27 de novembro de 2014 | Artes, Literatura, Quadrinhos | Texto: | Ilustração: Dora Leroy
Artista da semana: Marjane Satrapi

 

 

É possível que vocês já tenham ouvido falar da série de quadrinhos “Persépolis” que foi adaptado em uma animação. Se não é o caso, tudo bem, porque hoje vamos falar da Marjane Satrapi, autora do quadrinho auto-biográfico e diretora do filme.

persepolis_marjane_satrapi

      Satrapi nasceu no Irã em 1969. Sua família era de classe-média e tanto o pai quanto a mãe eram inteirados com a teoria marxista, comunismo e basicamente a resistência aos regimes autoritários que marcaram a infância de Marjane. Ela cresceu na cidade de Teerã até que aos 14 anos, se mudou para Viena, Aústria – viagem planejada por seus pais com intuito de afastá-la do ambiente repressivo e violento que se consolidava no Irã: entre as décadas de 1970 e 1980, o Irã estava em uma onda revolucionária que levou à formação da República Islâmica do Irã (e a um regime ainda mais autoritário que o anterior), além de ter passado por uma guerra com o Iraque.

Segundo os relatos do próprio quadrinho “Persépolis”, a autora estudou grande parte do colegial em Viena, onde viveu dois meses na rua até que voltou ao país de origem, depois de uma crise quase fatal de pneumonia. Foi em seu retorno que aprofundou seus estudos em Comunicação Visual na universidade

Até aqui, não é pouca coisa, né? Em uma de suas entrevistas, Satrapi fala sobre como surgiu a idéia do quadrinho “Persépolis”, que foi o responsável por seu “boom” mundial, abrindo portas para muitas outras produções (ela fez a arte de um disco do Iggy Pop e lançou dois filmes[1] recentemente).


Capa do disco “Préliminaires” de Iggy Pop

Marjane explica que a idéia de contar sua história era uma espécie de “resposta ao mundo”. Conta que as duas vezes que deixou seu país, tanto em 1984 quanto em 1994 (desta vez indo morar na França, onde vive até hoje), escutava ideias sobre o Irã que, pra ela, não tinha nada a ver com a realidade:

Essa era a realidade que a mídia mostrava. Não estou dizendo que esta realidade não existe, é só que existem muitas outras. Então foi como dizer “Eu vou te dar pelo menos um outro ponto de vista. Um muito pessoal[…]. Mas é isso [outro ponto de vista].”   

Nesta entrevista, a quadrinista-diretora-ilustradora, diz como só pôde escrever sobre sua história quando já estava afastada desta realidade que nos queria mostrar: “Não se pode responder estupidez com estupidez, violência com violência. Então é extremamente importante poder se afastar e olhar de novo.” [tradução livre]. Portanto, foi 5 anos depois de se mudar pela segunda vez que começou a andar com o projeto.

Marjane Satrapi é uma das artistas mais legais que conheço que atua hoje, não só por todas as dificuldades pelas quais passou – e sobreviveu – mas também pelo trabalho lindíssimo que fez e faz. É importante dar visibilidade a tudo isso porque, como ela mesma diz, vem como uma luz aos olhos de quem só conhece a história do outro lado do mundo pelas “telinhas”. Então se você é uma daquelas leitoras que ainda não tinha ouvido falar de sua obra ou que só tinha ouvido falar, bora dar uma conferida!

 


[1] Les bande de Jotas (2012)  ; Chicken “with” plums (2011)

Beatriz H. M. Leite
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Beatriz H. M. Leite, 21, é paulistana e mora em Buenos Aires. Além de cartas não enviadas, coleciona cartões-postais e histórias dignas de novela mexicana.

  • bruno

    acabei de assistir ao filme !, depois de ter lido o livro há um tempinho…

    lembrando que além de ‘persépolis,’ ela escreveu ‘bordados,’ que também é sensacional !

  • http://cosmocinese.blogspot.com.br/ Bruns

    Amo a Marjane ? Gostei muito dos quadrinhos, comprei sem olhar pq várias minas do meu curso estavam comentando sobre ele e sobre o filme e virou de coração ?

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