25 de janeiro de 2019 | Ano 4, Saúde | Texto: | Ilustração: Kethlenn Oliveira
Você já ouviu a palavra do DIU hoje?

A gente já falou por aqui sobre os riscos e benefícios dos anticonceptivos orais (a famosa pílula). Hoje vamos conversar sobre um outro método: o dispositivo intrauterino ou, simplesmente, DIU. Não faltam boatos e lendas sobre o DIU circulando por aí, então vamos esclarecer alguns pontos.

Existem basicamente dois tipos principais de DIU: o de cobre e o hormonal. Ambos são colocados da mesma forma – através do canal endocervical – e ficam implantados na cavidade uterina. Nenhum dos dois é considerado um método abortivo.

O primeiro é um dispositivo de polietileno com revestimento de cobre. Ele não tem hormônios na sua composição, então não tem os efeitos colaterais que os métodos hormonais podem ter (não engorda, não piora acne, não aumenta chance de trombose ou câncer ginecológico, etc). Como efeitos adversos, ele pode apenas aumentar o fluxo durante a menstruação e as cólicas. Mas em geral esses efeitos são transitórios e duram apenas cerca de 3 meses. Também é comum que no primeiro mês haja um pouco de dor, conforme o útero se contrai para se ajustar à presença do DIU. Ele tem duração de 10 anos e sua eficácia é de 99,2%.

O DIU de cobre pode ser usado desde a adolescência até a menopausa. Pode ser usado seguramente por mulheres que nunca engravidaram. Ele também não interfere no aleitamento, podendo ser usado por mulheres que estão amamentando. Outra grande vantagem é que ele não altera a fertilidade em nada – caso a mulher queira engravidar, basta remover o DIU e pronto!

Há muito poucas contra-indicações para o seu uso, como por exemplo mulheres que estejam com doença inflamatória pélvica no momento ou miomas que distorçam a cavidade uterina. Caso a mulher contraia uma infecção sexualmente transmissível (como gonorréia ou clamídia) a presença do DIU pode aumentar a chance da infecção “subir” para o útero e as trompas – por isso, mesmo com o DIU, é fundamental usar sempre camisinha nas relações! O risco relativo de gravidez tubária é maior: isso não significa que o DIU aumenta as suas chances de ter uma gravidez ectópica em relação à população em geral, mas caso você seja muito azarada e seja um dos 0,8% que engravidam com o DIU, as chances de ter uma gravidez ectópica são maiores.

O DIU hormonal, mais conhecido pelo nome comercial Mirena, tem uma eficácia ligeiramente maior (99,8%). Ele tem um revestimento de levonorgestrel (um derivado da progesterona) que causa uma diminuição do endométrio (a parte interna do útero, que descama quando menstruamos) e por isso geralmente faz com que a mulher pare de menstruar. Ele é indicado no caso de quem tem menstruação com fluxo muito intenso, por exemplo. Além disso, ele atua deixando o muco mais espesso na abertura do colo, o que dificulta a passagem de espermatozóides. Assim como o DIU de cobre, o Mirena também é seguro para uso durante o aleitamento. Mas sua duração é mais curta: apenas 3 a 5 anos.

No Brasil, está disponível na rede pública apenas o DIU TCu 380 (DIU de cobre). Ele pode ser colocado gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde, por exemplo. Converse com seu médico e descubra qual o método contraceptivo funciona melhor pra você!

Mariana Fonseca
  • Coordenadora de Saúde
  • Colaboradora de Literatura e do Leitura das Minas

Mariana tem 25 e se formou em medicina. Carioca, ama viver no Rio de Janeiro, mas sonha em voltar para a Escócia. É feminista deboísta e acredita que todo mundo merece chá.

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