21 de janeiro de 2021 | Colunas | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Astrologia: ainda dá tempo de falar sobre 2021? – Parte I

Inaugurando os primeiros artigos sobre astrologia na Capitolina, com enorme satisfação <3 <3 <3 Antes de começar a fazer previsões, preciso deixar evidente algumas coisas. Existe uma abordagem fundante no meu trabalho como astróloga, que passa por usar o céu para entender transformações coletivas e sociais. Para realizar minhas análises, geralmente eu observo os planetas mais distantes do Sol: Urano, Netuno e Plutão.

Esses planetas levam entre 7 e 20 anos num mesmo signo, de forma a marcar uma geração inteira e apontar movimentos massivos em direção a algum objetivo comum. Resumidamente, crescemos e nos transformamos juntos porque somos fruto do nosso tempo. Então, essa publicação vai usar astrologia para fazer comentários preditivos em relação a 2021, tendo um enfoque mais especial para jovens millennials (nascidos entre 1985 e 1995) e geração Z (nascidos entre 1996 e 2003).

 

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Anteriormente, em 2020

Todo mundo sabe que 2020 foi um ano bombástico! Muitos altos e baixos — na maior parte do tempo, o baixo veio com um leve sabor de fundo do poço. Astrologicamente, o cenário se traduziu pela alta concentração de planetas no signo de Capricórnio, convidando a humanidade a repensar a sua relação com (disputas de) poder, status social, o mercado de trabalho, carreira e planejamento financeiro. Por oposição, o signo de Câncer entrou na berlinda, nos fazendo mudar completamente a maneira como nós vivenciamos nossas casas e a experiência com a família durante a pandemia de COVID-19.

2020 foi o ano que arrematou algumas transformações que estamos vivendo no campo político-econômico desde a entrada de Plutão em Capricórnio, em 2008. Lembra da crise das hipotecas, nos Estados Unidos? E todos os seus desdobramentos na Europa? Logo depois tivemos o movimento “Occupy Wall Street”, Primavera Árabe e, em junho de 2013, aqui no Brasil, movimentos de massa que buscavam transformar o sistema e subverter a exploração do capitalismo.

Sendo assim, o ano passado foi uma espécie de catalisador de mudanças econômicas evidenciando desigualdades ocasionadas pelo acúmulo de fortunas desenfreado. Observando as conjunções entre Júpiter e Saturno, estamos ainda concluindo um ciclo de 200 anos de conjunções entre ambos os planetas predominantemente em signos de Terra. Ou seja, a humanidade está encerrando um capítulo que começou a ser escrito na época da Revolução Industrial! Isso mesmo, o babado que estamos vivendo tem raízes lá no passado: uma mudança radical nas estruturas de poder e produção.

Tá, mas e 2021?

Apesar de Plutão continuar em Capricórnio até 2024, a concentração de planetas neste signo se desfez no final de dezembro, com a conjunção entre Júpiter e Saturno em Aquário, marcando o início de um novo ciclo de 200 anos, no qual os signos de ar estarão em evidência. Pense na responsabilidade de estar vivo aqui e agora: todas as ações que tomarmos terão potencial para impactar gerações à frente, algo bem maior que nós como indivíduos.

Esse novo ciclo, que dará o tom de 2021, vai dizer muito sobre a nossa capacidade de nos organizar coletivamente, pela construção de um cenário econômico e político no qual todos tenham vez, independente do quão excêntrico se possa ser. Aquário é um signo de forte articulação comunitária, compartilhamento de informação e de valor sociável, de modo que andar em grupo e construir a liberdade com consciência será a pegada do ano.

Por outro lado, nem tudo são flores. O trânsito de Saturno em Aquário, que vai até 2023, certamente vai colocar algum tipo de ordem na globalização — seja através da via econômica, ameaçando soberanias internacionais, seja através do controle do trânsito de pessoas físicas. Há de se ter cuidado para que essa nova ordem não seja pautada por autoritarismos que apaguem os direitos individuais.

Aquário é profundamente ligado a tecnologias e podemos esperar novas descobertas ou democratização de algumas ferramentas que ainda não estão acessíveis para todos. Como crianças geradas na Era da Internet, nós já temos a convicção de que grandes poderes vêm acompanhados de grandes responsabilidades. Há de se aprender a utilizar da melhor forma e com os propósitos mais elevados todo esse conhecimento que estamos acessando, em nome do bem viver de todos. Esse é um ótimo momento para se cuidar quando o assunto é dados virtuais ou segurança no ambiente cibernético.

Em resumo, 2021 nos trará desafios, mas terá um clima fortíssimo de início, no qual as consequências em relação ao futuro estão nas nossas mãos, coletivamente falando. É tempo de quebrar barreiras e apostar no novo.

Yaminaah Abayomi

Yaminaah Abayomi nasceu no Rio de Janeiro há uns 20 e tantos anos atrás. Ela tem bastante dificuldade de escrever minibios ou falar sobre si na 3ª pessoa. Risos. Apesar de todo o embaraço, ela gostaria que você soubesse que ela é astróloga e artista. É através de várias linguagens, ela investiga a natureza e o pertencimento do corpo humano a mesma. Acredita nos astros como ferramenta de expansão de consciência coletiva e abertura à alteridade.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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