12 de setembro de 2014 | Ano 1, Edição #6 | Texto: | Ilustração:
Aquelas histórias que te tiram o sono
Ilustração: Mariana Paraizo.

Ilustração: Mariana Paraizo.

*Nota da escritora: não se preocupem, não tem fotos.

Eu poderia neste momento dividir o mundo em duas categorias: as pessoas que têm medo do sobrenatural e as que não têm medo de coisas inexplicáveis e histórias desconhecidas que assombram a vida de muitos. E não adianta, quem não é medroso nunca vai entender o sentimento de terror que assola uma pessoa, mesmo lendo uma historinha tão curta e simples como essa:

“Você ouve sua mãe te chamar da cozinha. Enquanto você está indo descer as escadas, você ouve um murmuro que vem do armário ‘Não vá lá, querido, eu ouvi também.’”

Agora eu poderia subdividir o grupo de pessoas que têm medo de histórias de terror em mais duas categorias: as pessoas que têm medo e evitam esse tipo de situação e aquelas que, mesmo tendo noites de péssimo sono, continuam a querer conhecer mais histórias de terror e sobrenatural. Como uma bailarina que sacrifica os pés em nome da dança, nós – os assustados – sacrificamos nossas noites de sono e criamos milhões de paranoias, tudo porque a curiosidade é muitas vezes maior que o medo e tu quer saber como aquela creepypasta termina, mesmo que te consuma a pouca coragem restante no corpo.

Como o tema desse mês da Capitolina é medo, não poderíamos deixar de fora uma pauta que reunisse e contasse um pouco sobre algumas histórias que circulam por aí de boca a boca e, mais recentemente, na internet.

LENDAS URBANAS

Lendas Urbanas são basicamente histórias que foram contadas de boca a boca. Ninguém sabe exatamente como elas surgiram e se de fato são verídicas. Essas lendas não necessariamente tem a ver com terror, como por exemplo aquela história de que comer manga com leite faz mal, que ninguém sabe de onde veio e como ficou tão popular. Elementos comuns das lendas urbanas de terror são jovens sozinhos em casa, pessoas sozinhas no geral, acontecimentos durante a noite, pequenos deslizes ou coisas que esquecemos de fazer.

O assassino no banco de trás (Killer in the backseat)
Uma mulher dirige por uma estrada semideserta. Um carro ou um caminhão atrás dela fica dando sinais de luz. A mulher não entende o porquê disso. Numa das versões da história, ela para em um posto de gasolina, onde a atendente pergunta se ela sabe que tem alguém no banco de trás do carro, em outra versão ela só descobre isso ao chegar em casa e sair do carro. A mulher, então, percebe que o outro motorista estava lhe dando sinais e fazendo com que o assassino recuasse e não a matasse.

A mão lambida (The licked hand)
Pela primeira vez na sua vida, uma jovem fica totalmente sozinha em casa, apenas com o seu cachorro. Ela ouve no rádio que um serial killer (ou paciente fugido de um manicômio) está à solta. Ela, então, tranca todas as portas da casa e dorme com o cachorro embaixo da sua cama. No meio da noite, ela ouve um barulho vindo do banheiro. Apesar de tudo, ela decide não ir lá e para se sentir segura, estica a mão para sentir o cachorro a lambendo. Ela acaba dormindo novamente, ainda com o barulho estranho e colocando a mão para sentir o bafo do cachorro de tempos em tempos. Ao acordar ela vai até o banho e vê escrito de sangue na parede: “humanos podem lamber também”, e o cachorro morto perto. A história varia de protagonista e onde o cachorro é encontrado morto.

Maria insira-sua-preferência-aqui
Maria degolada, maria sangrenta, maria não-sei-o-quê. Essa história tem milhões de variações, mas consiste basicamente no espírito de uma mulher que se encontra em banheiros. Vestida de noiva, com algodão na boca, existem diversas maneiras de chamar ela, de bater no espelho a um número exatos de descargas. Bastante famosa entre os adolescentes, vem assustando e fazendo o banheiro ser uma experiência terrível para várias pessoas.

CREEPYPASTA

Com a popularização da internet, as lendas urbanas saíram do âmbito analógico para o digital. Se as coisas já eram assustadoras sendo faladas, a internet conseguiu deixar tudo bem mais terrível. Agora, além de histórias mais fortes, que frequentemente envolvem tecnologias e computadores perdidos em esquinas, temos fotos e vídeos. Creepypastas são essas lendas urbanas da era da internet, mais pesadas, e que, agora, não acontecem tanto com o amigo de um amigo que mora longe do centro da cidade em uma vizinhança distante, mas nas cidades grandes.

Slender man
Diferente de outras lendas e creepy, o Slender Man tem a criação atribuida a Eric Knudsen. Criado em 2009 em um fórum na internet, rapidamente se espalhou pela web. Ele é descrito como um homem alto, vestindo terno, de braços longos, sem feições e que consegue causar alucinações em suas presas. Também varia um pouco de história para história, mas é associados a florestas. Em sites de busca de imagens é bem fácil encontrar dezenas de fotos manipuladas digitalmente nas quais aparece o Slender Man e que, se tu não sabe que ele é fictício, podem gerar algumas dúvidas.

NO BRASIL

Um país enorme como o nosso não poderia deixar de ter suas próprias lendas e histórias! Selecionei três que já fazem parte do imaginário popular do brasileiro.

Edifício Joelma
O famoso Edifício Joelma é localizado na cidade de São Paulo e foi protagonista de uma das maiores tragédias no país: seu incêndio em fevereiro de 1974 provocou 191 mortes e mais de 300 feridos. Servindo para estacionamento e salas comerciais, centenas de pessoas passavam por seus corredores todos os dias. O incêndio, que começou por conta de um curto-circuito em um ar condicionado no 12º andar, se espalhou rapidamente pelo resto do prédio que era cheio de móveis de madeira, carpetes, cortinas de tecido e forro de fibra sintética. Era como se o prédio fosse um pavio pronto para ser aceso, sem escadas ou plano de incêndio. Alguns conseguiram fugir pelos elevadores, até que eles pararam de funcionar. Treze pessoas foram mortas dentro de um elevador; elas nunca puderam ser identificadas e ficaram conhecidas como “Treze almas do Edifício Joelma”.

Junto com o incêndio e as especulações de que o lugar costumava ser um pelourinho, um outro acontecimento no mesmo terreno agrega mais terror ao local. Nos anos 30, um professor da USP matou as irmãs e a mãe em casa e, quando a polícia chegou em sua casa, ele cometeu suicídio e as reais causas do crime nunca foram descobertas. Dois anos depois do incêndio do Joelma, o edifício foi reaberto, mas nunca conseguiu ter todas suas salas ocupadas, por conta da má fama e do medo que ele causava nas pessoas, tanto que na década passada o edifício foi rebatizado de Edifício Praça da Bandeira.

Crimes da Rua do Arvoredo
Reza a lenda que na Porto Alegre do início da metade do século XIX, um casal atraía homens para sua residência, um antigo açougue na Rua do Arvoredo, onde eles os matavam. Depois de mortos, eles viravam linguiça, que era vendida e tinha grande fama na cidade. Infelizmente nunca vamos conseguir saber se a parte que as linguiças eram consumidas pela população é verdadeira, o que resta do processo é escrito em português arcaico e as folhas que poderiam pôr fim ou não na lenda sumiram ou foram consumidas pelo tempo.

E agora, em qual das categorias citadas no início do texto tu te encaixa?

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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