22 de dezembro de 2014 | Ano 1, Edição #9 | Texto: | Ilustração: Mazô
Post coletivo: brincadeiras de família

Tem umas brincadeiras e piadas internas que são super particulares às nossas famílias. É só mencionar para seu irmão cair na gargalhada, ou lembrar daquela viagem de carro para a sua mãe contar mil histórias, mas nenhum amigo seu entende nada. Já que nossa edição de dezembro é sobre família, pedimos para nossas colaboradoras contarem sobre algumas dessas brincadeiras que sempre fizeram com a família. Se você tiver histórias assim também, conta pra gente nos comentários!

Bárbara Reis

Quando eu penso nas minhas brincadeiras de família, lembro de duas mais marcantes: a primeira começou com meu pai – Frase de filme. Como eu, meu pai e minha irmã sempre fomos obcecados por filmes (principalmente da Disney), sempre que a gente estava em alguma situação entediante (lembro de fazer isso frequentemente enquanto esperávamos minha mãe sair da escola), algum de nós falava uma frase e o resto tinha que adivinhar quem tinha dito, e a qual filme pertencia. E quando alguma palavra da frase fosse muito reveladora, a gente substituía por “pontinhos”.

A segunda brincadeira é um pouco mais complexa, e era feita com meus primos: sempre que todos nós estávamos na casa da minha vó (e, geralmente, que eu e minhas primas mais novas conseguíamos persuadir a minha irmã e meu primo mais velho), dois de nós montávamos várias armadilhas e criávamos um clima de suspense/uma história de terror dentro de alguns cômodos usando tudo que a gente encontrava pela frente. Televisões com eletricidade estática, quartos com luz vermelha improvisada, bonecos com agulhas na cabeça, bruxas com xales roubados do armário da minha vó… E olha, modéstia à parte, a gente era muito bom. Meu primo e minha irmã, inclusive, eram tão bons em ficar no papel que me assustaram genuinamente diversas vezes…

Clara Browne

Uma das brincadeiras que mais lembro que fazíamos na minha família era quando estávamos viajando de carro. O jogo era adivinhar qual a cor do próximo carro que apareceria. Quem acertasse mais ganhava. Uma vez estávamos no Rio Grande do Norte indo para um sítio de um amigo e ele, jogando com a gente, disse que o próximo carro que viria seria rosa. Todo mundo caçoou. Mas depois de algum tempo sem nenhum carro, vimos parado na estrada um carro rosa choque! Depois dessa, zeramos a brincadeira.

Mariana Paraizo

Eu adoro fazer meus pais e meu irmão jogarem Banco Imobiliário Flash comigo… Mas, se for pra falar de brincadeiras mais pessoais, eu e meu irmão passamos muito tempo na infância viajando de carro pelo Brasil e a gente ficava a viagem toda inventando moda: tinha que fazer uma frase com as letras das placas de carro (ex: LCV – Lindo cavalo vaquejando), cantávamos músicas do Mamonas Assassinas, tinha outra que era de começar a descrever algo no nosso campo de visão e o outro tinha que adivinhar o que era… Hoje em dia eu e meus pais brincamos de tomar vinho, ler textos e ficar zoando até a morte – mas isso não é exatamente um jogo, é só um acontecimento eventual já que eu adoro ler para a família escutar e discutir sobre o que eu estou lendo.

Nicole Ranieri

Minha família é muito piadista e engraçada, a gente se zoa o tempo todo, bota apelidos uns nos outros. Eu já fui Cabeção (porque eu era muito magrinha e cabeluda, aí parecia que a cabeça era maior), Vomitenta (eu tinha uma asma brava e vomitava muito durante as crises) e Bocuda (ainda sou, hehe, nunca soube ficar quietinha quando discordo de alguma coisa, não importa se era com o meu irmão ou com a diretora da escola)…

Minha mãe adora cantar no carro, então tinha uma ópera maravilhosa chamada “bonita banana” (acho que ela que inventou) e a gente cantava, aos berros, passando pela estradinha de terra do interior. Isso ou a versão dos The Carpenters de “A Ticket to Ride” que nós fingíamos que era “A Chicken to Ride” e cantávamos, em português, mesmo, “eu tenho um frango pra ir emboooora!”. Às vezes, a gente pegava o carro, num domingo à tarde, olhava uma pra cara da outra e falava “vamos brincar de se perder?” e ela dirigia, horas à fio, até que encontrávamos algum parque bonito e escondido pela região.

Já meu pai, palhaço que é, gostava de aterrorizar a mim e a meus primos. Ele dizia que o chupa-cabras estava do lado de fora e que tínhamos que ficar de isca imitando uma cabra (“BÉÉÉÉ”) do lado da casa. Ou corria atrás da gente com a língua toda babenta, falando que era o Capitão Lesma. Ou aparecia na sala, durante as minhas festinhas de aniversário, dançando balé com um lacinho na cabeça.

Eles estão longe de mim agora, mas sempre que estamos juntos acontece algum ataque de bobeira coletiva que nos faz rir por muitas e muitas horas!

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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