9 de setembro de 2015 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
A filosofia do software livre

Imagem: OpenOffice.org, conhecido conjunto de softwares livres. Divulgação.

A tecnologia é uma realidade em nossas rotinas, usamos softwares em nossos computadores, celulares e TVs com os mais diversos fins. Mas, no geral, não questionamos muito o que este relacionamento com a tecnologia significa para a sociedade e temos dificuldade em compreender que nossos hábitos tecnológicos podem ser vistos como posicionamentos políticos.

Richard M. Stallman, ativista e fundador do movimento software livre, talvez tenha sido o primeiro a questionar tão diretamente as relações de poder que permeiam a aquisição de softwares proprietários. Segundo Stallman, softwares proprietários controlam o usuário, enquanto alguma entidade que detém o poder controla os softwares. Ou seja, o software proprietário permite que desenvolvedor controle os usuários. Esta posição pode tentar as entidades a exercer de maneira injusta e antiética seu poder.

Pense quando você vai instalar um programa no seu smartphone. Você tem duas opções: instalar o programa, aceitando TODAS as condições do desenvolvedor, ou não instalar o programa. Muitas vezes você é coagido por questões sociais a aceitar condições que você não está 100% de acordo, pois, afinal, você não quer se excluir tecnologicamente.

No momento que você clica em “Eu aceito os Termos & Condições de Serviço”, você está abdicando de seu poder como usuário, pois os termos e condições de serviço, ou as licenças, de softwares proprietários restringem em muito o usuário e permitem que as empresas que desenvolvem os programas tenham acesso a informações muitas vezes nem relacionadas à utilização do programa instalado.

O software livre se difere aí. As licenças que são aceitas para caracterizar um software como livre, são efetivamente mais livres, sempre colocando o usuário como agente da situação. Enquanto o software proprietário está lá para impor as condições, o software livre permite ao usuário criar as condições mais favoráveis para ele mesmo, possibilitando uma relação mais social entre usuários.

Se você criou uma modificação de um programa que se adapta às suas necessidades pessoais, você pode repassá-las para amigos que possuem as necessidades semelhantes. Dessa forma, a tecnologia serve para criar uma comunidade de usuários ao invés de isolá-los e deixá-los à mercê de grandes corporações.

Algumas propostas similares a softwares livres surgiram como o movimento open source, que acaba ficando no meio do caminho entre as políticas de softwares proprietários e softwares livres. Também existe uma enorme confusão com o termo em inglês, free software, que pode ser tanto compreendido como “livre” ou como “gratuito”. Sabendo dessas questões, preparei um pequeno glossário distinguindo os três termos.

SOFTWARE LIVRE

A filosofia do software livre se apoia em dois pilares: liberdade e comunidade. Para um programa ser livre, ele precisa cumprir quatro exigências (que o www.gnu.org enumera a partir do 0, me deixando extremamente confusa, porque a contagem acaba terminando em 3): ser livre para executar o programa; ser livre para estudar e modificar o código-fonte do programa; redistribuir cópias exatas do programa e distribuir versões modificadas do programa (forks). Exemplos de softwares livre são o Gimp, programa de manipulação de imagens semelhante ao Photoshop, e o mídia player VLC. Ambos usam a licença GPL.

OPEN SOURCE

A maioria dos softwares livres também são open source, mas nem todo open source é livre. Por quê? Bom, porque existem licenças open source que simplesmente não permitem que o código-fonte seja modificado e redistribuído, e isso, por si só, já descaracteriza o programa como livre. É difícil pensar em exemplos de programas open source que não sejam software livre, pois, além da GNU, existem outras entidades que definem de maneiras diferentes cada uma dessas duas categorias. Mas a ideia básica é essa: se tem restrição, não é livre.

SOFTWARE GRATUITO

Nem todo software livre é gratuito! Há muitos softwares livres pagos e muitos programas gratuitos proprietários. A questão não é o valor pago para utilizar o programa e, sim, a liberdade que se pode ter ao utilizá-lo. Alguns exemplos de softwares proprietários gratuitos são o Skype e o iTunes. Ambos possuem uma “porta dos fundos”, no qual seus desenvolvedores podem modificar o programa sem consentimento dos usuários. Isso sem contar os milhões de cookies que coletam e analisam o comportamento dos usuários. Outro exemplo é o software do Kindle, que permite que a Amazon apague os livros do usuário remotamente.

Lúcia Dos Reis
  • Coordenadora de Social Media
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Colaboradora de Literatura

Lúcia dos Reis, pequena em tamanho e gigante em ambições. Não sabe se isso é bom ou ruim, mas tampouco se importa. Vive entre letras e códigos, entre o papel e o pixel. Ganhou aplausos na FLIP 2015 com comentário feminista sobre Star Wars e queria deixar isso registrado em algum lugar desse mundo maravilhoso das interwebs.

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