentindo nada, não precisa se preocupar porque nenhum tratamento é necessário*.

Existem alguns cuidados que podemos tomar para evitar que esses germes proliferem e causem essas irritações. Fungos gostam de locais quentinhos e escuros pra crescer, então quanto mais a gente deixa a nossa vagina abafada, pior. É sempre bom usar calcinha de algodão e evitar as de material sintético. Lavar as calcinhas e deixar secando no sol, e não penduradas no banheiro. No verão, devemos evitar ficar muitas horas de calça jeans. Dormir sem calcinha e, se possível, usar vestidos e saias sem calcinha em casa ajudam bastante a ventilar a área. Outra dica importante é passar longe daqueles protetores diários porque eles abafam e favorecem a proliferação de bactérias – só protegem a calcinha mesmo. Sabonetes íntimos e duchas também não são muito legais porque podem alterar o pH da vagina e favorecer o desequilíbrio da flora, além de irritar a mucosa. O ideal é sempre lavar só a parte externa da vulva e só usar água mesmo.

Existe uma outra infecção que precisa de atenção chamada tricomoníase. O corrimento nesse caso é amarelado ou amarelo-esverdeado, pode ter bolhas, e tem um cheiro bem forte e desagradável. Pode ser acompanhado de coceira, dor nas relações sexuais e dor para urinar. Ele é causado pelo protozoário Trichomonas vaginallis e é uma doença sexualmente transmissível – ou seja, para evitar é fundamental usar camisinha! Se o resultado do seu preventivo vier com Trichomonas, mesmo que você não tenha sintomas, é necessário tratar. E se você for diagnosticada com tricomoníase, é importante fazer exames para rastreio de outras DSTs e levar seu/sua parceiro(a) ao médico para que ele ou ela também receba tratamento.

É fundamental que a gente conheça o nosso corpo e saiba como ele se comporta normalmente. Nossa menstruação não é azulzinha como no comercial de absorvente e nossa vagina não tem cheiro de rosas campestres. Temos que conhecer nossos cheiros e texturas naturais – só assim é que vamos saber quando algo não vai bem. Nossa vagina precisa de atenção e cuidado para estar sempre saudável, assim como todo o resto do corpo. Se você ficar na dúvida e achar que alguma coisa está esquisita, procure seu médico.

 

*OBS MUITO IMPORTANTE: O exame preventivo (o teste de Papanicolau) é importantíssimo para o rastreio de câncer de colo de útero mas só deve ser realizado em mulheres com 25 anos ou mais (e que já tenham tido relações sexuais!). De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, o rastreio começa aos 25 e nos primeiros anos deve ser feito anualmente, mas com dois resultados normais a repetição é só de três em três anos. Então, se você tem menos de 25 ou nunca teve relação sexual com ninguém NÃO PRECISA COLHER PREVENTIVO.

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Mariana Fonseca
  • Coordenadora de Saúde
  • Colaboradora de Literatura e do Leitura das Minas

Mariana tem 25 e se formou em medicina. Carioca, ama viver no Rio de Janeiro, mas sonha em voltar para a Escócia. É feminista deboísta e acredita que todo mundo merece chá.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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