19 de dezembro de 2014 | Ano 1, Edição #9 | Texto: | Ilustração: Isadora Maldonado
Amor não precisa de laços de sangue

A gente já falou um monte nesta edição sobre como as famílias quase nunca são e nem precisam ser tradicionais e parecidas com aquelas que vemos nos comerciais de margarina. Da mesma forma, nosso sentimento com relação a nossa e a outras famílias não precisa ser como esperado também. Muitas vezes, nossa família “de verdade”, pela qual nutrimos mais carinho, não tem laços consanguíneos conosco, nem precisa ter.

Quando acontece de crescermos em um ambiente ruim, ou quando nos mudamos para longe de nossa família ainda jovens, quando nos aproximamos da família de alguém com quem nos relacionamos amorosamente ou temos uma amizade forte, ou em tantas outras situações, é comum construirmos outros lares, e às vezes nem percebemos por estarmos presos a uma definição de família que coloca laços familiares como laços de sangue. Nem sempre é assim. Relações de carinho, afeição e cuidado – que é o que esperamos de uma família – surgem nos lugares mais inesperados e independentemente de genes partilhados.

Todo mundo conhece alguém que cresceu grudado em alguma pessoa amiga, visitava toda semana e às vezes passava até o natal e outras datas importantes com a família; ou então alguém que se aproximou tanto das pessoas com quem mora, que já se consideram uma família; ou então alguém que agora passa mais tempo com a família da pessoa com quem se relaciona do que com sua própria. Tudo isso é normal, e tudo isso são famílias. Raramente famílias são exatamente o que esperamos que sejam.

Mas essa é a coisa sobre laços humanos, quase nunca são o que se espera deles. A ideia de família tradicional (um papai, uma mamãe e um casal de filhos que se dão perfeitamente bem, mas com disciplina) é rara demais de se encontrar. Em vez disso, encontramos amor e carinho igual, mas nos mais diversos lugares. E isso é normal. O que mais se vê por aí é frustração por causa de famílias “disfuncionais”, mas é assim que devemos começar a pensar famílias: como laços de carinho, e não de obrigação, nem de moldes aos quais devemos nos encaixar

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Thais Bakker
  • Colaboradora de Cinema & TV

Thais tem 20 anos e estuda Relações Internacionais e Filosofia. Se sente bem estranha se apresentando, por isso pagou uma coxinha a quem escrevesse isto por ela. Essa pessoa também achou relevante mencionar que ela reclama mais do que o socialmente aceitável.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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