1 de maio de 2017 | Edição #33 | Texto: | Ilustração: Raphaela Corsi
O trabalho de amanhã: aonde a automação dos postos de trabalho nos levará?
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Existem coisas que são inevitáveis e trabalhar é uma delas. Desde que o mundo é mundo, o trabalho esteve por aí, sendo uma forma que os seres humanos encontraram para sobreviver. Além de construir prédios, IPhones e brusinhas, o trabalho é importante ferramenta para a socialização, fazendo com que pessoas de diferentes origens se relacionem entre si e desenvolvam novos pensamentos. E, por não ser algo novo, o trabalho passou por diversas mudanças ao longo do tempo, tendo as revoluções industriais como a chave para essas mudanças.

As duas primeiras Revoluções Industrias (1760-1875 e 1890-1965), nascidas no Reino Unido, deram início as transformações do mundo do trabalho. Unindo a mecanização com a divisão de tarefas (também conhecida como divisão social do trabalho), os produtos feitos a mão, que demoravam até semanas para serem confeccionados, deram lugar a produtos padronizados, feitos em uma alta velocidade, com menor custo de produção e maior qualidade. O processo de industrialização modificou todo o ambiente ao seu redor, especialmente no campo, com a inclusão de novas maquinas para automatizar os processos.

Essa evolução do trabalho não parou por aí. Com a segunda guerra mundial, houve um boom tecnológico em nossa sociedade. Essa mudança social foi rapidamente absorvida pelas empresas, criando uma nova revolução industrial que continua até hoje. Microchips, telefonia móvel e internet: o futuro chegou!

Essas novas tecnologias simplificaram os processos, aumentaram ainda mais a produção de bens e reduziram a quase zero os custos de produção. Mas, você deve estar pensando: “como assim os processos ficaram mais simples e mais rápidos?”. A melhor forma de mostrar esse avanço, é usando o exemplo de Antunes (2011):

“[…] a Boeing lançou em 1962 o 727, avião para viagens curtas e 131 passageiros, fruto de quase 7 anos de trabalho de 5.000 engenheiros em toneladas de esboços e desenhos, sendo que não era garantida a consistência interna do trabalho de todos eles. Após este longo processo, passava-se à maquete em miniatura do avião e depois ao protótipo: um avião de 44 toneladas com 100 mil peças e 500 quilos de ajustes com remendos, posto que as peças não tinham o tamanho exato, cujos desenhos eram imprecisos e com os quais os operários eram obrigados a improvisar.

Trinta anos depois, em abril de 1994, a Boeing lançou o 777, avião que voava 6.000 milhas com até 368 passageiros, constituído de 3 milhões de componentes e sem necessidade de remendos. O seu projeto demorou apenas 2 anos e meio para ser concluído, pois foi o primeiro jato a ser desenhado integralmente num computador, graças à utilização do CATIA, um software de design assistido, instalado em 2.200 computadores conectados a um cluster de 8 mainframes, que mantinha a consistência dos diversos projetos desenhados ao mesmo tempo por 230 diferentes equipes de até 20 pessoas.” (Antunes, 2011, p.108)

Viu? O mundo realmente mudou nos últimos anos. As grandes empresas tecnológicas e as start-ups mudaram o mercado, de modo que o trabalhador se tornou (quase) virtual. O trabalhador contemporâneo, especialmente o trabalhador de escritório, apresenta hoje maior liberdade de escolha sobre onde e quando trabalhar, devido a ferramentas, como Skype e os Smartphones, que facilitam a comunicação entre os indivíduos. Além disso, ele tem maior domínio do próprio tempo e da sua produtividade, pois tudo é para ontem e os reconhecimentos e erros são quase instantâneos.

Com essa rápida mudança da tecnologia, muitas profissões desapareceram e novas entraram no lugar. Você sabia que a 5 anos atrás, não existia a profissão de Desenvolvedor Android/IOS? Você sabia também, que o Bradesco começou a utilizar um software para realizar os atendimentos via telefone? No vídeo abaixo, o Diretor de Canais Digitais do Bradesco, conta como o banco aumentou a qualidade dos serviços nas agências usando Watson, a tecnologia cognitiva da IBM, integrado aos sistemas legados e mobile.

É impossível prever como o futuro será, mas meu maior conselho é estudar! Se manter atualizado e a frente das tendências é a melhor forma de se manter em um mercado que muda a cada ano. “Mas isso não é obvio?” Claro que não! Vocês sabem o que é uma datilografa? A datilografia era um boom no final do último século, contudo, com o surgimento de novas tecnologias, os profissionais da digitação se tornaram obsoletos.

E para vocês? Como será o trabalho de amanhã? Vamos usar mais tecnologia, ou o trabalhador manual será mais valorizado? Vamos digitar menos e pensar mais? E as indústrias? Será que seremos substituídos por maquinas? O futuro é uma incógnita, mas as possibilidade são infinitas.

Referências:

ANTUNES, Davi José Nardy. Capitalismo e Desigualdade. 2011. 273 f. Tese (Doutorado) – Curso de Doutorado em Ciências Economicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2011.

HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 219 p.

PINTO, Geraldo Augusto. A Organização do Trabalho no Século XX: Taylorismo, Fordismo e Toyotismo. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2013. 87 p.

Naomi Faustino
  • Colaboradora de Relacionamento e Sexo
  • Colaboradora de Sociedade
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Meu nome é Naomi Faustino, tenho 21 primaveras e sou (quase) formada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de São Paulo. Meu foco de pesquisa é macroeconomia e desenvolvimento econômico, contudo, meu maior xodó é entender o desenvolvimento da África do Sul e tudo que tenha a ver com o mundo não-ocidental. Sou fundadora do coletivo negro da Unifesp Osasco, o Eppen Preta; fui Mulher Inspiradora de 2015 do Think Olga, e; Top Web Negra pelo Blogueiras Negras, quando participava do Preta e Acadêmica. Tive um blog chamado The Black Cupcake focado em comportamento e estética, mas hoje só fico no meu instablog postando comidas saudáveis e minha mudança de vida. Adoro ler, ver séries e filmes com protagonistas fora do padrão, pois é preciso ver um mundo além daquilo que nós é forçado a ver sempre.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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