29 de novembro de 2015 | Colunas, Estilo, Se Liga | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Organizando um bazar com as amigas

Se existe uma coisa que eu acho que todos devem almejar, não importa o quanto gostemos de moda, essa coisa é ter um guarda-roupa mais enxuto e funcional. Não que a gente deva excluir tudo que é supérfluo e terminar só com peças de tons mais sóbrios e fáceis de combinar (ainda que, admito, eu esteja super tentando fazer isso, depois de uma vida inteira colecionando estampas das quais enjoei), apenas acho louvável fazermos um esforço pra (1) consumir de maneira mais comedida e consciente e (2) fazer girar aquilo que já existe no mundo. Lembremos da máxima: “o lixo de uma pessoa é o tesouro de outra” e, embora “lixo” seja uma palavra meio pesada pra falarmos de roupa, acho que procede – aquilo que você não aguenta mais ver, ainda pode render anos no armário de alguém.

Más dá preguiça, né? Na real, fazer a limpa no armário nem é difícil. Em meia hora você já tem uma montanha de peças jogadas em cima da cama. O que fazer com essas peças é que é a grande questão. No meu caso elas acabam sempre indo parar numa mala, que por sua vez passa meses esquecida num quartinho. Sempre digo que vou fotografar pra colocar num desses sites de revenda, mas sempre falta tempo. O resultado disso é que no fim das contas eu acabo sempre doando tudo, o que é louvável, claro, mas assim eu perco a oportunidade de fazer uma graninha pra investir em outras coisas legais ou de trocar essas peças por outras que eu vá de fato usar.

Entra o bazar / troca-troca. Juntar as amigas na casa de alguém pra vender e/ou trocar as peças que vocês não querem mais é uma verdadeira situação “win-win”, aquela em que todo mundo sai ganhando. Você está se ajudando, ajudando o próximo e ajudando o mundo. Com o bônus de ainda terminar o processo cheia de coisa nova. Mas Luiza, organizar bazar dá um trabaaaaalho. Olha, dá um pouquinho, mas espero que com este empurrãozinho vocês se animem.
araras

Vamos às dicas:

1)      Comece anunciando na rede social de sua preferência que você quer fazer um bazar e precisa de mais participantes. Aproveite logo esse post para debater datas e locais possíveis. É bem difícil todo mundo concordar nessas horas, mas a democracia há de vencer. Na hora de escolher o local, considere o quão central ele é na cidade, o quão fácil é o acesso e o tamanho/funcionalidade do espaço. No nosso caso, a casa dos avós da Sofia é sempre a escolhida porque eles já têm várias araras e uma sala enorme, além de ser perto de um ponto de ônibus por onde passa uma linha super grande e movimentada.

2)      Escolhida a data e o local, vocês precisam batizar o evento e divulgar. Acho indispensável fazer evento no facebook, mas não se deve parar por aí. Faça uma arte tosca, no paint mesmo, e mande pros seus grupos de migas no zap zap, imprima alguns cartazes e espalhe pelo bairro. Mas, voltando ao evento do face, que é o mais importante, você precisa postar coisas constantemente pra manter o interesse das pessoas e não deixá-las esquecer que aquilo está marcado, o que nos leva à dica número…

3)      Estabeleça uma data limite para a entrada de vendedoras no evento, e peça a todas as pessoas que forem vender que façam álbuns com as fotos e os preços das peças no evento do facebook. Isso garante a organização do bazar (imagina se geral resolve chegar na hora com uma mala de roupas sem preço e você nem tem onde expor essas peças?) Falando em preços, estabeleça os valores possíveis, pra não ficar muito confuso. Por exemplo: 5, 10, 15, 20, 30, 40, 50, 70, 100. Pode ser menos, mais que isso acho demais. Quanto menos preços mais simples a coisa toda, e aí você pode estabelecer cores pra cada preço e usar aquelas bolinhas adesivas pra marcar as peças. Nós não fizemos isso e acabamos tendo um certo trabalho pra etiquetar todas as peças com alfinetes de fralda.
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4)      Outra coisa que pode dar trabalho é o dinheiro. Cada vez menos as pessoas lidam com dinheiro vivo; cheque então nem se fala. Lembre as colegas de levar uma saída de caixa, mas considere autorizar transferências. Muita gente hoje em dia tem aplicativos de banco no smartphone, então as transações podem ser feitas e confirmadas ali ao vivo. Alguém pode até baixar em um celular só os aplicativos dos bancos mais importantes e oferecer esse celular pra que as clientes façam suas transferências. Além disso, há sempre a possibilidade de vocês trocarem suas peças. Um troca-troca pode ser um evento em si, em que dinheiro não entra e vocês apenas levam as peças que não querem mais pra trocar por outras. Mas, num contexto bazar, as vendedoras que se interessarem por peças de outras vendedoras podem barganhar entre si. Acho isso o máximo e troquei muito mais que vendi nesse nosso bazar capitolínico. Tem que ter jogo de cintura e não pode ter vergonha de perguntar. Se gostar de algo da amiga, reflita sobre o estilo dela e ofereça algo seu em troca. Se você gostou muito da peça, considere oferecer algo seu de valor mais alto, ou até duas peças. Costuma dar super certo.
acessórios

5)      Torne seu evento imperdível. Como? Com comida e animais fofinhos, claro. Anuncie que vai ter biscoito caseiro, brownie, música boa e, se possível filhotes. Nosso bazar girou em torno da minha cadelinha recém adotada, a Kate. Essa parte social do bazar talvez seja a mais importante mesmo. Porque economizar uma grana é legal, consumir de maneira consciente é uma beleza, mas o que mais vale mesmo nessa história toda é o tempo que você ganha com os amigos. Enquanto não aparece ninguém pra comprar, dá tempo de conversar sobre assuntos importantes, sobre besteira, sobre novos projetos. Dá pra morrer de rir com o filhote correndo atrás de uma bola três vezes maior que ele e dá pra beber bastante café e comer bastante doce. Também dá pra cortar o cabelo da amiga, o que gera ainda mais uma economia para o grupo!
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cabelo

6)      Não vendi tudo, e agora? Bom, você tem algumas opções. A primeira é fazer um saldão nas últimas horas do bazar (lembre de avisar no evento que vai rolar essa xêpa). Se ainda assim sobrarem algumas coisas, vocês podem liberar para que as vendedoras fiquem com o que quiserem, podem juntar tudo pra doar ou podem também levar de volta pra casa pra vender de outro jeito, na internet quem sabe. Eu acho bacana aproveitar essa proximidade do Natal pra doar. Aqui no Rio há muitos locais de coleta. Praticamente todas as Igrejas recebem doação de roupas, e a Cruz Vermelha também.
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Acho que é isso, gente! Espantem a preguiça e aproveitem esse fim de ano pra renovar as energias do guarda-roupa também. É bom, faz bem pro mundo e pode ser uma excelente farra 😉

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Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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