12 de fevereiro de 2019 | Ano 5, Edição #46 | Texto: | Ilustração: Kimie Noda
Autocuidado ou pressão estética?

Nos últimos anos a internet foi inundada por uma tal de Body Positivity. O termo, em inglês quer dizer mais ou menos “positividade corporal” e é um movimento que visa celebrar todos os tipos de corpos.

Mas o que isso quer dizer exatamente? Quer dizer que as pessoas não devem tolerar mais a ideia de que um tipo de corpo é superior a outro. Quer dizer que todas as pessoas devem ser respeitadas e que o valor delas não é medido através do número da calça jeans que usam.

Um bom exemplo disso é o canal no YouTube Alexandrismos, da Alexandra Gurgel. Nele, entre outros assuntos, a Alexandra fala sobre gordofobia, aceitação e sua relação nem sempre pacífica com seu corpo e a comida. A Ju Romano (que a gente entrevistou pra primeira edição da Capitolina lááá em 2014) e a Nuta Vasconcellos dos GWS também são mulheres que falam sobre corpo e body positivity.

Quando se fala em aceitação também estão sendo incluídos todos os mais diversos tipos de corpos. Afinal, de um modo ou de outros estamos todos sendo cobrados para sermos de um jeito. O movimento body positivity parece uma ideia ótima, né? Mas então porque ele é tão criticado?

Existe uma concepção errônea de que a partir do momento em que a gente aceita o nosso corpo devemos parar de ter qualquer cuidado com ele. Uma pessoa gorda que vem a público dizer que se ama do jeito que é não é uma pessoa que promove a obesidade. Existe também a ideia de que só porque a gente se aceitou pode comer o que quiser, na hora que quiser. Isso é uma mentira e, às vezes, é um argumento usado de má vontade para dizer que quem se aceita são pessoas conformadas e sem força de vontade.

Não parece mais fácil cuidar do nosso corpo quando a gente para e tenta entender ele? Reconhecer os sinais que ele emite e como ele funciona? É com esse mesmo corpo que nos locomovemos no mundo, por que não fazer dessa jornada um passeio incrível?

Você não precisa te inscrever amanhã numa academia e trocar de maneira drástica tua alimentação. Academia pode não ser do teu interesse, mas existem outros esportes e talvez algum te faça pensar “nossa, olha as coisas que eu sou capaz de fazer”. Ou então melhorar a alimentação de um jeito que respeite teu corpo e teu paladar. Aceitar-se pode significar também usar roupas diferentes, coisas que você sempre quis usar, mas nunca teve coragem. Ocupar lugares e transitar entre os espaços pode parecer bobagem, mas para alguém que quer se sentir invisível pode ser uma situação complicada.

A gente nunca sabe a batalha interna que as pessoas travam. Muita gente vive uma relação complicada com seu próprio corpo. Se aceitar é um dos caminhos na busca de uma vida mais equilibrada. Uma menina que começa a perceber que o valor dela não está na aparência vai entender que ela não precisa ter vergonha de quem é. E é isso que o movimento quer, que sejamos mais compreensivos conosco e com os outros.

Esse caminho nem sempre é fácil. Pode levar muito tempo pra gente desaprender que tudo bem não ser uma Barbie ou parecer uma modelo de capa de revista.

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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