1 de fevereiro de 2017 | Ano 3, Edição #30, Fotografia, Poéticas | Texto: | Ilustração: Yasmin Lopes
Anda e fotografa, anda e fotografa

Eu digo por aí que minha memória é ruim. Que não guardo datas, que esqueço de conversas importantes, que todo dia chego na cozinha e não me lembro do que fui fazer. Mas eu tenho uma câmera.

Fotografo desde a pré-adolescência e só nos últimos anos descobri (mais) um encanto da fotografia: em uma única foto consigo ver histórias que eu, quando bati, não fazia ideia de que estavam por vir. São lugares que naquele momento da foto tinham um significado a que, com o passar dos meses ou anos, se somaram tantos outros. Por exemplo, aos 22 anos fui morar no bairro em que meu pai trabalhou por quase 22 anos e onde passei boa parte da minha infância. De um jeito bem imprevisível meus caminhos me levaram de volta àquele lugar, tão familiar e querido. Observo histórias assim com vários outros lugares e é através das fotos que vejo de maneira viva meu trajeto sendo traçado nas cidades.

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As fotografias que tiramos (inclusive as do celular!) não registram só as alternâncias da cidade, como também as nossas. Aquele prédio que junto dos prédios vizinhos fazia um desenho engraçado e que eu via de uma rua que cruzava a rua em que eu morava. Era o pano de fundo das minhas andanças para o centro: comprar cacarecos naquela loja do Japão, ir para a casa de duas amigas queridas, visitar um outro amigo no seu trabalho… As fotos paralisam no tempo toda uma sucessão de hábitos e afetos, que até podem ter sido deixados para trás – sua vida mudou por ganhar um novo rumo (seja em um aspecto específico ou geral) – mas sempre fazem a mágica de reativar lembranças, e assim preservar a história dos nossos caminhos.

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Yasmin Lopes
  • Coordenadora de Poéticas
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Sociedade

Yasmin, se divide entre a graduação de Terapia Ocupacional e as ~artes~. Nasceu e vive em São Paulo, porém sonha com o mar. Não moraria em uma casa sem plantas, faz dancinhas ridículas no quarto e mantém um caderno quase-secreto de colagens e textos. Se estiver com sua câmera na mão, se basta assim - a sua única possível metade da laranja.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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