23 de abril de 2015 | Artes | Texto: | Ilustração: Jordana Andrade
Artista da Semana: Mulheres Impressionistas

A ausência de mulheres na história da arte é um tema sobre o qual poderíamos escrever artigos e mais artigos a respeito. Por alguns motivos, não conhecemos as poucas mulheres que participaram dos grandes movimentos artísticos.

Outro dia, falamos um pouco da arte que sai do quadrado e mencionamos o Impressionismo, um movimento que surgiu em Paris, no século XIX. Você provavelmente conhece os Impressionistas: Claude Monet, Édouard Manet, Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas… Só que quando falamos deles, parece que as únicas mulheres em vista eram aquelas que posaram para seus trabalhos. Mas não é o caso. Quando o Impressionismo surgiu, duas mulheres foram participantes do grupo inicial do movimento: Berthe Morisot e Mary Cassatt.

O Impressionismo é marcado por cores, luz, traço e técnicas que são diferentes daqueles tradicionalmente utilizados até então. Os artistas desse movimento estavam cansados de serem rejeitados pela Academia de Arte da França — onde toda arte produzida tinha técnica e temas ditados pelo tradicionalismo e pelo Salão de Artes, a grande exibição feita de obras selecionadas da Academia. Dessa rejeição nasceu o grupo dos Impressionistas, que além de serem colegas e trocarem técnicas, também organizavam seus próprios Salões.

Berthe Morisot nasceu em 1840 na França. Por ter vindo de uma família rica, Morisot teve a oportunidade de estudar arte em casa, com tutores, algo que era muito comum para as mulheres dessa classe social nesse período. Morisot se envolveu também com a pintura por meio da amizade com o Édouard Manet, que a inseriu no círculo social dos Impressionistas, já que as mulheres normalmente não faziam parte desse ambiente. Morisot casou com o irmão de Manet e era bem próxima do Pierre-Auguste Renoir. A filha desse relacionamento, Julie, foi retratada em alguns trabalhos da artista, que pintava sobre temas da vida cotidiana. Ela foi a única mulher que participou da primeira exposição Impressionista, o Salão dos Rejeitados em 1863, e seus trabalhos foram expostos em sete das outras exposições do grupo feitas na época.

Berthe Morisot, Julie Manet com chapéu. 1892.

Berthe Morisot, Julie Manet com chapéu. 1892.

Berthe Morisot, Mãe e irmã da artista, Marie-Joséphine & Edma. 1869/70

Berthe Morisot, Mãe e irmã da artista, Marie-Joséphine & Edma. 1869/70.

Mary Cassatt nasceu na Pensilvânia, Estados Unidos, em 1844.  Assim como Berthe Morisot, Cassatt veio de uma família rica. Nesse momento, os Estados Unidos tinham mais escolas abertas a mulheres do que a Europa, então, embora a família de Cassatt não concordasse com sua decisão de estudar artes na Academia de Artes da Pensilvânia, eles acabaram permitindo, mas nunca apoiaram sua carreira. Eventualmente, depois de anos frustrada, Mary Cassatt obteve algum sucesso na Europa, mas depois de algumas rejeições, a artista foi convidada por Edgar Degas para ser a segunda mulher a participar do grupo Impressionista na França, participando de várias das exposições realizadas naquele período. Assim como Morisot, Cassatt fez pinturas com temas domésticos, e é conhecida pelas pinturas sobre mães e filhas.

Mary Cassatt. A leitora. 1877.

Mary Cassatt. A leitora. 1877.

Mary Cassatt, O Banho, 1893.

Mary Cassatt, O Banho, 1893.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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