23 de abril de 2014 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
Personagem Tech do mês: Ada Lovelace
Ada Lovelace

Ilustração: Beatriz H. M. Leite

 

A gente aprende desde criancinhas sobre as grandes invenções e descobertas da humanidade. O telefone, a lâmpada, o avião: tá na ponta da língua o nome de quem nos trouxe essas novidades.

Hoje em dia, no entanto, uma das coisas mais usadas em todo o mundo é a computação. Ela está presente em praticamente tudo o que fazemos. Associadas a ela, vieram um monte de invenções que precisaram ser descobertas, desenvolvidas e entendidas. Invenções estas que não têm um grande nome único por detrás.

A programação foi uma dessas coisas. Ela é, basicamente, uma forma de se comunicar com um computador. Tudo o que queremos que um computador faça precisa ser explicado na forma de determinado tipo de codificação, que chamamos de linguagem de programação. Geralmente, usamos a programação para achar uma “frase” que automatize o processo que queremos que o computador execute.

Não é tão diferente de nós, que dependemos de uma língua e de um conhecimento específico pra nos comunicarmos uns com os outros.

Os computadores surgiram como uma espécie de gigantescas máquinas de calcular que serviam para facilitar o trabalho das pessoas. A programação foi se desenvolvendo paralelamente à evolução dos sistemas, mas existe uma pessoa que é considerada por muitos como a pioneira do que conhecemos como programação: Ada Lovelace.

À frente de seu tempo

Quando tinha pouco menos de 30 anos, Lovelace auxiliou o matemático Charles Babbage em seus trabalhos com o motor analítico, traduzindo pesquisas que poderiam ajudá-lo e acrescentando notas próprias. Foi nesse projeto que ela desenvolveu um algoritmo que é considerado por muitos como o primeiro programa de computador.

Ada nasceu na Inglaterra no início do século XIX. Filha do poeta Lord Byron, teve uma vida supercomplicada. O pai largou a família, saiu do país quando ela tinha 8 anos e acabou por morrer na Grécia. A mãe não tinha muito interesse pela jovem Ada, que foi criada pela avó. Em meio a vários problemas de saúde física e a relação complicada com a família, a mãe insistiu para que ela estudasse matemática, lógica e ciências em geral, achando que isso poderia ajudar Ada a não “enlouquecer” como o pai.

Algumas pessoas defendem que, na verdade, quem desenvolveu o tal algoritmo foi o Babbage e que Ada apenas o teria ajudado a transcrever. De forma geral, no entanto, o reconhecimento é de que Babbage idealizou o modelo do computador analítico ao passo em que Ada Lovelace projetou o software que o faria funcionar. Ela tinha uma visão que descrevia como “ciência poética”, e por isso questionava o potencial da relação que podia sair da interação com tal máquina – enquanto o próprio Babbage não enxergava muito além das capacidades imediatas que ele queria ver funcionar.

Nesse mesmo projeto, Ada falava também em possíveis implicações da tecnologia e da computação na sociedade além de só calcular, o que não era comum na época. Se pensava muito nesses computadores como resposta para a necessidade específica de calcular mais rápido, mas Lovelace chegou a mencionar que eles poderiam ser capazes de produzir música se a relação correta fosse aplicada. Ela também era fascinada pelo funcionamento do cérebro humano e desenvolveu alguns projetos tratando das relações matemáticas entre as terminações nervosas, as sensações físicas e suas respostas. Não completou nenhum deles, porém. Aos 35 anos, Ada foi diagnosticada com câncer no útero, que acabou a levando à morte no ano seguinte.

Mesmo com as controvérsias em relação à sua contribuição, Ada é considerada tão importante que recebeu diversas homenagens:  uma delas foi uma linguagem de programação, criada pelo departamento de defesa dos Estados Unidos na década de 1970, que se chama Ada. Outra homenagem é o Ada Initiative: uma ONG dedicada à inclusão de mulheres na área de tecnologia.

Existe também o “Ada Lovelace Day”, que é um dia dedicado a celebrar e inspirar mulheres que atuam no campo das ciências e tecnologias. A proposta é basicamente compartilhar histórias e criar uma relação entre as mulheres no mundo todo que fazem parte desse campo tão dominado pelos homens.

Para quem se interessar mais pela história de Ada Lovelace, recomendamos o longa-metragem Conceiving Ada. O filme conta sobre a experiência de Ada como cientista através do ponto de vista de uma mulher na década de 1990, que descobre como se comunicar com pessoas no passado. Existe ainda o livro The Difference Engine, considerado um dos primeiros romances steampunk do final do século XX. Ele se passa em uma realidade alternativa na qual Babbage conseguiu construir o seu motor analítico, e algumas ideias de Lovelace aparecem na história – como a de que seria possível desenvolver um método seguro para apostas a partir de programação.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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