13 de maio de 2017 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Beijei uma garota. E agora, sou lésbica?  
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A pergunta colocada no título deste texto diz muito sobre questões que rondam nossas cabeças no que diz respeito à vivência da nossa sexualidade. Talvez seja esse um dos assuntos que, por mais que envelheçamos, continuam nos trazendo questionamentos, dúvidas e fazendo com que criemos minhocas na nossa cabeça.

Mas, calma, vou tentar ajudar!!!

As identidades sexuais, a formação de movimentos que lutam pelos direitos de LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), sem dúvida, é muito importante para que consigamos continuar vivendo em uma sociedade que tem dificuldades de lidar com a diversidade sexual e de gênero. No entanto, é preciso dizer que identificar-se como uma das letrinhas da sigla LGBTs não é um movimento fácil para todo mundo.

Ainda que por vezes tenhamos pressa em entender quem somos, qual a nossa orientação sexual, é crucial entendermos que cada um vive essa questão de uma forma. Enquanto algumas mulheres, por exemplo, contam que gostavam de meninas desde crianças, outras vão descobrir a atração que sentem apenas depois de uma idade mais madura. Há aquelas que ao descobrir que se atraem por meninas, percebem que são bissexuais. Há outras que começam a entender seus relacionamentos com homens como uma reprodução impensada da heterossexualidade, pensando que só vivenciaram e conheceram o amor de verdade quando se relacionaram com mulheres.

E sabe o que é bacana dessas experiências? Que todas elas são válidas. Não existe forma certa de vivenciar a sexualidade. Nem momento certo para se “descobrir”. Seja aos 18, 30 ou 55, o que mais importa na nossas vivências afetivo-sexuais é que nos sintamos seguras e felizes das escolhas que estamos fazendo.

Nesse sentido, talvez valha a pena pensar a orientação sexual como algo que não é necessariamente estanque para todo mundo. Digo, algumas pessoas inclusive flutuam entre as letras da sigla LGBT, no decorrer da vida. Poderíamos elencar mil possibilidades de descobertas e mudanças, mas o que importa, no que estou dizendo, é não nos exigirmos demais, em relação a termos respostas formuladas que sirvam para uma vida inteira. Além de não exigirmos tais respostas também de nossas/os colegas e amigas/os.

A mudança faz parte de toda a nossa vida e não precisa ser diferente quando falamos de afetividade e sexualidade. As respostas para a pergunta do título então podem ser as mais diversas possíveis. Só quem poderá falar sobre você é você mesma. Deixando-se o mais confortável possível para não se cobrar um encaixe imediato em caixinhas, formatos ou respostas que façam mais sentido para os outros, do que para você propriamente.

Como me disse uma amiga que só começou a se relacionar com garotas após os 20 anos: “não dá para saber exatamente quando comecei a gostar de meninas, se foi uma vida inteira ou se foi algo despertado em um momento da vida, o que me interessa hoje, é que eu gosto de mulheres, não me atraio mais por homens e quero viver uma vida com mulheres”. O recado que ela estava me dando era: o que importa mesmo é que agora eu estou feliz e pretendo continuar assim.

Diria para vocês fazerem o mesmo!

Fernanda Kalianny
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Se liga
  • Coordenadora de Poéticas

Fernanda Kalianny Martins Sousa , 26 anos, fez Ciências Sociais na USP e cursa doutoraddo em Ciências Sociais na Unicamp. Adora ler sobre aquilo que informa e complementa sua formação enquanto ser humano, então sua área de estudo tem tudo a ver com aquilo que sente ou é (estuda raça, gênero e sexualidade). Escreve poemas e acredita que sempre será "amor da cabeça aos pés". O coração, intensidade e impulsividade controlam quase todas as ações. Ama apaixonadamente e vive as paixões da forma mais cheia de amor possível. Antes que sufoque com o que fica para dentro, coloca tudo no papel.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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