13 de agosto de 2015 | Artes | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Artista da Semana: Artemísia Gentileschi

Hoje é dia de mais uma Artista da Semana, um espaço dedicado para compartilharmos e homenagearmos mulheres artistas. Sabemos que as artistas sempre estiveram presentes nos movimentos e mobilizações artísticos, lutando constantemente por mais espaço, por mais igualdade. A Rebecca já falou aqui sobre algumas artistas impressionistas que também são esquecidas da História da Arte, voltemos então pro Barroco italiano para falar de uma artista que influenciou muito as lutas feministas dentro do mundo das Artes: Artemísia Gentileschi.

Artemísia Gentileschi (1593-1656) foi uma pintora do Barroco italiano reconhecida internacionalmente como uma artista extremamente importante para o período. Conhecida por suas cenas dramáticas, com personagens femininas claramente representando papéis de heroínas. Hoje em dia, existem estudiosos que consideram ela uma das pintoras mais importantes da geração seguinte de Caravaggio.

Apesar de seu sucesso e importância, Artemísia tornou-se rapidamente indignada com a sociedade em que vivia e iniciou seu questionamento e luta contra as injustiças cotidianas e profissionais que mulheres viviam na época. 

Nascida em Roma, filha mais velha do pintor toscano Orazio Gentileschi, Artemísia começou a pintar no ateliê de seu pai desde cedo. Assim como na Renascença, a maioria das mulheres que produziram durante o Barroco eram de famílias de artistas, evidenciando como, mesmo depois de anos de luta, a participação feminina na arte ainda era dificultada pelos ideais da sociedade ocidental: Artemisia foi treinada por seu pai e essa sempre foi sua maior virtude como artista, aos olhos de historiadores, independente de sua carreira ter sido muito mais pessoal do que só mera técnica adquirida através do pai. Sua primeira pintura chegou a ser contestada, pois afirmavam que o pai teria ajudado. 

Giuditta decapita Oloferne, Artesia Gentileschi  Fonte: Google Art Project

Giuditta decapita Oloferne, Artemísia Gentileschi
Fonte: Google Art Project

Após anos sendo tutelada pelo pai, a artista passou para as mãos de um outro pintor da época, Agostino Tassi. Tassi estuprou a jovem, mas não a silenciou. Artemísia levou seu caso para julgamento, e após ser torturada psicologicamente e, questionada, seu estuprador foi sentenciado. Mostrando cada vez mais a força e a perseverança dessa artista que, apesar de sua admirável incrível carreira na pintura,  raramente  é apresentada em cursos de História da Arte.

Após o crime, a artista se casou e foi para Florença onde dedicou-se a sua carreira. Artemísia pintou uma série de retratos de mulheres fortes, as vezes vitimas, suicidas e guerreiras, que sofriam muitas vezes em nome da Bíblia, e fez disso sua especialidade. Seu trabalho mais conhecido foi “Judith decapitando Holofernes” (1614-1620), que apresenta um heroína vitoriosa. Uma de suas conquistas mais importantes foi sua entrada na Academia de Belas Artes de Florença, por ter sido a primeira mulher a ser aceita.

As opressões que Artemisia sofreu durante a vida não eram muitas vezes de dentro do mundo das Artes, da cultura religiosa e conservadora. É importante ressaltar que o Barroco é o nome do estilo, um período histórico,  um movimento sociocultural que deu-se entre o final do século XVI até meados do século XVII. Um estilo quase que correspondente ao absolutismo e à contra-reforma, que foi difundido a partir da Itália para outros países católicos da Europa e da América. A exclusão das mulheres das sessões de modelo vivo atrapalharam a ascendência das artistas dentro do Barroco. Tanto que a maior parte das mulheres com seu trabalho reconhecidos estão associadas a pinturas de arranjos de flores e frutos. Ou seja, uma segregação clara, onde as mulheres eram impedidas de produzirem painéis religiosos, já que continuam muitas figuras humanas.

Hoje, quando estudamos a vida dessa incrível artista, é claro para nós que Artemísia estava ciente de como as mulheres e as artistas eram vistas pelos homens, pela sociedade, e podemos considerar sua importância na história de artistas mulheres.  Como não podemos deixar de encarar o Barroco como um período de muitas mudanças socio-culturais, mas onde as mulheres ainda não tinham espaço e reconhecimento no mercado da arte como os homens artistas da época, é importante lembrar e relembrar sobre as artistas que não tiveram seus esforços reconhecidos. Artemísia é um símbolo para nós!  

Judite e a servente , Artemísia Gentileschi.  Fonte: Google Art Project

Judite e a servente , Artemísia Gentileschi.
Fonte: Google Art Project

Gabriela Sakata
  • Ilustradora
  • Colaboradora do Tecnomanícas
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Poéticas
  • Audiovisual

Gabriela, 24, moro em São Paulo/SP. Gosto de assistir documentários e umas bobagens no Netflix, ficar no Tumblr e assistir videos no Youtube. Além disso adoro achar músicas novas pra escutar, conversar sobre política, jogar Age of Empires ou Sims e ler teorias da conspiração. Estou cursando Artes Visuais e tenho um instagram com minhas ~~artes~~ (@bbbibilandia).

  • #HYUNA+

    Muito bom!!! Com certeza vou pesquisar mais sobre ela!

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Estou encantada

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos