26 de outubro de 2017 | Ano 4, Artes, Colunas | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Guerrilla Girls: protestando contra museus dentro de museus
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Quando comecei a estudar história da arte e aprendi sobre um grupo de mulheres que desde 1985 se vestem de gorilas e utilizam posters para questionar a descriminação em museus, minha interação com o tema mudou para sempre. Com 16 anos, nunca havia pensado na forma como as mulheres são retratadas na história da arte sobre ausência de artistas negros em grandes museus. Os posters do coletivo foram essenciais para que eu entendesse museus pelo o que são: grandes instituições que fazem parte do processo que excluiu minorias da história da arte.

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Em 1985, as Guerrilla Girls contaram a dedo* quantas artistas mulheres estavam expostas no Metropolitan Museum of Art (Met). Com essas informações, elas criaram posters que colaram as redor do museu – foi um dos primeiros e mais conhecidos trabalhos das Guerrilla Girls. Esses dados nunca haviam sido contabilizados e o coletivo, que manteve identidade anônima adotando pseudônimos e usando máscaras de gorilas, entrou para a história da arte com os posters críticos ao mundo da arte com dados estatísticos e táticas de militância dos grupos americanos de direito civil da época.

Atualmente, o grupo feminista continua protestando a favor das minorias apagadas por museus e galerias e adicionou outros alvos para o protesto, como a indústria do cinema e da música. Elas não atuam apenas com posters – elas fazem ações como o “Departamento de Reclamações”  que está exposto na Trienal de Artes Frestas no Sesc Sorocaba. Por lá, elas também fizeram uma performance sobre o porquê continuam lutando pela igualdade no mundo da arte, apresentando as estatísticas coletadas e os protestos organizados ao longo dos últimos 30 anos.

Pensei que seria uma boa idéia ter uma máscara de gorila também/Performance das Guerrilla Girls na Frestas

Pensei que seria uma boa idéia ter uma máscara de gorila também, mas gostei mais dessa de chimpanzé – Performance das Guerrilla Girls na Frestas

A presença do coletivo no Brasil chegou em um momento curioso do mundo da arte brasileira. A comoção gerada pela exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, a interação de uma criança com o artista durante a performance La Bête no MAM e a censura para menores de 18 anos na exposição Histórias da Sexualidade no MASP, fomentou muitas conversas e opiniões sobre arte, museu, artistas e o público.  A onda conservadora encontrou um alvo “fácil” no museu – lugar onde a nudez sempre existiu e o sexo, queerness e provocação não são novidade.

Tudo isso me fez pensar: como podemos criticar o museu e ao mesmo tempo defende-los de quem os censura?

Acho que podemos aprender com as Guerrilla Girls.

Durante o Frestas, tive a oportunidade de conversar um pouco com duas das Guerrilla Girls que estiveram no Brasil no mês de Setembro. No vídeo, elas respondem a pergunta: qual elas tem para jovens ativistas feministas?

*A informação que elas contaram a dedo o número de mulheres artistas no acervo do Met veio da minha entrevista que fiz com elas. Elas inclusive disseram que talvez isso indique que alguma delas trabalhasse lá dentro.

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Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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