29 de novembro de 2015 | Ano 2, Edição #20 | Texto: | Ilustração: Divulgação / Stop Breathe & Think
Aprendendo a se ouvir: Mindfulness
stopbreathe

Pesquisando para essa pauta, descobri que esse tal conceito de “mindfulness” é muuuuuuito mais complexo do que eu imaginava – tem definições psicológicas, definições budistas, variantes terapêuticas, muitas coisas envolvidas. Mas, como não sou uma expert do tema, vou tratar aqui do conceito mais “senso comum” da coisa, que é, simplesmente, a prática de estar consciente do seu estado e momento presentes.

No nosso dia a dia, é comum que estejamos ocupadas com alguma coisa o tempo inteiro: seja trabalhando, estudando, lendo, ouvindo música, conversando no Whatsapp, ou só pensando em mil coisas enquanto andamos na rua. Estamos sempre fazendo, fazendo e fazendo, e pensando, pensando e pensando, mas raramente estamos vivendo no momento presente. E não digo isso do momento presente num estilo #yolo carpe diem da coisa, seguindo a ideia de que devemos fazer tudo no presente porque o futuro não é garantido; é mais básico mesmo: não estamos prestando atenção no que estamos, de fato, sentindo naquele momento.

A experiência de começar a praticar mindfulness é desestabilizante, mas gratificante. Para quem não está habituada a prestar atenção nos próprios sentimentos, pode ser muito esquisito mergulhar em si própria dessa forma, e o primeiro contato muitas vezes é desconfortável; para mim, a sensação inicial é de que estou tentando conversar com alguém que não necessariamente me responde. No entanto, quando o seu diálogo interno se firma, é maravilhoso conseguir entender exatamente como você se sente em determinado momento.

Mas, bem, por onde começar? Um bom primeiro passo pode ser ouvir seu corpo – antes de partir para os sentimentos, identificar como você se sente fisicamente, o que cada parte do corpo te diz, das dores aos confortos aos cansaços. Uma outra prática que também facilita a mindfulness é a meditação, e a facilitada por aplicativos como o Headspace é inclusive focada nesse tipo de autopercepção. O aplicativo que eu uso para me ajudar é o Stop, Breathe & Think, que te encoraja a identificar seus sentimentos do momento e te oferece pequenas meditações de acordo com as suas necessidades (infelizmente, acho que só em inglês).

Só que se você quiser ir direto ao ponto da forma mais rápida e simples possível, tente o seguinte: pare agora o que estiver fazendo (quer dizer, leia o resto das instruções antes, senão você não vai saber o que fazer!). Se quiser, cronometre uns dois minutos no celular; se não, pode só fazer pelo tempo que preferir (eu gosto de tempo cronometrado com um alarme porque aí não fico tentada a olhar para o relógio o tempo inteiro). Agora feche os olhos e respire fundo. Foque no que você está sentindo fisicamente, da cabeça aos pés. Em seguida, foque em como você está se sentindo emocionalmente – tente não pensar em outras coisas, só em você própria; a ideia é dar uma conversada com si própria, identificar os seus confortos e desconfortos emocionais da mesma forma que você fez com os físicos. Você está tranquila? Está estressada? Preocupada com uma prova? Animada para uma festa? Exausta e com vontade de chorar? Cheia de preguiça? Identifique todos os sentimentos que conseguir.

Quando achar que está bom (ou quando acabar o tempo cronometrado), abra novamente os olhos e volte com calma para o que estava fazendo. Eu gosto de registrar em algum lugar como me sinto, o dia/horário, e o que estava fazendo, porque isso me ajuda a observar alguns padrões (por exemplo: atividades que me deixam mais cansada ou mais relaxada, horários em que sou mais ou menos produtiva, esse tipo de coisa), mas se você quiser realmente viver no momento em vez de usar tudo como oportunidade para autoanálise, pode deixar esse registro pra lá. Depois de uma rápida sessão dessas conversas comigo mesma, costumo me sentir muito mais focada e presente no que estou fazendo, além de bem mais paciente, então acho um exercício excelente para os momentos em que não aguento mais olhar para a mesma página de um livro, fazer um mesmo trabalho no computador, ou ficar presa no engarrafamento. Também gosto desses momentos antes de dormir, para fazer um certo balanço emocional do dia.

No fim das contas, você pode encontrar o caminho que preferir para a mindfulness, seguir ou não meu pequeno passo a passo, mas aprender a se ouvir é uma experiência fascinante.

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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