13 de junho de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Bárbara Fernandes
5 passos para o flerte certeiro

Até parece, né, gente, que vamos dar um manual de como flertar aqui na Capitolina. Até porque como ser certeira no mundo de dúvidas que é a paquera? A pretensão aqui é só tentar dar uma luz nesse mar de águas turvas com algumas dicas no final. Claro que aqui vale a regra de que ninguém é obrigada, então se você não está a fim de flertar e de pegação: não existe nenhum problema e não há nada de errado em você.

Vale também lembrar que vivemos num mundo onde já temos regras suficientes sendo cagadas para nós todos os dias. E que, no final das contas, quem sabe melhor da sua vida é você mesma.

Para que serve essa coisa de flerte?

Vamos começar do começo. O que é flertar? Qual o objetivo disso? Bom, o flerte serve pra mostrar pro mino ou pra mina que a gente tá a fim de ficar/ pegar/ beijar/ transar/ namorar/ casar/ ter dois filhos e um cachorro (qualquer um desses e não necessariamente nessa ordem). É uma forma de mostrar interesse afetivo/ sentimental/ romântico/ sexual/ pegacional por alguém.

É superconfuso

Falando assim parece até fácil, mas não é. E, bom, o mundo das relações com outros seres humanos é confuso. Complicado mesmo, porque é sobre interpretar sinais, que são dúbios de propósito. Isso é uma grande coisa sobre flerte – e que deixa tudo um pouco mais difícil: como é um momento de aproximação e de ver se a pessoa gosta de você de volta, é tudo meio por baixo dos panos. Pode não ser a hora de se declarar, porque não sabemos como a pessoa vai reagir, e às vezes nem sabemos o que queremos com aquela pessoa, mas sabemos que é alguma coisa. Fica difícil se comunicar quando ninguém sabe direito o que tá acontecendo.

Não é nem um pouco fácil se mostrar interessada sem saber se a outra pessoa também tá, e depois conseguir interpretar se a outra pessoa está correspondendo a esse interesse, se a gente está demonstrando interesse de uma forma interessante, se a pessoa tá entendendo o que estamos fazendo. É um mundo de sinais bem complexos, que podem querer dizer tudo e nada ao mesmo tempo, e eu tenho a suspeita de que, na real, ninguém sabe direito o que tá fazendo.

Eu tendo a achar que existe um momento onde você e a pessoa de seu interesse entendem que está rolando um flerte e que vai rolar alguma coisa, um momento de clareza, quando todo mundo já sabe o que está rolando. Mas talvez seja uma interpretação otimista. Quantas histórias você já ouviu de pessoas que obviamente se curtiam e nada aconteceu? Pois é.

A gente não vive numa comédia romântica onde as pessoas adivinham o que as outras estão pensando, fazem grandes gestos, se jogam e sempre se dão bem no final. A gente vive no mundo onde podemos não ser correspondidas e temos medo de rejeição.

E o medo de quebrar a cara?

Um dos motivos pra azaração ser tão difícil é o nível de sutileza dos sinais. É tudo feito de forma muito pouco clara. Minha interpretação disso é que estamos todos morrendo de medo de quebrar a cara, de sermos rejeitados; não posso parecer interessada demais, porque se a outra pessoa não corresponder posso dizer que nada a ver, que eu também não queria nada.

A gente pensa assim: eu estou a fim de x. Existem duas opções: x pode estar a fim de mim também ou x pode não estar. A segunda opção é paralisante, não posso mostrar de forma muito direta meu sentimento porque ele pode não ser correspondido. Bom, tanto faz, porque podemos ser superdiscretas e indiretas e, mesmo assim, não sermos correspondidas. Não ser correspondida, a pessoa gostar de outra pessoa, isso pode rolar? Não só pode como isso vai rolar, provavelmente várias vezes, e não é tão ruim assim. Não é o fim do mundo, daqui a pouco você vai gostar de outra pessoa, e com certeza você também já não gostou de alguém que gostou de você.

Eu gosto de pensar que é sempre melhor tentar, que quebrar a cara é bom e que vai acontecer com todo mundo em algum ponto da vida, mas também não juro para vocês que sempre sigo meus próprios conselhos.

Meninas não devem ter medo de dar o primeiro passo

Existe esse mito, babaca até não poder mais, de que as meninas não devem dar o primeiro passo e se mostrar interessadas, que devemos ser passivas no mundo dos relacionamentos, que temos que esperar o cara ligar, esperar ele chamar a gente pra sair. MIGAS, NÃO!!!

Nós também somos sujeitos desejantes, não somos só objeto de desejo dos outros, a gente também pode tomar iniciativa!

Tomar iniciativa não vai fazer de você piranha, nem vulgar nem nada do tipo. Vai fazer de você uma pessoa que corre atrás do que quer. Até porque, já estamos em 2015, e já deu dessa coisa de que mulher não pode ficar com muita gente, que é feio isso, que mina que pega quem quer é piranha (se pegar quem quer é ser piranha, tomara que sejamos todas piranhas então). Nosso valor não é medido em quantas pessoas a gente já ficou, isso não quer dizer ABSOLUTAMENTE nada sobre a gente, e se alguém te falar que você não vale nada porque você já ficou com muitas pessoas, ou então se um cara não quiser sair com você porque a iniciativa foi sua, MANDA ESSA GALERA IR CATAR COQUINHO. É sempre melhor se livrar dos idiotas logo.

Dicas de como flertar

Agora é a hora que estávamos todos esperando! Com a ajuda imprescindível da equipe Capitolina, eu compilei algumas formas de paquerar. Isso aqui são só algumas formas hegemônicas de fazer a coisa, criatividade também conta muito e não vivemos num manual de regras de etiqueta onde temos que seguir passos específicos. Aqui vale a belíssima regra: não faça nada que você não se sinta confortável.

Tocar

Uma boa forma de mostrar interesse em alguém é tocar nessa pessoa: quando ela contar aquela piada, ria e toque no braço, prolongue um pouco esse toque talvez. Estão sentados um do lado do outro? Que tal uma mão no joelho durante a conversa?

Flerte multimídia

Nesse mundo maravilhoso da internet e das redes sociais, tem essa modalidade de flerte que eu gosto de chamar de “flerte multimídia”, que é basicamente mandar algum link interessante, uma música que você gosta, um trailer de um filme ou uma foto qualquer para a pessoa que estamos interessadas. É uma ótima forma de puxar assunto.

Outra dimensão do flerte multimídia é curtir. Curte a foto de perfil, dá coração no instagram, manda o snapchat. É um jeito de ir se aproximando da pessoa.

Nas redes sociais existe ainda uma outra ferramenta importantíssima para o flerte. As carinhas e emoticons. Eu, particularmente, acho carinha uma coisa tosca, mas é uma forma bem hegemônica de mostrar interesse. Existe uma grande diferença entre “olha que legal esse filme que vai rolar” e “olha que legal esse filme que vai rolar ;)”. Carinhas são superflertativas.

Olhar triangulado

Esse ~truque~ do flerte é pra quando a coisa já está praticamente acontecendo. Não dá pra fazer o olhar triangulado do nada, essa técnica é pra quando só falta o beijo.

Como faz? Você olha nos olhos da pessoa, depois olha pra boca e de novo para os olhos dela (tentei no espelho e fiquei vesga, mas me juraram que funciona). O quarto passo é dar um sorrisinho, mas nem precisa, porque você já vai estar beijando nesse momento.

“Eu sei o jeito que você olha pra mim”

Essa dica é pras minas menos tímidas, porque requer bastante confiança. Assim como o olhar triangulado, você já precisa ter praticamente 100% de certeza de que a mina ou o boy tão a fim de você de volta — digo “praticamente” porque é impossível ter 100% de certeza. Vocês tão conversando, pertinho, já rolou mão no joelho ou um carinho na orelha, você vira, olha no olhos, rosto sério e diz: “Eu já vi como você olha pra mim”, e TCHARAM!, pegação.

Não pira, fica na moral

Essa é uma lição muito difícil sobre o flerte. E é uma lição que podemos levar pra outras áreas das nossas vidas também. Algo que eu chamo de “ficar neném”. Mas no que consiste ficar neném? Ficar neném consiste em não ficar pensando em tudo que pode vir a acontecer no mundo e na vida, é ir aos poucos, um passo de cada vez – baby steps —, ficar na moral, calma, sem ficar projetando o futuro.

Mais fácil falar do que fazer, um esforço bem grande, mas pra mim é realmente a melhor dica que posso dar. Acho que é a melhor dica que eu posso dar pra vida, pra tudo, ir aos poucos, resolver só o que temos concretamente que resolver. Não adianta pensar em problema que a gente ainda não tem.

Você mandou o link pro gatinho, já trocou olhares com a gatinha ou algo do tipo, agora é a hora de ficar neném e ver o que acontece – e não ficar pensando em tudo que pode acontecer. Lidar com o presente e não com um futuro imaginado.

Como saber a hora de parar, a fila anda

Esse ponto é muito difícil e complicado, porque lidar com rejeição não é fácil. Ninguém quer admitir que o sujeito do nosso desejo não deseja a gente de volta. Mas acontece, com muita frequência, com todo mundo, nas melhores famílias.

O melhor a fazer quando constatamos que não existe correspondência é se retirar. Se tem uma lição que eu gostaria de ensinar (e aprender também) é que devemos saber quando nossa presença não é desejada.

Acreditem: não existe nenhum glamour em dar bola pra quem não dá bola pra gente.

Não tem nada mais chato do que ficar falando com uma pessoa que não corresponde a gente, e isso é chato pra pessoa também.

Claro que, como já falei aqui mil vezes, é difícil saber se a pessoa está ou não correspondendo ao nosso flerte, mas acho que aqui vale a regra do “bola da vez”. Você puxou assunto, mandou link, mandou whatsapp ou sei lá o quê; agora é a vez da outra pessoa. Se ela tiver interessada ela vai corresponder, e aí, quando ela for te procurar, a bola está de novo no seu campo. Se você percebe que é sempre você que puxa os assuntos, que toca a pessoa, que chama ela pra sair e nada, está na hora de admitir que não vai rolar. É duro, eu sei. Mas aqui também precisamos ficar neném: se não vai rolar então não vai, vida que segue, e ela segue mesmo. 😉 (Olha eu flertando com você!)

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Brena O'Dwyer
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Brena é uma jovem carioca de 22 anos que cada dia tem um pouco menos de certeza. Muda de opinião o tempo toda e falha miseravelmente na sua tentativa de dar sentido a si mesma e ao mundo em que vive. Gosta de ir ao cinema sozinha as quintas a noite e de ler vários livros ao mesmo tempo. Quase todas as segundas de sol pensa que preferia estar indo a praia, mas nunca vai aos domingos.

  • Maria Luiza Neves

    Oi Brena, tudo bem? Antes de mais nada quero dizer que acho seu sobrenome incrível! hahaha
    Sobre a arte de flertar: difícil, porém possível. As dicas me soam excelentes e vou colocá-las em prática. Tenho uma festinha neste sábado (20/06) e, além de dançar loucamente com minhas amigas, quero dar uns beijinhos também 😉
    Adorei a expressão “ficar neném”. Já planejei futuro com pessoas que não me corresponderam e isso não é nada gostosinho. Vamos pensar com calma e curtir cada beijinho (e cada momento) de forma leve e despretensiosa.
    Quero reforçar aqui meu amor pela Capitolina, minha revista online favorita. <3

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  • Raissa

    Eu preciso aprender a aceitar que a pessoa não vai me querer pelo resto da vida

  • Sam SB

    Cara, algo que eu aprendi só observando alguns comportamentos, é que as pessoas – como você disse no texto – tem muito medo da rejeição.
    Uma fórmula que eu sempre aplico e nunca falha é a da auto-confiança.
    A beleza não é algo estético, é algo que se adquire de acordo com a postura que se tem.
    Uma pessoa confiante demonstra uma segurança que mesmo que ela seja rejeitada, irá assumir sem medo que tinha interesse em seja-lá-quem-for e vai é dar risada no final, levar numa boa.
    No final, tudo se resume em respeito.

    E vida que segue, né? Há tantas coisas boas nos aguardando.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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