29 de setembro de 2017 | Ano 4, Se Liga | Texto: | Ilustração: Juliana Adlyn
7 séries com personagens femininas bissexuais
bipride

Bissexualidade é uma orientação sexual que existe e resiste, mas que ainda sofre muito com preconceito e invisibilidade. Por isso, é muito importante termos personagens bissexuais na televisão, principalmente que fogem dos estereótipos e pré conceitos que as pessoas bissexuais sofrem cotidianamente. Na mídia, vemos que existe ainda um medo muito grande em identificar personagens que se atraem por mais de um gênero como bissexuais e pansexuais, o que acaba inviabilizando ainda mais essa orientação sexual.

Como esse é o Mês da Visibilidade Bissexual, separei sete personagens femininas bissexuais em séries de televisão para conhecermos e celebrarmos:

 

(Obs: Para organizar essa lista separei as personagens que sentem atração por mais de um gênero, mesmo que nas séries a palavra bissexual nunca apareça)

 

1 – Nova    (Queen Sugar)

 

A  série da diretora Ava Duvarney protagonizada por elenco negro, tem todos os episódios dirigidos por mulheres e personagem principal bissexual.  Nova, é uma jornalista competente, ativista, conselheira espiritual e bissexual. Ela é uma das minhas personagens favoritas da televisão, porque foi a primeira vez que me enxerguei completamente representada por uma personagem em quase todas as minhas identidades.

 

2-  Izzy e Emma  (Eu, Tu e Ela)

 

A série aborda um relacionamento entre três pessoas; Jackie, Emma e Izzy. No começo da série, Jack e Emma são casados, mas se perderam  na rotina do casamento. Até que Izzy acaba aparecendo na vida dos personagens e conquistando não só Jackie como Emma. As duas personagens passam a se relacionar entre si e com o Jack. Na série, Emma e Izzy são apontadas diversas vezes como pessoas bissexuais, apesar de ainda estar presente certo preconceito por parte de alguns personagens secundários ao achar que elas seriam, na verdade, lésbicas. A série e as personagens fazem um bom trabalho em discutir relacionamentos não monogâmicos e desmistificar a bissexualidade como já falamos no texto  “YOU, ME, HER”: AS NOSSAS RELAÇÕES ESTÃO VIVAS”  . A série está disponível na Netflix.

 

3 – Callie  (Grey’s Anatomy)

 

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Eu sou bissexual e daí? É uma coisa e é real. Quer dizer, é chamado de LGBTQ por uma razão. Há um B ali e não significa badass. Tá, meio que significa, mas também quer dizer Bi”

 

Uma das personagens bissexuais mais conhecidas da televisão é Callie de Grey’s. A personagem é uma médica muito competente que se relaciona com homens e mulheres na série como George, Mark, Hahn, Arizona e Penny. Ela vai descobrindo sua bissexualidade ao longo da trama e os relacionamentos que ela teve servem justamente para contar essa história. O mais legal de tudo é que a atriz Sara Ramirez que viveu a personagem durante dez anos declarou publicamente em outubro do ano passado que era bissexual  e queer em um discurso emocionante que você pode ver aqui , mas separamos o trecho que ela faz essa declaração:

 

“Muitos dos nossos jovens que estão morando nas ruas são jovens cujas vidas estão conectadas em vários cruzamentos — seja de identidade de gênero, expressão de gênero, raça, classe social, orientação sexual, religião e nacionalidade. E, por causa dos cruzamentos que existem em minha própria vida: mulher, mulher multi-racial, mulher de cor, queer, bissexual, americana mexicana-irlandesa, imigrante, e criada por famílias fortemente envolvidas no catolicismo tanto do lado mexicano quanto do irlandês, estou profundamente envolvida em projetos que permitem que as vozes de nossos jovens sejam ouvidas, e que apoiam esses jovens a serem os donos de suas próprias complexas narrativas para que possamos ajudá-los da maneira que eles precisam.”

 

4- Annalise Keating (How To Get Away With Murder)

 

Annalise, protagonista de How to Get Away With a Murder, é uma mulher negra poderosa, inteligente e implacável. Annalise é bissexual – apesar da palavra nunca ter sido usada na série – e expressa sua sexualidade com muita liberdade. Ao decorrer das temporadas a personagem se relaciona com homens e mulheres de forma muito natural e foge completamente de todos os estereótipos.

 

5- Stella Gibson (The Fall)

 

Stella é protagonista da série The Fall e um exemplo de personagem feminina forte e bem construída.  Ela é inteligente, independente e sempre trata do machismo e empoderamento das mulheres. Inicialmente, não sabíamos da sua bissexualidade na série, que foi sendo revelada como uma das identidades de Stella ao longo do tempo. Com o decorrer das temporadas fomos acompanhando alguns diálogos sobre a questão e suas relações com pessoas do mesmo gênero.

 

6- Clarke (The 100)

 

Clarke Griffin é a heroína da série The 100 e foi a primeira personagem da CW a se assumir abertamente como bissexual.  Os produtores de The 100 confirmam a bissexualidade da personagem na segunda temporada: “Clarke é uma personagem bissexual. #The100 tem personagens héteros, gays e bi. Mas estar “vivo”/”morto” são os rótulos que lhes importam. “  disse Jason Rothenberg, um dos produtores da série,  no Twitter.  Apesar de, no mundo em que a série se passa, não existirem rótulos, é muito importante ver representatividade bissexual vindo da personagem principal da série.

 

 

7- Zakia  (Sense8)

 

Na segunda temporada (e infelizmente última) de Sense 8, Capheus – um dos Sense8 – se relaciona com uma mulher negra bissexual, a Zakia Asalache. Ela é uma jornalista maravilhosa que acredita no potencial de Capheus e em um futuro melhor para o seu país. Quando os personagens se conhecem, os colegas de trabalho de Zakia chegam a falar para Capheus que ela seria lésbica, apagando totalmente sua identidade.  No entanto, ela mais tarde assegura a Capheus que sua atração não se limita a gêneros.

 

“ Eu amei uma mulher. É verdade, E também amei homens.  Eu me apaixono pela pessoa e não pelos genitais”  – Fala da Segunda Temporada, episódio 6.

Vicky Régia
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Se Liga
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  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Sociedade
  • Colaboradora de Educação

Vitória Régia tem 21 anos, estuda jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. Adora conhecer diferentes culturas e é apaixonada pela arte de contar histórias. Dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT e acorda todos os dias pensando em como mudar o mundo.

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