4 de dezembro de 2015 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
4 dicas para um natal sustentável

Tenho certeza de que você consegue se transportar para essa cena, independentemente de onde more no Brasil: a rua lotada, o calor escaldante, uma música alta tocando nas caixas de som, crianças se pendurando em mães e pais carregados de sacolas. Todo mundo que aproveitar aquela promoção de natal para que ninguém fique sem presente, e muitas vezes acaba comprando muita coisa por impulso (afinal, 70% de desconto não é todo dia).

Mas agora vamos dar as mãos e pensar: quanto custa um metro de tecido para fazer uma camisa jeans? Em uma rápida pesquisa, achei o metro do brim por 14,90 reais. Portanto, para uma peça que leva 2,5 de tecido custa 37,25 reais só de material. Adiciona 30% da mão de obra. Só para a confecção de uma camisa jeans custa 48,41 reais, sem contar aviamentos, linhas, botões etc. Quando chega na loja, ela precisa ser vendida a um preço maior, já que a dona da loja precisa lucrar, pagar funcionários, custos, transporte etc. Portanto, quando você compra uma camisa que deveria custar no mínimo 70 reais por 50, significa que alguém não está recebendo pelo que trabalho que fez. E geralmente essas pessoas são as que fazem o produto com as próprias mãos, que coletam a matéria prima, pessoas essas pobres, muitas vezes imigrantes, que trabalham 14 horas por dia para alimentar as araras de confecções trilhonárias. O barato pode sair caro, mesmo que não seja pra você. Pra quem ainda não assistiu, recomendo este documentário aqui.

Com esse pensamento, é importante nós pesarmos a importância das coisas #meçasuasprioridadesparça. É melhor dar um presente para cada pessoa que você conhece e continuar fazendo com que essa cadeia de exploração continue, ou pensar com carinho em onde, como e por que comprar para que o natal de todo mundo seja um pouquinho mais feliz? Eu acho a opção dois mais legalzinha, então o tutorial de hoje vai ser ~diferente~. Em vez de ensinar a fazer algo, fiz um passo a passo mais conceitual.

Então vamos arregaçar as manguinhas e colocar essas ideias bonitas na prática. Mas Bottini, como eu começo?

Primeira dica: vamos pensar no porquê de se dar presentes de natal a alguém. Você tem certeza de que a pessoa vai gostar do que você vai dar? Ela é muito importante na sua vida? Ela vai cair dura no chão se não ganhar um bibelô de esquilo? Muito me incomoda a obrigação de se forçar a pensar em algo para presentear alguém, com a justificativa de que “tem que dar ou fica chato”. Olha, não fica não. Muitas vezes a pessoa nem quer o que você vai dar, e o seu suado dinheirinho vai se materializar em uma coisa inútil. Eu passo. Então, antes de pensar em presentes, escolha com bastante carinho o destinatário deles.

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Segunda: a escolha do presente em si! Eu sou muito a favor de dar presentes úteis, que tenham a ver com o dia-a-dia da pessoa. Dar uma caneta caríssima à sua irmã, que curte natureza e ficar na praia, talvez não faça muito sentido. Mas dar uma malha fofinha a uma pessoa que está de mudança para o sul e vai precisar de roupas mais quentinhas vai demonstrar que você se preocupa com o bem-estar dela, e você será lembrada toda vez que a blusa for usada. Se você não tiver certeza sobre a rotina da pessoa, acho válido ainda dar um presente que tenha a sua cara – que tal um livro da Capitolina? Um cartão feito em casa?

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Terceira: como fazer/onde comprar o presente. Eu sou defensora assídua dos brechós, principalmente aqueles que vendem algo mais do que roupas! O Unibes, no Bom Retiro (São Paulo), a Casa Vicentina (Jundiaí), a feirinha do Bixiga (São Paulo) vendem móveis, objetos de decoração, brinquedos, livros… No Rio tem o CELPI, que abre às quartas na Marquês de Olinda, em Botafogo, e você também pode perguntar nas Igrejas da sua cidade – muitas delas têm bazar. Uma fonte incrível de presentes exclusivos a um preço fantástico. Um quadrinho em ponto cruz sai por uns R$ 5,00, um livro antiguinho sai por R$ 3,00. Dá também para comprar bolsas, sapatos, bijuterias, chapéus. São muitas as possibilidades! E não podemos esquecer dos presentes caseiros, que podem ser desde um brownie gostoso em uma caixinha bonita, uma camiseta personalizada, ímãs feitos com temas de interesse da amiga, almofadas ou travesseiros com a música preferida da pessoa, um prisma mágico alucricrazy. Enfim, você pode encontrar várias ideias legais aqui na sessão de FVM & Culinária da revista!

Quarta: por fim, bolar uma embalagem bem lindinha! Eu gosto de coisas enroladas em fitas de cetim, que nem filme da Disney (evita a fadiga de embrulhar com papel e colar a testa com durex). É simples e jeitoso! Agora, se você for uma mestra jedi do origami, pode fazer um furoshiki (método japonês de embrulhar objetos com tecido, tipo Sakura Card Captors ou mesmo comprar um papel de découpage bem lindo e dobrar em volta do presente. Ou você pode ser ninja que nem essa pessoa aqui:

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Não se esqueça de fazer tudo com muito carinho, passando boas energias e amor em todas as etapas. Se uma pessoa vale o esforço de um presente de natal, dedique um pouco do seu tempo a isso e contribua para um natal bem colorido e mais justo para as pessoas!

Nicole Ranieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Vlogger

Nicole é Paulista de 22 anos, mas mora em todos os lugares e pertence a lugar nenhum. Estuda administração com foco em exportação mas é gente boa, não gosta de tomate mas é uma pessoa do bem, curte uma coisinha mal feita e não recusa jamais uma xicara de chá verde. Se fosse uma pizza, Nicole seria meia espinafre, meia cogumelo.

  • julie

    No segundo parágrafo você recomendou um documentário mas não tem link nenhum aparecendo ali :v

    • luizavilela

      opa, comemos mosca mesmo, obrigada! já está lá, mas deixo o link aqui também: http://truecostmovie.com/

      • julie

        oba, obrigada! 😀

  • Patricia Cunha

    Gente, a Nico já se mudou! Atualiza a informação delazinha pra casinha nova em Viena! <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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