5 de setembro de 2017 | Ano 4, Edição #37 | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Aromaterapia: O auto cuidado através das sensações
AROMATERAPIA

Muitas vezes nos sentimos sobrecarregadas no dia-a-dia, e fica difícil conseguir arranjar tempo para parar, olhar para dentro da gente, e perceber a necessidade de tirarmos um tempinho para cuidar de nós mesmas. E, acredite, isso faz MUITA falta. As atividades pesam, o tempo corre rápido demais e a gente muitas vezes pode ir passando por cima de uma necessidade aqui, umas horinhas de sono ali, e de repente nos vemos estressadas ou com qualquer outro “sintoma” que a gente possa reconhecer como um sinal da nossa sobrecarga.

 

No ambiente escolar, universitário, ou de trabalho a gente sabe que essa demanda é muito comum e que muita gente se encontra nessas situações. Assim, pode existir a necessidade de começarmos a nos olhar e repararmos nas nossas necessidades de outra maneira e nos cuidarmos melhor e, nesse sentido, a aromaterapia pode funcionar como uma ferramenta auxiliar para promover esse auto cuidado (lembrando que essa terapia não substitui outras formas de cuidado, de modo que, quando for necessário, o acompanhamento médico e psicológico deve ser feito).

 

A aromaterapia se configura como uma terapia holística (isto é, que compreende o ser humano na sua totalidade: mente, corpo e espírito, atuando em cada um desses aspectos) e alternativa aos métodos convencionais da Medicina, sendo ainda um ramo da fitoterapia. Numa definição mais simplificada, seria o cuidado (“terapia”) através dos aromas, isto é, o cuidado por meio das nossas sensações e dos sentidos, promovendo saúde e bem estar, além de atuar na prevenção de algumas doenças.

Para isso, a aromaterapia utiliza os óleos essenciais, que são compostos orgânicos voláteis extraídos das plantas (de suas flores, frutos, sementes, folhas e raízes, entre outras partes das plantas), responsáveis pelo aroma de algumas espécies. São muito concentrados e possuem a capacidade de penetrar no nosso corpo através da pele ou do olfato, atingindo a corrente sanguínea.

 

São geralmente extraídos através dos métodos de destilação a vapor ou prensado a frio (e é importante se atentar a eles, porque os métodos de extração afetam a qualidade dos óleos, podendo conservar mais ou menos propriedades das plantas). Para fins terapêuticos, os óleos essenciais podem ser aplicados na pele, bem como em difusor de ambiente ou pessoal, além de poderem ser usados também para fins de beleza (mas nesse texto vamos nos ater somente às aplicações com finalidade terapêutica, apesar das utilidades estéticas serem muitas). Como são altamente concentrados, NÃO se indica a sua aplicação pura na pele, mas SEMPRE aliada aos óleos vegetais compatíveis ao uso dermatológico, como, por exemplo, o óleo de côco.

 

Pode ser que “aromaterapia” e “óleos essenciais” pareçam ser termos que lhe remetam a práticas e conhecimentos recentes, mas na verdade a extração e o uso de propriedades aromáticas das plantas são práticas muito antigas na humanidade, datando mais de cinco mil anos (alguns sugerem até 40 mil anos!), tendo registros na Medicina Chinesa e na Medicina Ayurvédica, da Índia, apesar de ter surgido uma palavra ocidental, “aromaterapia”, para essas práticas somente no início do século XX. Isso demonstra o quanto a relação do ser humano com a natureza sempre foi muito próxima e que há muito tempo temos utilizado as plantas e as suas propriedades para o nosso bem estar e a nossa saúde mental e física, podendo ser a aromaterapia uma ferramenta também de aproximação e resgate desse conhecimento e dessa relação com a natureza, bem como de suas propriedades e benefícios para nós.

 

É interessante pensarmos também em como os óleos essenciais de fato atuam no auxílio do nosso bem estar e da nossa saúde física e mental. De maneira bastante resumida, podemos entender que quando nós sentimos os aromas dos óleos essenciais através do nosso olfato, estas sensações são reconhecidas pelo cérebro e processadas em uma área muito próxima ao Sistema Límbico, que é a parte responsável basicamente pelas nossas emoções e memórias. É por isso que muitas vezes um cheiro ou um perfume nos lembra de algo que afetivamente foi importante para nós, na nossa história: os cheiros e os aromas estão muito ligados às nossas emoções. Nesse sentido, os aromas percebidos nos óleos essenciais na aromaterapia são capazes de promover sentimentos e sensações que podem ser de ajuda para o equilíbrio das nossas emoções, como, por exemplo, alívio de um sentimento de ansiedade, aumento da disposição, entre muitas outras finalidades.

 

Além desses aspectos mais “técnicos” dessa forma de ajuda da aromaterapia, existe o fato de que esta se configura como uma ferramenta de auto cuidado, e que, portanto, o momento de aplicação de um óleo essencial pode se tornar um momento de voltar o seu olhar e a sua atenção para você mesma e para as suas necessidades naquele instante: como eu estou me sentindo agora? Como foi o meu dia hoje? Preciso relaxar para conseguir descansar ou preciso de mais energia para enfrentar o dia? Em que momento estou? Como posso me ajudar e qual a ferramenta necessária para isso?

Um exemplo de óleo essencial que pode te ajudar nesse começo do processo de descoberta da aromaterapia e do auto cuidado emocional é o de lavanda. A lavanda é um óleo essencial dos mais indicados na Aromaterapia justamente por possuir boa eficácia, tolerância, e segurança em seu uso, podendo auxiliar como terapia complementar para estresse, ansiedade, depressão, agitação, insônia e medo, entre muitas outras utilidades. Podem ser colocadas algumas gotas do óleo de lavanda em aromatizador pessoal ou de ambiente.

 

Assim, você pode começar a descobrir a aromaterapia de maneira segura, ajudando a criar um momento seu, de auto-cuidado, de perceber o seu próprio corpo, suas preferências de aromas e os efeitos que cada um pode causar em você em níveis sensoriais, emocionais e psicológicos. Enfim, a aromaterapia pode te ajudar a criar e a descobrir um momento seu, de relação com você mesma, e é um lembrete muito especial e precioso para você se olhar sempre de pertinho!

 

Lembrando SEMPRE que:

 

Mulheres grávidas ou lactantes, bebês e crianças NÃO DEVEM usar óleos essenciais ou qualquer outro produto sem antes consultar seu médico. Óleos essenciais são substâncias naturais, porém como toda substância, tem suas contraindicações. PROCURE SE INFORMAR COM AJUDA PROFISSIONAL SEMPRE!

– SEMPRE confirmar com profissional médico de confiança se o óleo essencial pode ser usado por mulheres grávidas ou lactantes, bebês e crianças.

– Os óleos essenciais são de USO EXTERNO.

– Para muitos óleos essenciais é CONTRAINDICADA a exposição ao sol. Tenha cuidado e sempre verifique

– SEMPRE prestar atenção nas quantidades e na diluição dos óleos essenciais em óleos vegetais carreadores.

Por fim, quero agradecer ao meu contato com a Umbanda e as pessoas que lá encontrei, através de pesquisa na Universidade, por fazerem parte e auxiliarem nesse processo de conhecimento da aromaterapia.

 

Referências:

http://laszlo.ind.br/default.asp?pagina=historia

http://www.bioessencia.com.br/o-que-e-aromaterapia/historia-da-aromaterapia/

http://www.bioessencia.com.br/o-que-e-aromaterapia/

http://www.phytoterapica.com.br/foxpanel/uploads/2a3e80a88f8aacf10ef69b38336282b5.pdf

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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