21 de setembro de 2017 | Ano 4, Edição #37 | Texto: | Ilustração: Kimie Noda
Arte que causa sensações

Quando li O Diário de Bridget Jones pela primeira vez, eu ri tanto que minha barriga doeu, meus olhos lacrimejaram e as pessoas em volta olharam torto para mim. Quando vi o quadro Noite Estrelada pela primeira vez durante uma viagem, chorei sem nem saber bem o porquê. Quando assisti Inquietos pela primeira vez, saí do cinema com uma sensação engraçada no peito de que a vida é curta demais para ser desperdiçada.

A arte sempre teve o poder de nos provocar, de nos fazer pensar. E as sensações que cada obra nos provoca nunca são iguais para todas as pessoas ― o mesmo livro que te fez chorar pode deixar alguém com raiva; o filme que te fez refletir por uma semana pode não ter significado nada para alguém. E é por isso que, esse mês, resolvi fazer uma pergunta para as nossas colaboradoras: qual foi o último livro, música, filme ou obra no geral que te causou uma sensação ou emoção muito forte? Que emoção foi essa?

 

“O livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles, fez eu me sentir acolhida.” ― Gabienna Nolasco

“Não foi a última, mas foi a sensação mais forte que já senti com arte. Quando os murais Guerra e Paz estavam aqui em SP, no Memorial da América Latina, a organização colocou um em frente ao outro e você podia sentar no meio e ficar olhando. Eu chorei real, oficial, olhando para os dois quadros. Não sei o nome da sensação, mas era como se sentisse que o painel da guerra fosse cheio de vidas que podiam estar sendo vividas lá na paz, mas não estavam.” ― Ester Borges

“Uma música que sempre me deixa arrepiada e me dá uma sensação mista de nostalgia, melancolia e tranquilidade é Watermark da Enya. Lembro também de uma exposição de quadros da Frida Kahlo a que fui recentemente e que me deixou com sensações muito fortes de desconforto e pertencimento (foi muito esquisito mas eu amei demais!)” ― Mariana Fonseca

“Fico sempre impressionada em como filmes de terror fazem meu corpo ficar alterado. Os últimos que me botaram muito numa pilha eram bastante sanguinolentos: RAW, sobre uma garota que começa a comer carne crua – humana, inclusive – enquanto descobre seus impulsos sexuais na faculdade; e DANS MA PEAU, que é estrelado, roteirizado e dirigido pela Marina de Van, conta a história de uma mulher investigando o próprio corpo através de uma espécie de autoflagelo doentio. Os dois me levaram a um estado de desconforto maravilhoso.” ― Ayodele Gathoni

 

Larissa Siriani
  • Colaboradora de Audiovisual

Larissa Siriani é uma paulistana que nunca fez a menor ideia do que queria fazer da vida - até começar a escrever. Formada em Cinema, é autora de Amor Plus Size e outros livros e comanda um vlog literário que leva seu nome. Vive em São Paulo com os pais, dois irmãos mais velhos e três cachorros, e sonha em viajar o mundo, conhecer seu príncipe encantado e encabeçar a lista de bestsellers (não necessariamente nessa ordem).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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