16 de fevereiro de 2017 | Artes, Colunas, Literatura | Texto: and | Ilustração: Heleni Andrade
As mulheres de Jane Austen

Jane Austen, uma das maiores referências da literatura inglesa, faleceu em 1817 e esse ano comemoramos o bicentenário da sua morte. Nascida no interior da Inglaterra em uma cidade chamada Steventon, em 1775, Jane foi uma das primeiras escritoras a ser amplamente reconhecida ainda em vida. A escritora deixou apenas seis romances completos. Mas esses poucos romances revelavam, além de seu humor irônico e talento natural para construção de personagens, um olhar crítico aguçado sobre a sociedade em que vivia, principalmente em relação à realidade das mulheres da época. Um dos pontos de maior destaque em sua obra são suas personagens femininas e as relações que se estabelecem entre elas. Hoje vamos falar um pouco sobre as mulheres de Austen e porque elas merecem destaque entre as grandes heroínas da literatura.

 

Elinor e Marianne Dashwood

As irmãs Dashwood são as protagonistas de Razão e Sensibilidade, o primeiro romance publicado de Austen. Após a morte do pai, Elinor, Marianne, sua mãe e sua irmã mais nova se vêem obrigadas abandonar a casa onde sempre viveram para ir morar em um pequeno chalé, passando a depender da bondade de alguns parentes distantes. O temperamento extremamente forte e apaixonado de Marianne se contrasta com o jeito calmo e reservado de Elinor. Apesar de tão diferentes, as irmãs são muito unidas e compartilham as alegrias e dores uma da outra. Ambas amadurecem bastante ao longo da história. Marianne aprende a duras penas que a impulsividade traz desilusões e Elinor entende que passar a vida reprimindo seus sentimentos só traz infelicidade.

 

Elizabeth Bennet

Elizabeth Bennet é a protagonista de Orgulho e Preconceito, o livro mais conhecido de Jane Austen.  É a filha do Sr. e da Sra. Bennet e tem quatro irmãs; Jane, Kitty, Lydia e Mary. A família vive em Hertfordshire, Longbourn, perto da vila de Meryton. Elizabeth é descrita como uma personagem inteligente, direta, impertinente e brincalhona. No início do romance, ela é retratada como sendo pessoalmente orgulhosa de sua rapidez mental e sua percepção em julgar o comportamento social e as intenções dos outros. Ela é considerada uma beleza local e encantadora, com “belos olhos”, que são as primeiras características pelas quais Fitzwilliam Darcy é atraído. Ele é, mais tarde, atraído mais particularmente por sua mente e personalidade e, eventualmente, considera-a “uma das mulheres mais bonitas”. A novela foca primeiramente em Elizabeth, em seu relacionamento com Sr. Darcy – um homem rico e orgulhoso – e na sua relação com suas irmãs.

 

Fanny Price

Saída da pobreza e levada a uma mansão onde é colocada na situação de agregada, Fanny Price resigna-se e persevera numa vida sem grandes levantes de espírito ou de ações. A personagem cresce nesse ambiente e se mostra uma pessoa extremamente tranquila, prestativa e sensata. Fanny se difere de outras heroínas de Austen, que apresentam certa rebeldia, já que possui um julgamento confiável, é educada, serena e vista como “boa” demais. E finalmente ainda, Fanny e Edmond são claros exemplos de que o afeto entre um homem e uma mulher, em Jane Austen, é um sentimento mais profundo e mais eterno do que o amor.

 

Emma Woodhouse

Emma sempre teve uma vida de privilégios. Ela é linda, inteligente, rica e idolatrada por quase todos que a conhecem. Isso fez com que também ficasse um pouco mimada, egocêntrica e sem muita noção de limites. Depois de ter sucesso ajudando uma amiga a achar seu par, Emma decide fazer o papel de cupido entre seus vizinhos. Ela tem boas intenções, mas não consegue perceber que não lhe cabe interferir na vida dos outros. Além disso, tem uma opinião muito elevada sobre si mesma e acredita estar sempre certa. O mais incrível em Emma é que, das protagonistas de Austen, ela é a que tem mais defeitos. A própria autora dizia que tinha criado uma mocinha de que ninguém além dela própria iria gostar muito. Mas apesar de todas as suas falhas, Emma também tem suas qualidades – ela faz caridade, cuida com carinho do pai idoso e quer genuinamente o bem daqueles que a cercam. É maravilhoso ver essa mocinha tão humana aprendendo com seus erros e crescendo nesse livro.

 

Catherine Morland

A jovem Catherine Morland é a heroína de Northanger Abbey, e imagina suas aventuras sombrias em antigos castelos ou mosteiros de arquitetura gótica; quando é convidada a permanecer na Abadia de Northanger, acredita que pode viver um desses sonhos. Ela é uma garota de 17 anos que adora ler romances góticos. Seus olhares são descritos pelo narrador como “agradáveis, e, quando em boa aparência, bonita.” Catherine não tem experiência e se vê em sua vida como se fosse uma heroína em um romance gótico. Ela vê o melhor nas pessoas, e sempre parece ignorante a respeito das intenções malignas de outras pessoas. A visão de Catherine do mundo é colorida por seu amor por histórias góticos, até que ela aprende o valor de controlar sua imaginação.

 

Anne Elliot

Anne é a mocinha do último romance que Austen finalizou – Persuasão. Ela é mais velha do que suas antecessoras e também mais madura, refletindo uma Austen mais experiente, reflexiva e menos irônica do que antes. Anne é inteligente, sensível e melancólica. Quando mais nova, foi persuadida a rejeitar Frederick Wentworth, um jovem sem fortuna por quem era apaixonada. Anos depois, Anne permanece solteira e muito solitária, vivendo com sua família, que nunca lhe deu o devido valor. Um dia, o rapaz que ela nunca conseguiu esquecer volta, mas agora é um capitão da Marinha que conquistou prestígio e fortuna nas guerras napoleônicas. Anne então se vê obrigada a enfrentar a dor e o arrependimento por suas decisões passadas. Diferente das outras mocinhas, Anne não precisa adquirir autoconhecimento durante a história – tudo isso aconteceu no período que antecede o início do livro e agora ela está mais fortalecida e madura. Austen a descreveu em uma de suas cartas como “uma heroína quase boa demais” para ela. Anne se apresenta sempre muito sensata e determinada, mostrando especial consideração pelos outros (mesmo por aqueles que não a merecem) e fidelidade a seus próprios valores.

Vicky Régia
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Vitória Régia tem 23 anos, é formada em jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. É apaixonada pela arte de contar histórias e dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT.

Mariana Fonseca
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Mariana tem 25 e se formou em medicina. Carioca, ama viver no Rio de Janeiro, mas sonha em voltar para a Escócia. É feminista deboísta e acredita que todo mundo merece chá.

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