13 de novembro de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
5 artistas contemporâneas que amamos

Ilustração por Gabriela Sakata

Texto por Mariana Paraizo.

Ilustração por Gabriela Sakata

Arte contemporânea é não é muito bem definida na história da arte. Sabemos que é a período que vem depois da arte moderna, no século XX. Alguns consideram que a arte contemporânea tenha começado após o término da Segunda Guerra Mundial. É um período rico de mídias e meios diversos – podemos produzir algo aqui no Brasil, hoje e já mostrar para o mundo inteiro por meio da internet. Mas mesmo assim, com essa proximidade causada pela tecnologia, a variedade da arte contemporânea pode nos deixar um pouco desnorteadas – são tantos artistas! Na Capitolina, já falamos de várias artistas, mas resolvemos apresentar 5 artistas contemporâneas que curtimos e queremos saber quem são as favoritas de vocês, também!

1.KARA WALKER

Kara Walker nasceu na Califórnia, nos Estados Unidos, em 1969. Os temas do seu trabalho são sempre em torno de poder, racismo e gênero. Ela é mais conhecida pelo trabalho narrativo que fez chamado “Testimony: Narrative of a Negress Burdened by Good Intentions” (2004) ou “Darkytown Rebellion” (2000). Em ambos, ela utiliza siluetas  para criar ambientes e contar histórias – algumas fantasiosas e outras reais.

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Fonte: http://whitney.org/www/karawalker/

Nesse ano, Walker fez uma enorme escultura de açúcar, “Marvelous Sugar Baby” dentro de uma antiga fábrica. A escultura é de um comentário sobre os anos em que negros foram escravizados e forçados a trabalhar em campos de cana de açúcar e dentro dessa fábrica, onde essa escultura foi montada, em um passado recente.

Esse vídeo explica um pouco como foi a montagem desse trabalho.  

 

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Fonte: http://creativetime.org/projects/karawalker/

2. SOPHIE CALLE:

Conhecida como a artista que mandou o e-mail de rompimento de seu ex-namorado para todos os seus conhecidos e resolveu fazer um trabalho de arte com ele. Trabalha com fotografia, vídeo, textos e performance. Seus trabalhos mais famosos são os que quebram a barreira entre o particular e o público: ela já perseguiu desconhecidos nas ruas fotografando-os; já pediu para sua mãe contratar um detetive para perseguí-la; já convidou pessoas ao acaso para dormir em sua cama e gravou-as ocupando o espaço sem que houvesse um intervalo sem ninguém deitado, etc. Os trabalhos de Sophie, apesar de serem contemporâneos, são adeptos da narrativa – os textos sobre as experiências vividas pela artista sempre acompanham a imagem. Mais do que um narcisismo sem sentido, o que intriga na obra de Sophie é a autenticidade de seus testemunhos. Será que é tudo verdade? E se não for, até que ponto o eu lírico é uma farsa?

 

AS DUAS LYGIAS

 

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  1. LYGIA CLARK

A Lygia Clark nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1920.  Ela se chamava de não-artista, mas foi uma enorme contribuição para a arte brasileira.  Nos anos 50, fez parte de um importante movimento construtivo da arte brasileira – o Grupo Frente, formado no Rio de Janeiro, que queria romper com as formas tradicionais e traçar novos caminhos  (junto com a Lygia Pape). Outro movimento importante que participa, a essa altura já com reconhecimento internacional, é o Grupo Neoconcreto. Nesse momento, ela troca as pinturas por esculturas e objetos tridimensionais. O fruto disso são as esculturas que mais curto dela: Bichos (1960), que são esculturas feitas por placas de metal polido unidas por dobradiças, que permitem articulação.

 

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Ela também faz trabalhos que envolvem a participação do público, como “A casa é o corpo: penetração, ovulação, germinação, expulsão” (1968) e “Roupa-Corpo-Roupa: O Eu e o Tu” (1967).  As interações são sensoriais: requer a interação do participante com a obra e as vezes com os outros participantes. Ora essas interações são performances, ora são abertas ao público. Acho tão inovador e complexo que indico o video “O Mundo de Lygia Clark”.

 

  1. LYGIA PAPE

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Lygia Pape não só fez parte de um movimento de vanguarda do Brasil, o neoconcretismo –  que só existiu no Brasil e surgiu no Rio de Janeiro, reagindo ao concretismo ortodoxo paulistano-, como trabalhou nos mais diversos suportes: gravuras, livros-poema, objetos, ações, esculturas, instalações, além de trabalhar com cinema, fazendo cartazes, roteiro, montagem e direção, além de ampla produção de cinema autoral, trabalhando com equipamentos de 35mm , 16mm e super 8. Quer mais? Ela não podia ficar fora desta lista.

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Possui uma obra extensa e rica, predominantemente abstrata geométrica. Inclusive, sabe as antigas embalagens dos biscoitos Piraquê? Quem fez foi a Pape.  Uma das suas obras de maior destaque foi o balé neoconcreto. No teatro do hotel Copacabana Palace, um grupo de dançarinos se movia na coreografia ao som de uma música de duas notas só, mas o público só via formas geométricas. Pape os fez dançarem dentro de cilindros e paralelogramos completamente fechados com rodinhas no chão. Se isso não for ousadia, imagina se fosse.

rc85. NAN GOLDIN

Conheci Nan Goldin na exposição Elles do CCBB Rio e fiquei incrivelmente tocada pelo seu vídeo da intimidade de casais, héteros e homossexuais, com filhos ou sem. Ao som de Björk, fui ficando arrepiada, era tudo muito sincero e real. Descobri depois que eram casais verdadeiros. Assim é o trabalho de Nan: desde que foi apresentada à fotografia aos 15 anos, começou a se infiltrar nos nichos mais underground, fotografando prostitutas, comunidades gays e transexuais, o cenário pós-punk de nova york, etc. Seu trabalho exibe temas delicados como o abuso de drogas, violência doméstica, sexo explícito, morte,… Muitos dos rostos que vemos em suas fotos são de amigos da fotógrafa, ainda em outras vezes podemos ver a própria fotógrafa em sua vida pessoal sendo retratada. Nan Goldin fala que seu trabalho nasceu da vontade que tinha desde pequena de retratar a realidade, pois ela sentia que o que via na tv era muito distante da vida real. Desde então, sempre carrega uma câmera consigo para fotografar todos os aspectos de sua vida (para nossa felicidade).

 

Mariana Paraizo é colaboradora de Artes e ilustradora. Mazô, vim de um planeta onde copos não precisam ser lavados e roubar balas no supermercado não é errado. Estou constantemente viajando em mim mesma e nos meus desenhos. Gosto de cantar, mas o que eu decidi gostar mais foi de quadrinhos. Por isso, a maior parte do meu dinheiro em 2013 foi vertido em livros.
Site / blog / tumblr: https://mazotopia.tumblr.com
Facebook: https://www.facebook.com/xmaz0x

  • Arabella ?

    Meu deus, que post lindo!
    *anotando todos os nomes para pesquisar mair*

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