12 de agosto de 2014 | Ano 1, Edição #5, Música | Texto: | Ilustração:
Azul da cor do… Blues!

Blues-ClaraBrowneIlustração por Clara Browne

A cor azul é muitas coisas: a cor do mar, do céu, da terra vista do espaço e a escolhida pro fusca naquela brincadeira impiedosa, o fusca azul. É também uma cor primária, fria (apesar de ser a cor mais quente) e sinestesicamente falando – ou não –, é a cor do blues.

O blues tem sua origem nas plantações de algodão no sul dos Estados Unidos, no fim do século XIX, quando a população afro-americana que servia de mão de obra escrava entoava seus lamentos durante as árduas horas de trabalho. As canções, que falavam principalmente de amor, religião e opressão traziam uma estrutura de pergunta e resposta, uma tradição oral da África (modelo presente em danças brasileiras como o Jongo e o Coco, que também têm raízes africanas).

Uma história conta que naquele tempo as pessoas acreditavam que espíritos ruins chamados blue devils (ou “demônios azuis”) faziam as pessoas infelizes e depressivas. Se alguém estava triste ou pra baixo, era um caso de blue devil. Ainda hoje, nos países de língua inglesa, usa-se bastante a expressão feeling blue, que tem a mesma conotação: tristeza, melancolia. São esses sentimentos que foram trazidos para a música, mas certamente o blues não é apenas sobre isso. Ele fala de esperança, alento, dor criada pra curar a dor.

No princípio, a voz potente e marcante era o único e mais importante instrumento, o ritmo era dado pelo bater das enxadas. Logo após, veio o banjo, o violão e a gaita. Assim, o blues conquistou os bares do sul – e foi só a partir daí que começou a ser conhecido como tal. A guitarra só chegou nos anos 50, daí surgiram gênios como B.B. King, John Lee Hooker, Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan e também pessoas igualmente fantásticas, mas que ficaram um pouco menos conhecidas, como as guitarristas Sister Rosetta Tharpe (cantora e compositora de música gospel) e Beverly “Guitar” Watkins, que hoje é uma senhora e ainda toca até com a guitarra nas costas.

É justamente assim que a música acontece: agrega elementos de diferentes culturas, funde-se a novas técnicas, adapta-se ao clima daqui e dali até dar luz a outros estilos. Muito do que ouvimos atualmente e do que foi produzido até agora tem grande influência do blues. Jazz, rhythm and blues, rock, soul, funk, hip hop: todos têm um pezinho naquelas plantações de algodão, no lamento, na melancolia.

Aqui vai uma listinha com 11 músicas; um mix de blues de ontem, de hoje, daqui, de lá, delas e deles. Boa dose de melancolia!

 

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Jade Cavalhieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM

Boneca trouxa inveterada que perde muito tempo reclamando e clamando direito à preguiça. É escorpiana com ascendente em áries e ama mostarda de uma forma não muito saudável. Se identifica com nuvens cirrocumulos e alguma parte dentro dela ainda quer ser astronauta.

  • Luiz Lucão

    Zapeando por toda as colunas da Capitolina, achei esse artigo falando sobre Blues, do qual gosto muito, e mais do que isso, foi escrito no dia 12 de agosto, dia do meu aniversário. Li, gostei e ouvi toda a Back in Business da Beverly Watkins, que eu não conhecia. Gostei.

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