16 de dezembro de 2015 | Ano 2, Edição #21 | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
A culpa não é só das estrelas

A astrologia é uma parada que é pensada há muitos e muitos anos, mas, hoje em dia, ela é considerada oficialmente uma pseudociência. Ou seja, ela não tem validade científica, nem teórica, nem experimental – ela se considera uma ciência, mas não segue os princípios do método científico. Na prática, o que isso quer dizer? Pra quem acredita, nada. Astrologia é o estudo da influência dos astros e seus movimentos na vida aqui na Terra. Ela pode ser considerada responsável por características psicológicas ou comportamentos, por exemplo. A Clara já fez um texto explicando melhor, pra quem acredita, como funcionam essas influências.

De uns tempos pra cá, como tudo na bolha louca que é a internet, observa-se um crescimento esquisito no número de pessoas que usam horóscopo e os astros pra justificar comportamentos que consideramos errados. Assim como, desde sempre, tem gente que quer seguir os conselhos e as ideias da astrologia tão, mas tão ao pé da letra, que se perde inteiro. Sabe, não é porque o fulano é geminiano que subitamente ele perdeu toda e qualquer característica positiva, só porque os signos de vocês não batem.

A ideia de que a astrologia é algo determinístico, que nos dita regras e como se comportar, é uma confusão que transforma o horóscopo numa espécie de livro sagrado. Os astros mexem com a gente de uma forma mais subjetiva, e se você assinar um contrato durante mercúrio retrógrado não vai necessariamente dar tudo errado! Não é por ser um momento em que os conflitos e as falhas de comunicação estão mais presentes que você deve pausar a vida. Tem um site que manda atualizações astrológicas por e-mail, e no final de ciclos mais tensos, ele sempre avisa: tudo parece catastrófico, mas a vantagem de saber que o que está por vir pode trazer problemas é que você já está mais precavido e consegue evitá-los.

As influências que a gente lê no jornalzinho que vai sentir durante a semana são uma tradução feita por alguém de todo um contexto no céu. Se quiser, você pode voltar lá no post da Clara e dar mais uma olhada no tipo de influência que cada ponto da astrologia exerce sobre sua personalidade. Mas lembra: o que você pode tirar disso não é um caminho definido e imutável, e sim uma coleção de dados que podem ser analisados de forma diferente e trazer uma nova perspectiva.

O horóscopo ajuda a gente a entender os movimentos dos astros e a usar a energia e a força deles da melhor forma possível para as nossas vidas. Ou seja, quem define o rumo que as coisas vão tomar ainda é você! Ele não foi pensado para substituir a sua agência. As energias dos momentos astrológicos são como uma agenda, um planejamento: se você sabe que coisas vão acontecer nos próximos meses, é mais fácil de se organizar pra aproveitar melhor. E se você sabe que vem um período difícil, é bom ter uma noção clara de tudo o que há para ser feito, para também aproveitar as partes boas e aprender com o momento.

Parece conversa de tia chata, mas o importante aqui é reforçar a ideia de que a astrologia não quer te ditar regras, mas te abrir mais possibilidades. Se a vibe de um momento é mais propícia para determinada coisa, mas você não tá a fim de viver aquilo, não é nenhum problema respeitar suas vontades. A astrologia pega os sinais que são mandados pelo universo e os interpreta dentro de um indivíduo, que é parte fundamental do processo. O resultado final quem define é você.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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