17 de setembro de 2014 | Ano 1, Edição #6 | Texto: | Ilustração:
Além da zona de conforto: enfrentando seus medos

Ilustração: Heleni Andrade.

Ilustração: Heleni Andrade.


Uma das coisas mais difíceis que temos que lidar ao longo da vida é escapar da tal zona de conforto. Sim, escapar. Sair de um lugar é algo muito fácil, você apenas utiliza seus pés e pernas e coloca-se para fora dele. Mas essa zona te dá realmente tanto conforto, tanto aconchego e te deixa tão sem vontade de sair de seus braços, que você acaba por desistir de escapar dela.

Posso dizer que, por experiência própria e em muitos momentos, percebi que minhas escapadas da zona de conforto foram os momentos em que mais me senti bem com o mundo e comigo mesma na vida. Esse espaço, a meu ver, é aquela redoma de vidro que nossos pais, avós, família e a própria sociedade constroem em nossa volta durante o início da vida, para nos proteger de eventuais problemas que venham a ocorrer em momentos que eles não estiverem por perto para ajudar.

Até certo momento, a zona de conforto é, sim, uma boa ferramenta para os indivíduos. Ela impede que a criança resolva, não sei, fugir de casa porque teve uma briga com seu irmão ou irmã. O medo de sair deste lugar protegido, que é a sua casa, impede que coisas piores aconteçam. Ou talvez o medo de falar com uma pessoa aleatória na rua, porque seus pais lhe disseram para não falar com estranhos, impeça uma ocorrência pior, como ser levada por essa pessoa desconhecida.

A zona de conforto construída ao redor de uma criança é lá colocada por um propósito maior. Essa função é bem recebida e acredito que ela ajuda a salvaguardar coisas mais preciosas, como a própria vida. Entretanto, chegada certa idade, onde a pessoa já sabe discernir entre o certo e o errado e consegue ver o que vai ou não fazer um mal maior para cada um, a zona de conforto, em uma instância menor, começa a prender o indivíduo.
Dando o exemplo de coisas que já passei ou já vi pessoas amigas passando, o medo de escapar dessa zona pode acarretar em perdas de oportunidade enormes para a nossa vivência. Seja em nível pessoal ou profissional, ás vezes o medo de fazer algo, por menor que seja, acaba fechando uma possibilidade incrível em nossas vidas. Já vivi momentos em que a minha audácia de querer escapar desta dita zona de conforto me trouxe experiências tão boas que hoje eu vejo o quanto a minha felicidade ficou em jogo nessas pequenas situações.

O medo de ir a lugares novos impede que esses lugares se tornem lugares conhecidos e desbravados. O medo de conhecer pessoas novas impede que essas pessoas se adicionem a sua vida. O medo de tentar um curso ou trabalho novo e fracassar impede que o seu conhecimento seja expandido.

Em suma, infelizmente, em determinados momentos da vida, o medo de sair da zona de conforto pode acabar influenciando de forma negativa a vida de alguém. Não estou dizendo para que todos saiam pulando de bungee jumping ou algo assim, perder esse medo é um exercício gradual, que temos de ir fazendo aos poucos. É necessário esticar esse perímetro em que vivemos de pedacinho em pedacinho, até que essa linha invisível vá desaparecendo e se desfazendo aos poucos. Inicie com coisas simples que você sempre teve vontade de fazer, mas não fez ainda. Talvez aprender um instrumento novo, ou fazer um curso extracurricular diferente, como de línguas. Ou ir a algum lugar da cidade que quase nunca vai. Depois aumente, de acordo com a sua vontade, o nível de dificuldade.

A ideia aqui é você começar a se soltar e perceber que o medo de falhar e de ter problemas é uma das piores amarras para atingir novos patamares que desejamos na vida. Por isso é tão importante lutar contra esses pequenos medos e receios. Vamos mudar essa situação. Ou você vai ficar aí sem aproveitar esse mar de oportunidades por causa de um medo premeditado que às vezes não é nada concreto? Se jogue!

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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