7 de agosto de 2014 | Edição #5 | Texto: and | Ilustração:
Arco-íris cultural pelo mundo

Texto por Bia Quadros e Nathalia Valladares

Cientificamente falando, as cores são, na verdade, a percepção visual da incidência de um determinado tipo de onda em seus olhos. Isso quer dizer que o que você vê, são ondas eletromagnéticas com tamanhos diferentes e vibrações diferentes, que acabam por parecer diferentes para você no que chamamos de coloração. Os objetos mostram alguma cor pelas moléculas que o constituem, com a reflexão da luz e o quanto é absorvido ou não de cada frequência do espectro de cores.

A dita luz branca é a junção de todas as cores, assim como o preto é considerado a ausência de luz. Um prisma pode facilmente decompor a luz branca em um arco-íris que constitui a junção de todo o espectro visível ao olho humano. O espectro vai do vermelho, sendo a onda mais comprida e com menos frequência (ondulações), ao violeta, que tem a onda mais curta e com maiores ondulações. Todas as ondas antes do vermelho entram na categoria do infravermelho, que é utilizado bastante em troca de dados entre computadores e afins, e todas as depois do violeta entram na categoria do ultravioleta, que são bem prejudiciais ao corpo quando somos expostos muito tempo a ela.

Ainda há que se diferenciar a cor luz e a cor pigmento. A primeira é aquela que vemos em objetos que emitem luz, como computadores, televisões, celulares e etc, e segue o padrão de cores primárias RGB: Red (Vermelho), Green (Verde) e Blue (Azul). A cor pigmento é aquela cor de superfície, geralmente impressa ou pintada, que segue o padrão de cores secundárias das cores luz (mas sendo o primário em artes plásticas) que é o CMYK: Cyan (Ciano, um azul bem claro, diferente do azul cobalto da cor luz), Magenta (um rosa bem forte), Yellow (Amarelo) e o BlacK (Preto, que foi chamado de K para não confundir com o B de Blue do sistema RGB).

Mas é claro que as cores não são só esse aspecto científico de luz e ondas e pigmentos, elas também refletem no nosso humor e são categorizadas em diversos segmentos da nossa sociedade, sendo apropriadas ou não para cada convenção social de acordo com cada cultura. Para isso, fizemos um apanhado bem legal dos significados das cores em algumas culturas e a sensação a qual estão atreladas.

 

vermelho-mazo Ilustração por Mariana Paraizo

Vermelho:

Representa o início da vida ou o renascimento. Cor do Deus Dionísio, do amor de Cristo, e do espirito de fogo para a maioria das lendas asiáticas e europeias, Marte. No Japão, significa felicidade e sinceridade. Na cultura nórdica, acreditava-se que o vermelho trazia fertilidade.  Prosperidade, harmonia, o arroz vermelho é voto de êxito e felicidade. Símbolo do comunismo. É também relacionado com o aumento da fome, sendo muito usado em restaurantes e lanchonetes, para abrir o apetite de seus clientes.

IMG_9586Ilustração por Verônica Vilela

Verde:

Na Idade Média, pintavam a cruz de verde, instrumento de regeneração de gênero humano através do sacrifício de Cristo. No Egito, a população temia os gatos de olhos verdes, inclusive matando quem os sacrificava. Para eles, verde é a luz do espirito que fecundou. No início dos tempos, o verde representava as águas primordiais, até então envoltas em treva. Para os alquimistas, a cor da esmeralda penetrava os maiores segredos, além do bem e do mal. Também significa vida e morte. O verde substituiu o branco em hospitais porque, além de não deixar o sangue continuar vermelho vivo quando respingado nos tecidos, percebeu-se que o verde claro também ajudava a acalmar os pacientes. O verde também está relacionado ao meio ambiente.

IMG_9587Ilustração por Verônica Vilela

Amarelo:

Cor da felicidade, mas que, em excesso, causa ansiedade. É relacionada à felicidade, riqueza, otimismo e prazer, mas também à inveja, ao ciúme e à traição.  No Egito, significa luto. Durante a Inquisição Espanhola do século XVI, os hereges eram obrigados a usar capas da cor amarela.  Para os budistas, sabedoria. Para o artista Kandinsky, é uma cor excêntrica. A cor da loucura. Na psicologia, é uma cor usada para ajudar a lembrar fatos. Durante a Idade Média e a Renascença, o amarelo era considerado uma cor de exclusão. Isso foi revivido no início do século XX, quando judeus de países ocupados pela Alemanha nazista deviam usar pequenos triângulos amarelos com a estrela de Davi costurados a sua roupa. Ainda no século XX, essa cor foi muito valiosa pela sua grande visibilidade, sendo colocadas no lugar do vermelho em veículos que necessitavam sobressair, como carros de bombeiros e outras viaturas, e seu uso em letreiros de néon.

azul-mazo3

 

Ilustração por Mariana Paraizo

Azul:

No Egito antigo, era usado na parede das necrópoles. A cor da verdade que, aliás, andava junto com a morte e os deuses. Para os budistas, significa sabedoria, transcendência, potencialidade, vazio, uma cor sedativa ou curativa. Para os alemães, azul é uma expressão para quem perde a consciência por causa do álcool. E para os americanos/ingleses, é uma expressão que traduz a tristeza. E para os celtas, esta palavra não existe. Uma tradição da prisão francesa era pintar o pênis dos carcereiros gays com esta cor para mostrar a “castração” da virilidade masculina. Pablo Picasso, durante seu “período azul”, deu a essa cor uma aura de melancolia.

roxoIlustração por Jordana Andrade

Roxo:

Para os esotéricos é a cor da iniciação. Na Tailândia, é a cor das viúvas. A cor significa riqueza porque antigamente o pigmento derivava de um molusco do mar mediterrâneo. Como custava mais que o ouro, apenas os nobres tinham roupas com esta cor, então era considerada a cor da realeza. Além disso, o roxo era uma das cores do movimento sufragista americano na década de 1920. Anos depois, nos anos de 1970, essa cor acabou sendo implementada como a cor do movimento feminista de liberação da mulher. 

laranjaIlustração por Jordana Andrade

Laranja:

Simboliza a fertilidade e a nossa Capitolina. Os vietnamitas davam algo com esta cor para os novos casais. É ligada ao não-convencional, à extroversão e ao Outono. Na Ásia, é um importante símbolo do Budismo e do Hinduísmo. Hoje em dia, é uma cor bem importante para chamar atenção, sendo usada em barcos e coletes salva-vidas e nas chamadas caixas-pretas de aviões.

IMG_9588Ilustração por Verônica Vilela

Branco:

É uma cor normalmente associada à pureza, virtude, limpeza, calma, paz e ordem. Ao contrário disso, para os orientais, significa tristeza e luto. Assim como na Idade Média, que desempenhava o papel da cor das viúvas.

pretoIlustração por Jordana Andrade

Preto:

Essa cor é comumente ligada a coisas ruins, como morte, mal, bruxas e magia. Além desses significados já intrínsecos na nossa vida, hoje em dia, na sociedade ocidental, ainda temos as significações de poder e elegância, principalmente convertidos no uso da cor em roupas e acessórios relacionados ao trabalho. Na psicologia, significa ausência de consciência, aprofundamento na obscuridade.

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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