19 de setembro de 2014 | Ano 1, Edição #6 | Texto: , and | Ilustração:
Alguns medos inevitáveis
Ilustração: Isadora M.

Ilustração: Isadora M.

Texto de Ana Gabriela, Nathalia Valladares e Rebecca Raia.

Seja racional ou não, o medo sempre compõe uma parte razoável do nosso psicológico. Alguns medos servem como uma maneira de preservarmos a nossa integridade, seja física ou mental. Pela pressão do dia a dia mesmo, nós temos receio de diversas coisas que, uma hora ou outra, acabam acontecendo na nossa vida.

Medo do futuro

Quem nunca se pegou pensando: Como será que vai ser meu futuro? Será que eu vou ser feliz? Será que meus sonhos vão se realizar? Será que eu vou continuar com a minha família? Será que eu vou trabalhar no que eu desejo?

Calma. Vamos por partes. É claro que o medo do futuro não ser como nós desejamos ou imaginamos é algo bem recorrente. E todas nós, em algum momento, já nos pegamos pensando nisso. O que não pode acontecer é esse receio se tornar uma grande bola de neve, que se alastra atrás da gente, impedindo que o nosso futuro seja sim exatamente como queremos.

Continue fazendo o que faz, faça escolhas que te trarão esse futuro tão desejado. Continue vivendo no presente, mas nunca esquecendo das coisas boas do passado, porque ele fez o que você é hoje, e sem se preocupar tanto com o futuro. Viva o presente da melhor forma e procure sempre fazer no hoje o que você procura para sua vida no amanhã.

Medo do fracasso, de não conseguir superar expectativas

Toda a nossa vida, é esperado de cada um de nós (alguns em menor escala, outros com muito mais pressão) determinadas realizações: notas boas, passar no vestibular, um emprego bom, entre outras. E é normal sentir esse medo de fracassar, de não atender as expectativas de determinadas coisas ou pessoas.

A parte importante é não deixar que esse medo do fracasso tenha tanto significado dentro de você, presença suficiente para impedir que sejam alçados voos maiores. Vestibular tem todo ano; uma nota ruim pode ser superada; mesmo sendo difícil de arranjar um emprego, com a cabeça no lugar e confiança tudo acaba dando certo, em qualquer um dos quesitos acima e em todo o resto da sua vida.

Medo de errar

Posso dizer com certeza que esse é um dos medos mais comuns que eu já encontrei na vida. Ter medo de errar, seja em que aspecto for, é sempre muito presente e muito prejudicial a tudo na vida. Errar, como já diz o ditado, é humano. Todos estamos passíveis ao erro, seja lá no que for. Erro em prova, erro de escolhas, erro de faculdade…

Se você errou em uma prova, estude mais ou preste mais atenção da próxima vez. Se errou a escolha do curso que quer na faculdade, troque. Conheço tantas pessoas que trocaram de cursos e hoje são tão mais felizes por isso. Não é como se o erro não pudesse ser eventualmente corrigido, na maioria das vezes. Não podemos é bloquear os nossos acertos na vida simplesmente pelo medo de errar.

Medo de mudança

O que a gente conhece, o familiar, aquilo que não gera expectativas ou surpresas é nossa zona de conforto. Quando saímos da zona de conforto, normalmente é por causa de uma grande mudança: trocar de escola, mudar de cidade, passar só a morar com a mãe ou ganhar um irmão… para algumas pessoas, essas transições são dolorosas, porque mudanças são dolorosas.

Mudança dói porque o que está por vir não é familiar. Já mudei de cidades e países algumas vezes. Já mudei de casa e apartamento. Mas depois de tanta mudança, acho que não que me acostumei. Porque, na verdade, o que mais me dói é a mudança de rotina. É ter certos amigos próximos e, de repente, não ter mais. Não poder passar naquela padaria depois da escola com os colegas de sala. Nessa hora a dor transborda: a sensação de perda é sufocante e vem um medo de que nunca vai passar.

Por isso o medo de mudança. Medo de que as coisas nunca mais voltem a ser como foram. Medo de que nunca nos adaptaremos.

Não vou perder o medo de mudança tão cedo. Cada ano que passa descubro uma nova mudança que causa desconforto e fico com medo dela. Mas a cada ano também fico mais corajosa. As mudanças já não me intimidam da mesma forma porque sei que mesmo quando dói, as mudanças são necessárias para o próximo passo da vida.

Medo do não

O medo da negação é talvez o medo geral. Porque não é tão somente a palavra “não”, mas também tudo atrelado a ela. Não conseguir entrar numa faculdade é um “não”. Não tirar nota boa numa prova é também um “não”. Não conseguir um emprego, não conseguir falar com aquela determinada pessoa especial, não ter coragem para dizer determinadas coisas… tudo isso é um “não”.

É muito, muito normal ter medo de uma resposta negativa, em qualquer aspecto da vida. Mas e aí? O que acontece? Muitas vezes, pelo medo de ouvir aquele simbólico “não”, perdemos a oportunidade de ganhar um “sim”. Então, não tenham medo do não. Tenham medo de ter tanto medo do não que não vai rolar nem aquela coragem de conseguir o lindo do “sim”. Se arrependam sempre do que não fizeram, e não de correr atrás do que querem. Não deixe o medo de perder te impedir de jogar o jogo.

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

Ana Gabriela
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Audiovisual

Ana nasceu na Bahia em 1992. Ainda não descobriu o que vai ser quando crescer, mas aprendeu que isso não é motivo pra preocupação. Quanto mais tempo se descobrindo melhor. Gosta de ler a internet, escrever listas sobre tudo, de gatinhos e da sua cama.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

  • Luiza

    tudo que eu precisava ler, muito obrigada, vcs são demais! <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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