29 de maio de 2015 | Edição #14 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Algo maior que nós: como se sentir conectada ao universo
Ilustração: Clara Browne.

Religiosamente, sempre me identifiquei como agnóstica, mas a Wikipédia acaba de me informar que eu uso essa palavra de forma equivocada porque ela não contempla tudo que eu sinto. Para ser mais clara: acho que não tem muito como saber se existe uma entidade maior ou não, não tenho fé particular que cubra essa incerteza, portanto não acredito em nenhuma religião institucionalizada ou na existência de algum tipo de deus, mas também não sou tão convencida da inexistência. Além disso, religião só nunca foi algo muito importante na minha vida: minha família mais imediata no geral não tem convicção religiosa, fui batizada católica por ser importante para meu avô, estudei em faculdade cristã por acaso (curiosamente, escrevi minha monografia mais ou menos sobre leis e religiões, então talvez o interesse e a importância estejam aí em algum lugar).

Mesmo assim, quando vou me referir a algo que vai além da minha compreensão, a coincidências misteriosas, ao que tange a sorte ou o azar, ao inesperado e surpreendente, acabo apelando a uma entidade maior: o universo. Seja para dizer que o universo conspira contra mim, seja para dizer que ele está me mandando mensagens, seja para dizer que o universo está a meu favor, é sempre ele que aparece quando quero falar do espiritual, do metafísico, do inexplicável. É, também, minha ideia conceitual não exatamente religiosa mas não exatamente material daquilo que é vasto e complexo demais para entendermos por completo, do que é maior que a gente, da comparação que dá um pouco de perspectiva, um pouco de humildade, um pouco de tranquilidade, a constatação de que meu drama pessoal no momento vai passar, que não é tão grave, que tem mais coisa por aí.

Por isso, acho importante de vez em quando me conectar um pouco com esse sentimento, tirar minha cabeça da bolha micro da minha vidinha e sacar que o mundo é maior do que isso. Agora que estou trabalhando de casa, então, isso se tornou ainda mais fundamental, porque passo tempo demais sozinha e presa na minha cabeça (acabei de voltar de um almoço num parque para tirar minha mente do computador e do trabalho por um tempinho). Decidi, então, pedir ajuda aos universitários (aka meus amigos no Facebook) e perguntar o que eles fazem para se conectar ao universo:

  • Receber as Notes from the Universe por e-mail (infelizmente, só em inglês) (a Luiza falou um pouco sobre essa newsletter aqui)
  • Ver filmes/ler livros sobre o espaço, como Cosmos e Contato
  • Ir ao planetário
  • Olhar para o céu à procura de estrelas cadentes
  • Tomar sorvete de fruta perto da natureza
  • Mergulhar em um rio, ficar debaixo d’água o máximo que conseguir
  • Olhar pela janela no meio da madrugada, acompanhar o movimento (ou a falta de) na rua e na cidade
  • Arrecadar doações para causas que te tocam
  • Dar bom-dia para todo mundo
  • Reconhecer que todos que você encontra estão vivendo suas próprias vidas com suas próprias complexidades
  • Estudar, se dar conta de quanto existe no mundo
  • Viajar de carro/ônibus, olhar pela janela
  • Ir à praia, mergulhar no mar, olhar para o horizonte
  • Meditar
  • Acender incensos ou velas
  • Cozinhar algo gostoso para você mesma ou para os outros
  • Conversar com alguém de idade muito diferente, ouvir outras visões de mundo
  • Documentários sobre insetos do David Attenborough
  • Observar fenômenos da natureza: tempestades, arco-íris, dos mais contrutivos aos mais destrutivos
  • Ir a eventos esportivos, shows, ou qualquer aglomeração de pessoas para assistir a um mesmo acontecimento, sentir a emoção de todo mundo vibrando junto
  • Olhar ao redor em um lugar muito alto
  • Fazer exercícios físicos
  • Copo de água/refrigerante/suco gelado num dia quente
  • Ver fotos ou ler relatos de partos e crianças recém-nascidas
  • Andar pela cidade ouvindo música no volume máximo
  • Dançar com as amigas
  • Correr na chuva
  • Conhecer alguém e criar uma conexão imediata como se vocês tivessem crescido juntos
  • Perceber que está se apaixonando por alguém
  • Comentar eventos ao vivo no Twitter/Tumblr/Facebook, com todos seus amigos de internet comentando o mesmo evento
  • Descobrir que você e uma amiga compartilham algo que você sempre achou muito estranho/particular/único a você
  • Fandoms
  • Cantar
  • Se conectar com gente de lugares diferentes, vivências diferentes, tudo diferente, pela internet
  • Aprender sobre animais marinhos
  • Caminhar sozinha
  • Fazer desejos para estrela cadente, moeda na fonte, vela de aniversário
  • Deitar na grama
  • Ver filmes do Studio Ghibli
  • Ouvir música (algumas sugestões: “Perfect symmetry”, “Heroes”, “Aquarela”, “Moonpool”, “The universal”, “Do you realize?”, “The masterplan“)
  • Chorar quando as coisas ficam muito pesadas
  • Ir ao cinema sozinha
Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.