9 de fevereiro de 2018 | Ano 4, Edição #42 | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Amizade com os pais: o conforto da certeza
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Eles têm seus amigos, eu tenho os meus que, por sua vez, os amam. Pode parecer chato se isso não me tornasse uma pessoa privilegiada: estou sempre na companhia das pessoas que mais amo no mundo, juntas, sorrindo e se apoiando. Aliás, privilégio não. Vamos falar de escolhas.

Dizem que amigos são a família que a gente escolhe. Faz total sentido, né? É com eles que a gente conta das alegrias às tristezas com a convicção de ser ouvido, aconselhado, apoiado. É quem diz “lembro!” às nossas lembranças e nos ajuda gradativamente a escrever, além das nossas memórias, a nossa própria história.

Nesse amontoado de características de um laço tão fraterno como a amizade, escolhi o contrário: que minha família seria, também, parte dos meus amigos.

Conheço boa parte dos amigos dos meus pais e suas histórias juntos. Cresci pensando que queria ter memórias tão alegres quanto. Conheço boa parte da trajetória dos dois e também cresci querendo ter momentos como eles tiveram. No fim das contas descobri que não era a história deles que era legal e, sim, a companhia deles.

Pedi à minha mãe antes de dar o primeiro beijo. Chorei com ela o primeiro chifre. Fui com meu pai a jogos e pesca. Chorei com ele derrotas e títulos. Fomos juntos a muitas festas. Recebemos e (re)conhecemos muitos amigos. Fizemos muita farra. Seguramos muitos porres – físicos e sentimentais – uns dos outros, ou não… estávamos todos de porre. Reconstituímos “crimes” na ressaca.

Nas minhas melhores lembranças eles estão. Nos meus maiores sorrisos e mais aconchegantes abraços, também. Nos segredos que às vezes escondia até de mim eles já me entendiam. Nos planos do fim de semana ou a longo prazo, nossos compromissos costumam bater. Nem nos meus melhores sonhos eu imaginava que escolhê-los como amigos seria tão bom assim.

É um tipo de amizade que eu não tenho medo de acabar, do tempo distanciar. É aquele amigo que você tem certeza que quer o seu bem, e vice versa. Não vai ter crise, não tem dr. Também não é perfeito, claro. Mas é por isso que existe: pra amenizar as dificuldades que a vida já traz, pra estreitar laços, pra conhecer a própria história e regar raízes, pra, de fato, pertencer.

E você, tem amizade com seus pais? Já se interessou pela história deles e já contou a eles a sua – aquela parte que eles não passam com você? Já pensou em curtir um cinema, um show, uma festa, uma balada ou uma viagem descolada com eles? Já pensou também que, como numa amizade recíproca, você pode ser o grande amigo deles? Parafraseando Elis, lembre-se que “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Você vai se descobrir em outros olhos, e vai ver que nada brilha mais que eles. Experimente!

Queka Barroso
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  • Colaboradora de Esportes

Nascida na geograficamente pequena, mas amorosamente imensa, Barroso/MG, Queka quis homenagear sua cidade colocando-a como sobrenome - o nome, aliás, é Jéssica, mas isso só no RG. Moradora de Belo Horizonte desde os cinco anos, foi na capital mineira que se formou jornalista e exerce e estuda a profissão na área esportiva - sua maior paixão. Nasceu em fevereiro, é amante do carnaval e é do signo de Peixes. Embora não tenha conhecimento sobre astrologia, sabe que tudo que falam sobre pisciano bate com sua personalidade. Queka agora escrever e transcrever as escritas de Rubem Alves (no blog Sou Muitos) e Nelson Rodrigues (em um livro ainda em construção). Na cozinha, o que não sabe fazer, sabe comer. Se for uma boa comida mineira ou coxinha então... Quando não tem jogo, certamente está assistindo Padrinhos Mágicos, Matilda ou Frozen. "Você quer brincar na neve?"

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