9 de maio de 2017 | Colunas, Poéticas | Texto: | Ilustração: Yasmin Lopes
Astronauta
astronauta

Hoje eu recebi aquela ligação:
cê foi pra casa.
Há tanto tempo a mente já tinha ido,
faltava mesmo só a ligação.

Eu caminhei de mãos dadas com você
por todinha a nossa cidade,
e estava na praia…
Você me disse “sempre estarei com você”, na minha cabeça, e é verdade

Hoje, ainda hoje, tudo hoje,
eu apertei a sua mão, e você não apertou de volta.
Torci para ouvir sua voz, que não ouço há tanto tempo,
mas que é tão viva, vó, tão viva aqui dentro

Tão viva que ouvi.

Ainda hoje um astronauta me olhou, lá do céu,
apontou pra mim… e foi
foi subindo, subindo, subindo,
subindo e sumindo
dormindo
e decolou.

Cê sempre soube eu sou uma cética
uma pagã sem ética
mas eu me converto se for pra te encontrar

Alguém te espera numa nave,
você sempre, sempre teve a chave
e ainda que não, seja-lá-quem ia te esperar
por que quem, no mundo ou fora dele,
conseguiria não te amar?

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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