17 de agosto de 2014 | Estilo | Texto: | Ilustração:
Bonequinha de tudo
AudreyHepburn-HeleniAndrade

Ilustração: Heleni Andrade

Nascida como Audrey Kathleen Ruston, no dia 4 de maio de 1929, em Bruxelas, na Bélgica, filha de um britânico e uma baronesa holandesa, ela mudou muito de país durante a infância. Passou pelo balé, pelo teatro, até que finalmente foi contratada para seu primeiro filme de destaque, A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953), que lhe rendeu a primeira indicação e prêmio da Academia.

Estamos falando de Audrey Hepburn. É provável que você já tenha ouvido falar nela. Se sim, qual a primeira coisa que pipoca em sua mente quando dizemos seu nome? Talvez seja sua aparência clássica e cheia de pompa e delicadeza, acentuada  pelos figurinos Givenchy, os quais se tornaram icônicos quando associados à sua imagem . Pode ser que você imagine a franjinha curta e os óculos escuros da glamurosa personagem Holly Golightly, do filme Bonequinha de Luxo, cujo título em inglês é Breakfast at Tiffany’s, que é algo como “café da manhã na Tiffany’s”. A tal da Tiffany’s é uma joalheria chiquérrima que tem como identidade visual um azul turquesa muito específico, que até inspirou um esmalte da marca China Glaze.

É inegável a forte conexão de Audrey com o mundo da moda, tanto que desde os anos 1950 até hoje ela é uma grande referência de estilo. Muitas pessoas reconhecem esta mulher apenas como uma atriz muito bonita e talentosa que lançou algumas tendência de moda, mas, na verdade, a Audrey Hepburn foi muito, muito mais que isso. Sua beleza é multifacetada: além de ter sido uma mulher incrível que quebrou padrões de sua época e atuou em diversos segmentos da arte, ela ainda exerceu seu papel filantropo ao ajudar muitas pessoas e integrar diversas causas humanitárias, e é sobre essa beleza interior, menos famosa, que eu quero falar.

Desde nova, quando ainda era adolescente, Audrey ajudou nos esforços de guerra da mesma forma que outras jovens podiam ajudar. Nessa época, durante a Segunda Guerra Mundial, ela morava na Holanda. Depois do bloqueio que os alemães impuseram nas estradas que levavam suprimentos para o país, o povo começou a sentir fome, frio e a morrer nas ruas. Ela, com outras jovens, fazia farinha com bulbos de tulipas para assar pães e bolos que pudessem alimentar a população.

Passada a guerra, Audrey sentiu necessidade de continuar ajudando o próximo, o que a levou a UNICEF, onde ela passou a ajudar com apresentações de rádio a partir dos anos 1950. Bem depois disso, em 1988, Hepburn fez sua primeira missão de campo para a organização. Ela levou comida (e ainda seu amor) para um orfanato na Etiópia, na cidade de Mek’ele, e tomou consciência da situação em que as crianças da África viviam.

“Eu fui para um país rebelde e vi mães e seus filhos que tinham caminhado por dez dias, ou até três semanas, procurando por comida, se instalando no chão do deserto, em acampamentos improvisados, onde eles podiam morrer. Essa imagem é muito para mim. O “Terceiro Mundo” é um termo que eu não gosto muito, porque somos todos um só mundo. Eu quero que as pessoas saibam que a maior parte da humanidade está sofrendo”, disse ela sobre a experiência em Mek’ele.

Depois da Etiópia, Audrey continuou com seus esforços nos anos subsequentes, levando comida, remédios, vacinas e carinho, entre outras coisas que tanto faltam para outros lugares do mundo. O último lugar que ela visitou antes de sua morte em 1992, em razão de um câncer no apêndice, foi a Somália. Apesar de tudo o que ela viu e sentiu entre esses anos, ela dizia que ainda tinha esperanças:

“Cuidar de crianças não tem nada a ver com política. Eu acredito que, de repente, com o tempo, ao invés de uma politização da ajuda humanitária, vai acontecer uma humanização da política. Qualquer um que não acredita em milagres não é um realista. Eu vi o milagre da água que a UNICEF ajudou a tornar realidade. Onde por séculos, meninas e mulheres tinham que andar por quilômetros para conseguir água, agora elas tem água limpa e potável perto de suas casas. Água é vida e água potável agora significa saúde para as crianças dessa vila.”

Entre as pessoas que ajudava, Audrey Hepburn não era reconhecida como a artista de cinema com grande gosto para se vestir e enorme beleza clássica. Ela era reconhecida como uma mulher forte, que ajudava os outros e dava amor e esperança àqueles que não sabiam que isso existia.

Ela era uma das Embaixadoras da Boa Vontade, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, condecoração dada pelo presidente dos Estados Unidos à época, George W. Bush, pelos seus trabalhos com a UNICEF. Postumamente, em 1993, recebeu o Prêmio Humanitário Jean Hersholt por sua contribuição para a humanidade, prêmio que em 2014 foi concedido a outra atriz estilosa e incrível, Angelina Jolie.

Em 2002, na Sessão Especial sobre Crianças das Nações Unidas, seu trabalho e legado humanitário foram reconhecidos com a estátua “O Espírito de Audrey” (The Spirit of Audrey), que fica na sede da UNICEF de Nova Iorque. Além da estátua, existe um fundo de auxílio à UNICEF chamado Audrey Hepburn Society.

Audrey Hepburn foi uma dessas mulheres incríveis que não somente nos fazem rir e chorar dentro do cinema, mas fora dele também. Uma mulher de moral excelente, que dedicou parte da vida dela para tentar melhorar a vida de outros que tão poucas vezes veem uma mão amiga para lhes ajudar de verdade.

Na maioria das vezes, as mulheres que trabalham nessa indústria da beleza não são fúteis e nem vivem só para cultuar sua própria beleza. Elas apenas utilizam a beleza exterior como instrumento de trabalho, cultivam a imagem porque é uma forma de sustento. Entretanto, no final de tudo, mulheres como a Audrey ultrapassam essa barreira das aparências sendo mulheres de muita fibra e extrema beleza interior, que permeiam por outras áreas, trabalhando em prol de causas humanitárias, entre tantas outras. E ela não é a única, eu espero poder dividir mais histórias lindas e com ótimos exemplos como os dela aqui na Capitolina.

Como bônus, fiz uma lista dos filmes da Audrey que eu mais gosto e admiro:

 

  • A Princesa e o Plebeu (1953)

  • Sabrina (1954)

  • Guerra & Paz (1956)

  • Cinderela em Paris (1957)

  • Bonequinha de Luxo (1961)

  • Charada (1963)

  • Minha Bela Dama (1964)

 

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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