22 de novembro de 2015 | Ano 2, Edição #20 | Texto: | Ilustração: Marina Sader
A balada que existe no fundo do mar

Lembra quando fazíamos aquela brincadeira de afundar na piscina ou no mar e tentar falar algo em baixo d’água para o amiguinho tentar decifrar? Os sons pareciam sair em câmera lenta, num tom bem mais grave e abafado. A água pode parecer muito diferente do que o ar, mas como podemos ver, o som, como no ar, também se propaga na água. O som na água, entretanto, não viaja da mesma forma. Alguns físicos utilizam a imagem de um barbante e um elástico para exemplificar a diferença do som na água e no ar. Na água, seria como esticar um elástico pelas bordas; a vibração se mantém por muito mais tempo e muito mais intensamente. No ar, seria como esticar um barbante; ele logo perde a vibração por não ser tão elástico. Isso significa que o som na água viaja muito mais rápido e por distâncias maiores. Enquanto que no ar, a elasticidade do som é menor e, por isso, viaja por poucos metros. Isso tudo pra dizer que, sim, existe som na água!

O fundo do mar não é uma festa de sons como na nossa conhecida superfície. Na vida real, não é igual ao filme da Pequena Sereia, onde as pessoas conseguem ter uma conversa de boas e cantar muitas músicas. Mas isso não quer dizer que não há sons. Não são todos os peixes que emitem algum som, mas há um ou outro que se utiliza de sons para buscar parceiros sexuais e se proteger de inimigos. E há, claro, o som das baleias. As baleias são um dos principais animais marinhos que se utilizam do som para poder se comunicar embaixo d’água.

As baleias jubarte e as baleias-azuis, por exemplo, criam “músicas” marinhas para diversas situações em que elas se encontram. Nós apelidamos de músicas porque os sons seguem um padrão rítmico bastante familiar em composições musicais, composto por uma introdução, refrão, etc. Suas músicas são conhecidas como uma das coisas mais complexas presentes no mundo animal. As músicas duram geralmente de sete à trinta minutos e, em alguns momentos, várias baleias podem cantar juntas a mesma música, produzindo um coro.

Cientistas têm tentado descobrir porque as baleias jubarte e azul cantam. É conhecido que apenas os machos da espécie cantam e, por isso, criaram a hipótese de que a música era feita para tentar se aproximar de fêmeas. O que é bastante engraçado, já que foi observado que as fêmeas raramente se aproximam de machos que cantam. A segunda hipótese é que os machos cantam para poder se aproximar de outros machos, como se fosse um “bro-code”, que é passado adiante de região para região; a música das baleias é uma das únicas formas de cultura que pode ser observada no meio animal.

O estudo sobre a música das baleias ainda é bastante inconclusivo, pouco se sabe ainda sobre a verdadeira razão das baleias comporem essas músicas misteriosas que povoam os mares.

Para acabar, algumas músicas de baleias para você escutar e se juntar a essa enorme balada que acontece deixo d’água.

Dora Leroy
  • Coordenadora de Quadrinhos
  • Ilustradora

Dora Leroy tem 21 anos e acredita que o universo é grande demais para não existir outras formas de vida inteligente por aí. E, enquanto espera uma invasão alienígena acontecer, gosta de ler livros que se passam em universos mágicos e zerar séries do Netflix.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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