2 de outubro de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Aprendendo e praticando arte: um guia básico para começar a desenhar
Ilustração por Isadora M.

Ilustração por Isadora M.

 “A arte é um patrimônio cultural da humanidade, e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber”
Mirian Celeste Martins

 

Aprender sobre arte é uma atividade prazerosa. Através dela expressamos nossa sensibilidade, imaginação e percepção do mundo. Vivenciamos a arte indo ao cinema, nos divertindo em um festival de música, lendo poesia… Quem disse que ela está só nos museus?

A educação artística é um componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica brasileira. Existem colégios onde a prática da arte domina. Já em outros, é a teoria que ganha força. Independente de vertentes, o ensino e o aprendizado da arte – não só a visual – é sempre importante e enriquecedor. A teoria e a prática se misturam e, às vezes, até mesmo se confundem. É importante, ao praticar arte, saber de algumas de suas teorias – por exemplo, que tipo de papel é melhor para utilizar determinadas tintas ou que lápis é mais adequado para cada ocasião – assim como é divertido, ao estudar a teoria da arte, imaginar como ela era praticada – como os artistas utilizavam seus materiais e como a prática da arte ao longo dos anos influenciou e reconstruiu a história da arte, e o faz até hoje.

Um ponto marcante dos meus estudos foram as aulas de arte que tive durante o ensino médio e o curso técnico. Foi decisivo na escolha da minha graduação lembrar o quanto todas as minhas professoras de arte foram – e são – maravilhosas.

No ensino médio aprendi muito sobre a história da arte. Da pré-história ao modernismo, grande parte do conhecimento em arte que tenho veio de lá – como as obras de Escher, que já comentei aqui na Capitolina. Até hoje consulto meu caderno – lotado de anotações – para lembrar o nome de obras ou artistas. Minha professora comentava tudo sobre um movimento artístico só ao olhar para uma imagem. Eu e meus amigos nos perguntávamos se ela fazia mágica, e, secretamente, eu queria ser um pouco como ela algum dia.

Já no curso técnico, além de um pouquinho mais sobre a teoria, aprendi a parte prática da arte, que utilizo na faculdade até hoje. Um fato totalmente engraçado é que toda essa parte prática que adquiri no curso técnico foi por acidente. Eu estava lá por dois motivos: ter aulas de fotografia e aprender a usar aplicativos como o Photoshop. Então, é claro, os primeiros meses não foram muito fáceis. Mas com o tempo passei a gostar de desenhar e colorir, saber dos diferentes tipos de pincéis, papéis, lápis… E também fiz várias amizades que preservo até hoje, como a Helena!

Em uma conversa entre as colaboradoras de arte, notamos que nossa coluna possui muita teoria e pouca prática. É claro que a teoria é importante e a prática, como já disse, anda de mãos dadas com ela. Mas nós queremos encorajar nossas leitoras a praticar sua própria arte – ou despertar a artista escondida dentro de si. Nesse texto vou comentar alguns materiais bem básicos para quem quer começar a desenhar.

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Para começar, vamos falar sobre os papéis. Uma coisa bem importante sobre eles é a gramatura, que basicamente é a grossura do papel. Quanto maior for a gramatura mais grosso será o papel. Papéis de gramatura menor são os melhores para desenhos com lápis de cor, grafite ou caneta, já os de gramatura maior são os melhores para usar tintas e aquarelas. Isso acontece porque o papel mais grosso absorve melhor a água, sem ficar enrugado ou rasgar. Um exemplo prático: um papel sulfite comum, que usamos em impressoras, tem uma gramatura de 75g a 90g, mas um papel para aquarela tem uma gramatura de 300g!

Outra coisa importante sobre os papéis é o seu tamanho: os mais básicos são o A3 e o A4. O papel A3 mede 42 x 29 centímetros. Se cortarmos um papel A3 ao meio teremos um papel A4, com 21 x 29 centímetros. E se cortarmos um papel A4 ao meio teremos um papel A5, e por aí vai…

Como uma folha não se desenha sozinha, vamos aos lápis. Existem vários tipos de lápis grafite, mas os principais são os do tipo H (hard, que significa duro) e os do tipo B (black/blend, que significa preto/macio). Os lápis do tipo H são os melhores para desenhos de traço bem definido – mas cuidado com a pressão, pois eles costumam deixar marcas no papel. Já os lápis do tipo B são melhores para traços bem escuros e também para sombreados. Quanto maior o número do lápis mais mole e escuro ele é – mas cuidado com a sujeira, os lápis de numeração maior (como o 6B) costumam “grudar no dedo” e fazer com que a folha fique cheia de digitais – a não ser que essa seja a sua intenção, é claro! Caso queria apagar, prefira borrachas macias, que não danifiquem o papel.

Há também os lápis de cor, que são feitos de goma, cera e pigmentos coloridos. Eles podem ser simples ou aquareláveis, que são mais macios e, se misturados com água, ficam com um aspecto de aquarela.

Caso você queira sair do básico e usar tintas ou pigmentos, é importante conhecer um pouco sobre os pincéis. Eles são divididos principalmente entre pincéis de pêlo grosso (cerdas) e pêlos finos, com diversos formatos e tamanhos. Os pincéis de cerda são mais texturizados e costumam funcionar melhor com tintas mais grossas, como a acrílica, enquanto os pincéis de pêlo fino são macios e melhores para utilizar tintas mais liquidas, como o guache. Os formatos mais comuns são o redondo e o chato (que lembra um pouco uma vassoura!). Quanto aos tamanhos, que costumam variar de 001 a 25, devem ser escolhidos de acordo com as dimensões da superfície a ser pintada. Os pincéis de numeração maior costumam cobrir melhor grandes áreas, como uma folha A3, por exemplo, sem deixar marcas. Já os pincéis de numeração menor são mais recomendados para superfícies pequenas e detalhes.

A tinta mais prática para começar é a acrílica, que é vendida em potes ou bisnagas. Já os pigmentos mais simples são o guache e a aquarela, que podem ser encontrados em bisnagas ou em estojos de pastilhas.

 

Uma coisa importante: você não precisa de todos esses materiais para começar a desenhar. Comece pelo básico! Às vezes, só um lápis e um papel – somados a um pouquinho de inspiração e vontade – já bastam. Não adianta ter tantos materiais sem vontade nenhuma de usá-los, né? Se você perceber que gosta mesmo de desenhar é legal incrementar seus materiais e possibilidades. Mas se você já gosta e o problema for falta de inspiração, te indico um livro: “Destrua este diário”, da Keri Smith, que sugere rasgar páginas, rabiscar, pintar fora das linhas, manchar e até mesmo coisas bem piradas como levar o livro para o banho.

E aí, se inspirou para produzir? Mostre sua arte para gente!

Heleni Andrade
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Minhas amigas me chamam de Leni. Estudo Artes Visuais mas tenho um pézinho no design. Gosto de navegar na internet, fotografar o mundão, cozinhar, descobrir músicas legais e fazer playlists.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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