4 de outubro de 2015 | Edição #19 | Texto: | Ilustração: Izadora Luz
A fotografia e seu caso de amor com a adolescência

“Qual é a melhor coisa em ser adolescente?
Você sente tudo.

E qual é a pior coisa de ser adolescente?
Você sente tudo.”

 

Olívia Bee tem 21 anos, mas fotografa desde os onze, quando, meio acidentalmente, acabou parando em uma aula de revelação de sua escola. As frases ali de cima foram respostas dadas por ela em uma entrevista – que infelizmente saiu do ar – para a I-d sobre sua série Kids In Love, lançada ano passado. As fotos que a compõem, porém, foram tiradas ao longo da adolescência de Olívia em Portland, na costa oeste dos Estados Unidos, e são praticamente um diário sobre primeiros beijos, primeiras transas, primeiros amores e pequenas transgressões.

Lendo Olívia e vendo suas fotos, a gente entende a longa história de amor que a fotografia tem com a adolescência. Ainda que muito da hipersensibilidade da fase seja, às vezes, meio exagerada no imaginário popular, o que acontece nesse período da vida parece mesmo meio diferente de todo o resto: descobertas e primeiras vezes acontecem o tempo inteiro enquanto estamos vivos, mas é nesse período bizarro, entre os 13 e os 18 (20? 25?), que fica aquela sensação de que finalmente começamos a ter alguma autonomia – não é mais sua mãe te convencendo a experimentar brócolis aos três anos, e sim você mesma (e um pouco ou muito de pressão externa) resolvendo finalmente beijar aquela pessoa que você jura que é o amor da sua vida. É incrível e assustador viver essas coisas todas. E é fascinante poder vê-las congeladinhas em imagens.

Nós fizemos, então, esse apanhado de gente que já fotografou, e muito bem, as dores e as delícias do crescimento, e você pode também se apaixonar com a gente por essas coleções visuais sobre o que é ser adolescente:

 

Joseph Szabo

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Szabo é, como infelizmente a maior parte da lista, lá dos EUA. Vem retratando adolescentes ao longo de quatro décadas, e reuniu as fotos em preto e branco tiradas ao longo dos anos 1970 em dois livros incríveis, Almost Grown e Teenage. Uma das fotos, “Priscilla”, a que está aqui em cima, é provavelmente uma das mais icônicas dentro desse tema – ela é, inclusive, capa do álbum Green Mind, da Dinossaur Jr.

 

Hugh Holland

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Hugh tinha uns trinta anos quando foi parar na Califórnia da metade da década de 1970. O que ele presenciou por lá foi o nascimento da cultura do skate, devidamente registrado em fotos de um colorido hipnotizante, que retratam um pessoal ainda mais descolado que os skatistas que a gente queria ser aos treze anos.

 

Martine Fougeron

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A fotógrafa francesa tem vários outros trabalhos, mas o seu mais interessante é, muito provavelmente, a série Teen Tribe, em que registrou seus filhos adolescentes por seis anos, começando quando os dois tinham, respectivamente, treze e catorze anos. É muito surreal imaginar sua própria mãe registrando – tentando ao máximo não interferir – suas descobertas de adolescência, né?

 

Olivia Bee

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Já que serviu de inspiração pra esse post, é claro que ela tá na lista, né? Veja tudo, desde seus editoriais de moda, até os ensaios intimos, como o já recomendado Kids In Love. Além disso, as entrevistas de Olivia são daquelas que falam com a sua alma, ou seja, valem a leitura também.

 

Petra Colins

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Da mesma leva de novas fotógrafas em que Olivia apareceu, Petra também começou a fotografar novinha, lá pelos quinze. Colaboradora na nossa irmã mais velha-inspiração, a Rookie, a fotógrafa canadense tem uma obra de ar feminista e político, ao mesmo tempo em que carrega um quê fofo e dreamy. Recomendo muito a série The Teenage Gaze.

 

Nan Goldin

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Tá, essa aqui foge um pouquinho do tema, mas como é minha fotógrafa preferida, eu dei um jeitinho de enfiá-la na lista. Bobagens de lado, Nan não fotografa, exatamente, a adolescência – sua primeira série a ganhar fama, The Ballad of Sexual Dependency, foi feita quando a autora estava no meio de seus vinte anos, e fotografava muita gente de idade parecida. Mas parece coerente colocá-la aqui porque o sentimento de um mundo novo e desconhecido lembra um pouco o espírito da lista: as fotos foram tiradas logo após a mudança de Nan para Nova York, onde conheceu ambientes malucos de experimentação, cheios de drogas, sexo e relacionamentos bizarros e perigosos. É meio que uma segunda adolescência na vida adulta.

 

Eu, você e nós todas

Achou que suas selfies com amigas eram de se jogar fora? Isso tudo é puro ouro artístico, gata! Não é só foto de perfil pro Facebook, mas sua vida e seu crescimento sendo registrados.

 

Outros projetos interessantes:

Brooklyn Gang – Bruce Davidson
A Girl And Her Room – Rania Matar
Purity – David Magnusson
Gaza’s Parkour Teens – Loulou D’Azi
Be Still, My Heart – Marta Giaccone

 

Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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