14 de agosto de 2015 | Ano 2, Edição #17 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Não sou obrigada: álcool na adolescência

Como quase todos os assuntos que envolvem ser mulher e jovem, álcool na adolescência parece quase uma armadilha. É a velha dicotomia que nunca se cansam de aplicar a nós, mulheres: se beber, é menina dada, solta no mundo, inconsequente, vagabunda; se não beber, é chata, “santinha”, não sabe se divertir . Parece não haver escolha certa, mesmo que, na maioria dos casos, nem sequer tenhamos “poder de escolha” sobre os assuntos. No contexto de uma cultura do estupro como é a nossa, esse discurso perverso ainda joga a carga de culpa para a vítima em situações de violência.

Seria hipócrita e fácil cair em um discurso negativo e moral, alertando para Todos Os Males da bebida na adolescência em longo prazo. Essas informações você já pode acessar, em fontes muito mais próprias. Só acho importante ressaltar aqui este trecho contido no link, que fala que o álcool afeta o organismo feminino de um jeito muito diferente do masculino:

“Se compararmos uma menina e um menino, com mesma estatura e peso, que tenham ingerido quantidade igual de álcool, veremos que a concentração alcoólica é maior no sangue da menina. Sendo assim, o dano biológico que o álcool produz nela é mais devastador.”

De qualquer forma, os motivos que levam alguém a beber antes da idade legal são variados e não cabe agora fazer um julgamento desses casos. Vamos nos ater à realidade: uma parte considerável das meninas menores de idade consome álcool, independentemente da opinião de cada um e dos “limites” legais.

Uma coisa que a essa altura é sempre repetida, mas que sempre vale a pena repetir mais uma vez, é: você não é obrigada a nada. Às vezes, as circunstâncias e as pessoas parecem dizer o contrário, mesmo que de um jeito legal, mas manter isso em mente é sempre bom: “Ñ SOU OBGD” é um lema pra vida toda. Isso vale tanto pra quando você tá sóbria e quer continuar assim sem ninguém encher o saco ou quando não estiver sóbria e alguém quiser te convencer a fazer qualquer coisa que você não queira. Se você se sentir ameaçada em algum momento (e é sempre bom confiar na intuição nessas horas), diga um “NÃO TÔ A FIM” firme e procure uma amiga pra continuar se divertindo em outro canto.

Outra coisa a se lembrar é que, ao contrário do que aparentemente 99% dos comerciais, filmes e afins destinados a adolescentes parecem transmitir, é possível se divertir sem >ter que< beber. Entre Capitolinas, notamos que a pressão de “uma história pra contar” é generalizada, mesmo entre quem já pode beber legalmente, e isso é meio babaca. As pessoas se divertem nas mais variadas situações, e o álcool não é imprescindível para se ter a tal história pra contar. Deixa a romantização do alcoolismo pros poetas ruins, sabe?

De resto, toma aí algumas dicas para como lidar quando uma amiga ou você bebeu demais e não está se sentindo muito legal:

  • Bastante água! Quando a gente passa mal de bebida, é principalmente por causa da desidratação.
  • Pedir ajuda para amigas de confiança é sempre bom! Normalmente rola um entendimento mútuo e, às vezes, basta uma troca de olhares mais séria.
  • Se possível, volte pra casa. É sempre mais fácil lidar com essas situações em um ambiente conhecido e seguro. Ninguém que seja sensato vai te recriminar por isso.
  • Se isso é constante, considere trocar uma ideia com a sua amiga e daí sim rever e conversar sobre os seus motivos para beber.
Tags: ,
Isadora Maldonado
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Isadora N., 21.

  • Maria Luiza Neves

    Para aquelas que gostam de beber, tenho uma dica: alternar a bebida alcóolica com uns golinhos de água. Pode parecer estranho, mas isso evita a desidratação e a (famosa) ressaca.
    Eu também creio que não precisamos beber para nos divertir. Existe uma pressão de que se não bebermos, não somos legais. Eu gosto de beber porque relaxo e me sinto mais confiante. Aí que eu percebi que eu quero ser confiante quando estiver sóbria também. Não é preciso escolher um lado: você pode beber na próxima balada e, no outro rolê, não beber. O importante é lembrar que quem decide é você.
    <3

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos