25 de maio de 2016 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
A polêmica do Rust e a representatividade feminina
rust

Segundo a agência Sioux, no Brasil, 47,1% dos jogadores de videogame são mulheres. Esse dado contesta o estigma existente de que o universo dos games é para garotos – como sustenta o nome do clássico console, gameboy. No entanto, o mercado ainda não considera as mulheres como público alvo de seus produtos. Dos 669 jogos analisados pela Eletronic Entertainment Design and Research (EEDAR) apenas 24 tinham uma personagem feminina como protagonista exclusiva e reconhecida.

A questão da representatividade feminina no universo dos games voltou a ser discutida (e polêmica) recentemente com relação ao jogo “Rust”, que na nova atualização transformou os personagens de cerca de metade de seus jogadores em mulheres. Em resposta a mudança, foi possível ver dois tipos de reações diferentes da comunidade de games: fãs que aplaudiram a escolha dos desenvolvedores e outros que sentiram-se incomodados por não serem mais representados por seu gênero real. No segundo caso, os jogadores manifestaram seu descontentamento com uma avalanche de comentários machistas, sexistas e discriminatórios que refletiram o incomodo a representatividade das mulheres no universo dos games.

Alguns exemplos :

“ Não entendo por que os avatares são aleatórios. Isso me parece uma afirmação política sem finalidade e não uma tentativa descombater uma injustiça real. Eu já me sinto confortável jogando com avatares diferentes da minha identidade real. A vida não me deu a oportunidade de escolher quem eu sou, mas isso era algo que eu podia fazer no mundo dos jogos. Eu queria que o jogo permitisse que os usuários escolhessem sua própria aparência.”

“ Querido rust, estou muito chateado com essa nova atualização gostaria de mudar meu sexo para masculino mas o jogo não deixa. Por favor me deixe mudar meu sexo porque eu não quero ser uma PORRA DE MULHER pelo resto da minha vida no rust. :(“

“”Uma voz masculina vinda de um corpo feminino é tão estranho quanto a voz de um garotinho vinda de um corpo de homem” bem… quem pensa assim é retardado, um garoto é um macho, um homem adulto é um macho, uma mulher é uma fêmea, um macho (de qualquer idade) falando por meio de um corpo masculino é normal, mas um homem falando por meio de um corpo feminino é completamente diferente, o fato da metade dos desenvolvedores estarem usando a frase acima para justificar porque não podemos escolher nosso avatar é completamente retardado e o argumento cai por terra quando você vê o que eu e outras pessoas estamos tentando dizer. Se eu entrar no jogo e meu personagem continuar mulher, eu e meu amigos saíremos do jogo. >:(

No título de sobrevivência, o gênero e a aparência dos personagens são gerados aleatoriamente com base na SteamID de cada jogador. Portanto, você não tem controle sobre as características como gênero e raça do seu avatar, se você é homem ou mulher no jogo tudo é decidido de maneira aleatória e permanente. E mesmo que um personagem seja apagado, ele só poderá ser recriado com aquela mesma aparência, a menos que o jogador crie outra conta no Steam e compre outra cópia do jogo.

Apesar das críticas, a empresa responsável pelo jogo se manteve firme a atualização e chegou a declarar em nota oficial que “”Tecnicamente nada mudou, já que metade da população já convive com esses sentimentos [no mundo real]. A única diferença é que agora você se sente assim por causa do seu SteamID ao invés de por causa do seu corpo”.
A polêmica do jogo Rust evidencia como à pequena representatividade feminina no espaço de desenvolvimento e nos jogos , determina que as mulheres se deparem com esse tipo de reação preconceituosa e machista ao conseguirem conseguir um pequeno espaço nessa indústria tão masculina. E por mais que não queriam, não vamos recuar e cada vez mais devemos e podemos ocupar esse espaço. O universo dos games também é nosso.

Vicky Régia
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Se Liga
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Sociedade
  • Colaboradora de Educação

Vitória Régia tem 21 anos, estuda jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. Adora conhecer diferentes culturas e é apaixonada pela arte de contar histórias. Dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT e acorda todos os dias pensando em como mudar o mundo.

  • larissa

    meu irmão comentou sobre isso comigo esses dias. ele estava jogando algum jogo que não lembro qual era, e começou a se revoltar tanto com os caras que ficavam dando em cima das garotas que entravam no jogo, que acabou saindo da plataforma na qual ele tava e indo pra outra. ele chegou a me mostrar os comentários dos garotos, e era cada coisa chula… se uma menina joga, das duas uma: ou é zoada, ou tratada como objeto.

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